Editorial: A guerra do Twitter ou de como promover justiça com injustiça

O procurador regional eleitoral na Bahia, Sidnei Madruga, requereu ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) a suspensão por 24 horas do microblog mantido por integrantes da assessoria de imprensa do governador do Estado Jaques Wagner (PT).
O procurador acatou um pedido do PMDB baiano.
Um pedido protocolado imediatamente depois do PMDB ser punido por campanha antecipada. Uma vingança do PMDB baiano pelo desgaste de uma derrota. Vingança célere e pontual.
O problema não está no Twitter da assessoria de imprensa do governador, mas na política. Neste caso, na política judiciária.
É óbvio que um órgão do governo não pode se sobrepor à lei, mas, caso isso ocorra, o remédio é a punição dos responsáveis, nunca a censura.
O governo, qualquer que seja, não pode ser tolhido da sua obrigação de informar.
Até mesmo os jornais que criticam o aumento de investimentos na rede pública de comunicação, diariamente valem-se destes mesmos veículos como agências de notícias. Falam mal, mas copiam e colam.
O Recôncavo também se utiliza destes veículos, bem como a maioria dos blogues e sites do interior do Estado. Não somente o microblog em questão ( Imprensa Wagner) , mas também o site da AGECOM, da Agência Brasil etc. E divulgamos a fonte que nos alimentou. Na verdade, como se pode ver, buscamos até priorizar as agências públicas de informação como fonte de referência jornalística.
Se a denúncia de campanha antecipada fosse em relação ao Diário Oficial, ele também seria censurado e poderia parar de circular?
A política não pode virar instrumento de censura e a razão não pode ser subjugada pelo calendário eleitoral.
A notícia sobre a tentativa de censura ao Twitter da assessoria de imprensa do governador feriu o brio dos jornalistas, dos blogueiros e de todos aqueles que lutam pela democratização dos meios de comunicação e pelo direito à liberdade de informar e estar informado.
Já do ponto de vista político, fez uma enorme divulgação do trabalho da assessoria de imprensa e do próprio veículo, além de alavancar a visibilidade nacional do mesmo.
Se há propaganda antecipada, que se puna, mas nunca com a censura. Os conteúdos das notícias veiculadas pelo Twitter da Assessoria de Imprensa do Governo do Estado não estão sob segredo de justiça, nem muito menos destoam de qualquer cobertura comum às assessorias de imprensa de outros órgãos públicos.
Estes conteúdos são públicos, e devem permanecer assim.
Que partidos políticos tenham interesse na censura, é algo que se pode supor, sem causar surpresa a ninguém. Mas a Procuradoria da República defender a suspensão do microblog é incompreensível. E preocupante.
O remédio para a imparcialidade não é a injustiça.

