Gilberto Brito quer cultivo protegido e energia solar na agricultura familiar. Projeto cearense pode ser reproduzido na Bahia
É preciso reconhecer os méritos das boas proposições legislativas, cada vez mais raras, em um parlamento lamentavelmente desqualificado. Ao aplaudirmos o certo, vaiamos o errado. O aplauso é uma concordância, mas também uma forma de gratificação e estímulo às virtudes.
O deputado Gilberto Brito (PR) deu entrada em uma Indicação que pode fazer a Bahia seguir a experiência exitosa do Ceará em produção de energia limpa para uso na agricultura familiar. Trata-se do Projeto Cultivo Protegido e Energia Solar, uma iniciativa da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce) e Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Estado (SDA), em parceria com a Coordenadoria de Desenvolvimento da Agricultura Familiar e do Instituto Agropólos, que aposta em um sistema aonde a energia solar é que mantêm a irrigação, com uso de técnicas que racionalizam o uso da água e o cultivo dos alimentos.
Desde novembro de 2009 pequenos agricultores das comunidades de Lapara e Vaquejador, zona rural do município de Granja, Ceará, estão sendo beneficiados pelo Projeto Cultivo Protegido e Energia Solar. Eles estão produzindo alimentos de qualidade dentro dos procedimentos agroecológicos, utilizando energia renovável, garantindo segurança alimentar e melhoria de renda nas famílias.
Informações dadas por técnicos da Ematerce ao jornal Diário do Nordeste, citada em sua Indicação por Gilberto Brito, mostram que para garantir o cultivo no município cearense de Granja, foi feita irrigação a partir de uma base montada no Rio Coreaú, numa área de dois hectares, com nove placas voltadas para a captação de energia solar. O investimento foi de R$ 45 mil. O painel solar produz energia limpa, que aciona uma eletrobomba, adquirida com parte do recurso, pela qual a água é distribuída por gotejamento e pelo método conhecido como Santemo (imersão em suspensão), chegando até as plantações. Também foi construído um galpão coberto por tela (estufa) e uma caixa d´água.
Uma boa proposta foi parar nas mãos das secretarias de Agricultura e Integração Regional. Espera-se, para o bem de todos, que seja analisada a fundo.
A absorção e criação de tecnologias sociais na agricultura familiar, esteio da segurança alimentar de nosso povo, é questão estratégica para o desenvolvimento do Nordeste. Quem alimenta as bocas brasileiras é a agricultura familiar.
Por Charles Carmo


