terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Copenhague comprova: Obama é negro, mas não é torneiro mecânico

Na imagem dos estadistas, o tamanho inversamente proporcional à altura.

Na imagem dos estadistas, o tamanho inversamente proporcional à altura.

O presidente Lula, muitas vezes, é criticado por suas declarações. É evidente que, na maioria das vezes, a crítica vem daqueles que desde 1989 chamam Lula de despreparado e analfabeto.

Entretanto, mesmo os críticos mais ácidos do presidente não deixam de reconhecer que a capacidade de comunicação do referido com as massas é, de fato, extraordinária. Lula não só se comunica bem como tem uma capacidade de síntese muito grande e esta sua qualidade faz com que suas análises, muitas vezes, sejam mais precisas e reveladoras da realidade do que aquelas feitas por grandes e competentes cientistas políticos. Na verdade, Lula costuma desfazer, na prática, as análises dos tais especialistas que sempre aparecem em programas televisivos para opinar sobre uma notícia quente.

Falo isso para lembrar que Lula disse recentemente a seguinte frase:

“Os Estados Unidos acham que são o País das oportunidades. Somos mais que eles. Agora eles têm um presidente negro, mas nunca um torneiro mecânico chegou à Presidência lá”.

No Brasil Lula foi ridicularizado, como é de praxe na grande mídia, quando deveria ser chamado de colosso político, como o mundo já chama. Esta é realidade factual e, portanto, deveria ser a revelada, com relação à frase imorredoura.

O que Lula está dizendo é que Obama é negro, mas não é operário. Não seria eleito, na maior democracia do mundo, pensando como um trabalhador e tendo uma relação tão próxima com os movimentos sociais.

Ouso dizer, correndo o risco de ser apedrejado por isso, que a sociedade americana, com todas as conquistas cidadãs que ainda não conhecemos, não possui movimentos sociais organizados com grande importância, do ponto de vista estruturante, excetuando talvez os sindicatos.

Os EUA têm um grande problema. É que para fomentar o capitalismo a níveis inimagináveis, eles lobotomizaram o povo americano. A ferramenta da cirurgia? Idéias de individualidade extrema, de competição desregrada e o medo do fracasso. O fracassado é aquele que não é nem rico nem famoso.

Do ponto de vista do avanço capitalista, a estratégia deu certo. Os americanos dominaram o mundo.  Mas estão lobotomizados na sua coletividade. O ponto de encontro dos americanos é o dinheiro.  E só ele.

Como, diante desta crise econômica eu vou criar uma despesa deste tamanho? Foi o que deve ter pensado Obama em Copenhague.

É o dinheiro convocando a reunião.

A atuação de Lula em Copenhague foi digna de um gigante e o mundo reconhecerá isso. Lula foi a voz do mundo na conferência. Lula assumiu para si a responsabilidade de garantir metas claras de redução de gases estufa.

Obama aparecia nas imagens de cabeça baixa, visivelmente constrangido.

O mundo exigia líderes, Lula soube ser um.

Obama, de cabeça baixa, estava lobotomizado pelo dinheiro.

O que separa a bajulação do elogio é a história. Nela, ficará gravado que Obama é negro, mas não é torneiro mecânico.

Por Charles Carmo

Imagem: Google