Serra comprova: a ira é imperialista
Quando a cólera domina o homem, passa a controlar o seu corpo, seus gestos, sua feição, suas palavras, tudo. A ira é imperialista. Pergunto aqui: qual de vocês, leitores sensatos, não reconhece um rosto de um homem com ódio? Quem não detecta uma fala irada?
Não sou especialista no assunto, mais creio que o reconhecimento destes códigos corporais é uma herança atávica, importante para a sobrevivência dos indivíduos e as relações sociais dos grupos. Aprendemos a reconhecê-los e reagimos de acordo com cada um deles, cada código causando uma reação diferente.
Isto posto, imagino os brasileiros que passam a ouvir e assistir, a cada dia, as entrevistas do candidato José Serra. E passam a olhar bem no fundo de seus olhos. E abrem os ouvidos para as palavras que saem da sua boca e, não raro, para o desequilíbrio com que são ditas.
Cada vez mais freqüente, os ataques do candidato José Serra aos profissionais de imprensa misturam-se aos ataques ao PT e são filtrados pelas lentes dos eleitores e vão, ataque a ataque, aumentando a rejeição do tucano.
O brasileiro, na qualidade de membro permanente da espécie humana, sabe reconhecer um candidato desesperado. Gestos públicos de arrogância e descontrole emocional não contribuirão em nada para mudar o quadro eleitoral.
Serra, um homo politicus, deveria saber disso. E sabe, mas a ira é imperialista.
Por Charles Carmo
Este último vídeo é mais antigo, entretanto, é relevante exemplo de quando um político deveria ter calado a boca.


