O Boris Casoy e a vergonha
O Boris Casoy já deu inestimáveis contribuições às elites nacionais.
Creio que não há um único brasileiro que fique surpreso ao saber, por exemplo, sobre o gosto do Casoy por prefeitos biônicos e generais no poder.
Boris Casoy foi assessor de imprensa do ministro da agricultura do governo Médici e secretário de imprensa do prefeito de São Paulo, José Carlos Figueiredo Ferraz, um prefeito biônico, amigo do regime militar.
Em 1968 a revista O Cruzeiro acusou o jornalista de fazer parte do CCC – Comando de Caça aos Comunistas, acusação que Boris nega. Em sua defesa direi: Boris Casoy não tem cara de caçador. Ou tem?
Inestimável foi a contribuição do jornalista no debate eleitoral entre Fernando Henrique Cardoso e Jânio Quadros, na Rede Globo, quando ele perguntou ao FHC se ele acreditava em Deus. A pergunta poderia ter sido feita pelo Jânio Quadros, mas com Casoy perguntando o resultado seria ainda melhor. É que, segundo consta, havia um acordo entre os candidatos de que esta pergunta não seria feita.
Com Lula, o discurso do Boris era o de que os empresários fugiriam do país se o sapo barbudo fosse eleito.
Ontem na BAND, o homem que serviu ao governo Médici fez o seguinte comentário a respeito da CPI do MST:
“Esta CPI é fraca pois é comandada pela base governista”. Uma gracinha, diria Hebe Camargo.
Para Boris, CPI forte e boa é a que a oposição comanda.
O apresentador não consegue disfarçar o seu inconformismo com o fato de, pasmem senhores e senhoras, a maioria ser maioria.
Não me causa estranheza a indignação do jornalista, afinal, ele aprendeu democracia com o Médici.
O Boris Casoy quer incriminar o MST.
O Boris Casoy não gosta de sem terra.
Para ele, reforma agrária é uma vergonha.
Sábio foi Pablo Picasso ao dizer que não se pode culpar o espelho pela imagem refletida.
Neste caso, o MST é o espelho e Boris Casoy uma vergonha.
Por Charles Carmo


