O discurso de Lula e a termelétrica de Sapeaçu
“Quero falar com toda clareza e franqueza. Esta Conferência não é um jogo onde se possa esconder cartas na manga. Se ficarmos à espera do lance de nossos parceiros, podemos descobrir que é tarde demais. Todos seremos perdedores”, disse o presidente Lula em Copenhague, na sessão plenária da Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.
O discurso do presidente é bastante pertinente e lógico. O que foge à lógica é a construção de uma termelétrica movida a óleo pesado em Sapeaçu, em tempos de redução da emissão de gases estufa.
Quanto mais o presidente reafirma o compromisso do Brasil em reduzir a emissão destes gases, mais a termelétrica de Sapeaçu torna-se um obsoleto projeto. O nosso futuro, segundo o presidente Lula, depende da diminuição na emissão destes gases. A termelétrica de Sapeaçu, se implantada, usará óleo pesado como combustível e lançará no ar toneladas de gases estufa e outros poluentes cancerígenos.
A termelétrica de Sapeaçu alia o ignóbil ao escárnio. Vai poluir e, para isso, contará com incentivos fiscais, prontamente aprovados pela SUDENE, pasta ocupada pelo PMDB. Aqui, indagamos o ministro Geddel Vieira Lima e o deputado Zezéu Ribeiro sobre o assunto.
Estamos assistindo, no território do Recôncavo, o estado brasileiro financiando a emissão de gases estufa. Justamente o contrário do que o Brasil prometeu hoje, na conferência da Dinamarca.
Diante disso, O Recôncavo repete a indagação ao Governo da Bahia, à SUDENE (PMDB) e ao Governo Federal: a promessa do presidente em reduzir os gases estufa é para dinamarquês ver ou a Bahia anda na contramão da história?
Para ouvir a íntegra do discurso de Lula na Dinamarca, aperte o play.
Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.
Por Charles Carmo

