terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Geddel: uma vítima de sua própria imaginação

Ilustração: Istoé

O quadro eleitoral baiano mostra que velhas suspeitas eram verdadeiras. A mais polêmica é aquela que diz que o sujeito que “compra”o ex-ministro Geddel pelo que ele diz que vale, faz mal negócio e sai no prejuízo. Geddel se “vende” muito mais caro do que vale.

Geddel, ao longo do governo Wagner era tido, por ele mesmo, como um dos responsáveis diretos pela vitória em 2006. No poder, mostrou-se ousado e aparentava certo gigantismo. Puro jogo de espelhos.

Sem ele, Wagner cresceu.

O rompimento deu ao governador a oportunidade de contar as reais garrafas de Geddel. E, pelo que as pesquisas indicam, estas somente são suficientes para rivalizar com Paulo Souto.

Geddel poderia ter sido um senador baiano, mas ele tinha pressa. É novo, talvez ainda venha a ser. Geddel acreditou em uma força que ele criou para si mesmo, chegando a crer que poderia até impor ao presidente o seu jogo, obrigando-o a criar uma exceção na Bahia e aceitar a candidatura, sem reação.

Deu-se o inverso e ancorado nas projeções de vitória de Wagner, ainda no primeiro turno, Lula foi à TV empenhar o seu apoio à Pinheiro, Lídice e Wagner. Só quem diz aonde ele pode ir ou não é sua esposa Marisa, diria mais tarde o presidente.

Agora, jogado no palco principal, Geddel sai menor do que entrou.

Eis aí o calo.

Ele não poderia sair menor do que entrou. Não pode sair. Este é o jogo de quem quer ser governador.

As garrafas de Geddel estarão à mostra. Perfiladas, cidade por cidade.

Geddel não terá a mesma força que, no primeiro governo de Wagner, o impulsionou ao ministério.

Mandato também não terá. Seu irmão ocupou o espaço que já foi dele e vai à Brasília, mas não com a mesma força que imaginara.

Geddel acreditou em uma história que ele mesmo criou.

Geddel é vítima de sua própria imaginação.

Por Charles Carmo