terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

CNI/IBOPE: Serra é a fogueira que queima no São João

A boa notícia é que uma hora o combustível acaba e o fogo apaga. A ruim é que isso se chama derrota. Foto: Google

O processo eleitoral mal se iniciou e a candidatura de José Serra ameaça beijar a lona. Viram ruínas os últimos argumentos, ainda vigentes no bunker tucano, sobre o suposto papel da propaganda eleitoral na alavancagem da candidatura de Dilma Rousseff. Dilma, segundo os tucanos, crescia por conta das aparições na TV. A hora dos tucanos chegaria.

O horário de televisão tucano, ainda mais precioso em tempos de queda, não surtiu nenhum efeito sobre o eleitorado. Serra, por conta de uma discutível estratégia, preferiu disputar a atenção dos telespectadores com as vuvuzelas e a jabulani. Serra acreditava que ganhava de Maradona, Kaká e Luis Fabiano.

A nova pesquisa CNI/Ibope aponta o caminho do purgatório para a oposição. A sensação que se tem é que não importa mais quem vai ser o vice de Serra. Os números e o cacife eleitoral dos cotados apontam para a irrelevância eleitoral da escolha.

Dilma cresceu oito pontos percentuais deste março. Com 38,2% contra 32,3% de José Serra, Dilma abiu uma diferença de quase 6% sobre um adversário a cada dia mais fraco. Que jogada brilhante teria Serra para reverter este quadro durante a campanha?

Com ser oposição com 10% de crescimento da economia neste quadrimestre e uma projeção de mais de 7% ao ano? O que fazer quando Lulinha 85% entrar, em cada casa, por meio da telinha, de mão dadas com Dilma?

O crescimento de Dilma não é fruto da propaganda eleitoral petista, como é de amplo conhecimento. O crescimento de Dilma é o desejo de continuidade. O eleitor não deseja trocar o que ele conhece, que está dando certo, pelo imponderável de uma candidatura que não aponta nenhum projeto, nenhuma correção de rumo que pareça coerente ou justificável. Uma candidatura que não fala de nada.

Quando perguntado, no Roda Viva, o que faria no Banco Central, alvo de muitas críticas suas, Serra emendou: melhorar. A resposta, embora pareça simplesmente amadora, revela um desejo sem nenhuma base factível. Uma premissa que bóia no nada, eis a forma que se apresenta a candidatura tucana.

Se a oposição temia uma ultrapassagem de Dilma antes do começo do horário eleitoral, o medo agora é de uma derrota no primeiro turno. Dilma mostra musculatura para tornar isso possível, e este fato é mais que suficiente para propagar a insônia nos cardeais tucanos.

Serra, segundo a CNI/IBOPE, é a fogueira que queima no São João.

Por Charles Carmo