Dentro da baleia mora mestre Jonas

Momento exato em que a charge de Cau Gomez engoliu o profeta Jonas.
É difícil falar em Zé Rodrix sem falar em Luís Carlos Sá e Guttemberg Guarabyra. Juntos formaram na década de 70 o irreverente trio Sá, Rodrix e Guarabyra. Com eles a expressão “rock rural” ganhou significado e forma musical.
Bem ao estilo contestador de sua geração, Zé Rodrix escreveu uma verdadeira sátira musical da história, narrada na Bíblia, a respeito de Jonas. Este teve o infortúnio de ser devorado por um “grande peixe”. Alguns, entretanto, reduziram as coisas e foi assim que a baleia, que como sabemos, não é peixe, entrou na história enquanto tal.
Em sua música “Mestre Jonas”, o compositor mineiro mostra outro Jonas. Um Jonas conservador, temeroso, fechado em si mesmo, e que, ao contrário do arrependido Jonas bíblico, que sai da baleia após três dias, o Jonas daqui quer permanecer no estômago do aquático mamífero.
Em determinado momento, Zé Rodrix nos diz, a respeito de Jonas:
“dentro da baleia a vida é tão mais fácil
nada incomoda o silêncio e a paz de Jonas
quando o tempo é mal, a tempestade fica de fora
a baleia é mais segura que um grande navio”.
Não sabemos se Zé Rodrix conheceu Jonas Paulo, presidente do PT na Bahia. Se o conheceu falou com propriedade, se não, foi profético.
Mal anotamos em O Recôncavo a inclinação de nosso personagem pelas manchetes e, sem que tivéssemos tempo para mudar de assunto, ele reapareceu nestas em situação vexatória.
Dissemos também que sua compulsão já colocou o seu partido, e a ele próprio, em situações no mínimo desconfortáveis, como na impensada decisão de reafirmar a pretensa existência de um único palanque para Dilma na Bahia. Tese que era de uma falsidade óbvia, menos para o presidente do PT baiano.
Se saísse de dentro da baleia em que mora, Jonas Paulo perceberia que a charge de Cau Gomez é, ao contrário do que ele acredita, o retrato fiel de um momento histórico em que Lula passa a ser tão “mimado” internacionalmente como um ursinho de pelúcia o é pelas crianças.
Ao contrário de atingir a imagem do presidente Lula, a charge mostrou um Lula querido e disputado, até mesmo por Chávez, que já foi, muitas vezes, um crítico das posições internacionais brasileiras. Não conheço ninguém que tenha ficado ofendido com a charge de Cau Gomez, com a exceção sui generis do profeta Jonas Paulo.
Um ursinho de pelúcia não mete medo em ninguém. Muito menos ofende.
O Recôncavo acredita que Cau Gomez deve à Jonas Paulo um grande favor. O presidente do PT baiano premiou, com a sua replusa ao ursinho Lula, o trabalho deste brilhante artista. A reação completamente desarrazoada e colérica de Jonas Paulo imortalizou, na história da crônica política baiana, este primoroso trabalho de humor e de observação da realidade mundial.
Jonas Paulo não viu isso, ele viu um perigo.
Jonas quer ser visto, o tempo todo, e não se arrepende disso.
Jonas Paulo mora dentro da baleia.
E por vontade própria.
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