Dilma, a dama que virou o jogo
A pesquisa Datafolha desta semana faz mais do que marcar o empate técnico entre Dilma e Serra, o que já não seria pouco.
O fato é que a petista ganha de José Serra na pesquisa espontânea, aonde o nome dos candidatos não são citados. Nesta categoria, a ministra empata com Lula, o líder mais carismático do país, ambos com 10%, contra os 7% do tucano José Serra. Dilma está atropelando o PSDB.
O Ibope já apontava que Dilma lidera no Norte e no Nordeste. Agora o Datafolha confirma a queda de Serra no Sudeste, seu principal reduto eleitoral.
Serra, mais do que estagnar, cai. Dilma já não está no retrovisor e pode ser vista da janela do carona.
Ao centrar fogo no PT, durante a crise do mensalão, a oposição pensou em uma estratégia: remover as peças chaves do petismo e derrubar Lula por dentro, implodindo as lideranças petistas.
A estratégia deu certo durante um curto espaço de tempo e possibilitou a oxigenação midiática da oposição. Deu discurso para a campanha de Alckmin. Criou um desgaste imenso ao partido do presidente e, mais ainda, ao próprio governo.
Entretanto, Lula reagiu, colocou Dilma no centro do tabuleiro e virou o jogo, se re-elegendo.
No segundo governo, Dilma se tornou uma peça chave. E o presidente decidiu colocar a dama novamente no jogo, apresentando a ministra como seu nome para a sucessão presidencial.
Serra, entretanto, continuava coroado com os louros do favoritismo que, em política, é um patrimônio precioso.
Hoje, os dados do Datafolha provam que a oposição não lembrou da Dilma. E mais grave: nunca teve a devida clareza do que representa, para o povo brasileiro, não somente Lula e o seu governo, mas as políticas públicas que o presidente implementou e que as massas teimam em ratificar. Políticas públicas que agora não querem mudar e cada vez mais identificadas com a ministra Dilma Rousseff.
O que a cúpula do DEM e do PSDB pensou é que, se é difícil atingir um homem com a popularidade de Lula, era preciso “destruir por dentro”. Mas Lula viu Dilma, uma técnica competente, com traquejo e vivência política. E fez dela a sua candidata.
Quando a oposição acordou para o fator Dilma, as políticas já estavam implantadas, Lula se agigantara e Dilma saiu dos planos do presidente para se tornar, nesta data, a favorita para ganhar a eleição.
O Datafolha marca o fim do favoritismo de Serra.
O perigo, para o PSDB, é que se cristalize nas massas a idéia do favoritismo da ministra.
Este seria um golpe fatal.
O problema dos tucanos é que o teto de Dilma é maior do que o de Serra. Serra tem mais rejeição que Dilma. Além disso, se a ministra, sendo bem mais desconhecida, já está empatada tecnicamente na pesquisa estimulada e lidera na espontânea, quando ganhar mais visibilidade tenderá a crescer. Ou alguém ainda duvida que Lula transfere votos?
Estamos em março e a favorita é ela, a dama que virou o jogo.
Por Charles Carmo


