Hipócrita! Por Sérgio Guerra
Neste período do ano, junto com as festas, avaliações e projeções para os próximos tempos, a cada ano par, temos uma concentração midiática muito grande voltada para as especulações dos novos ou renovados governos em formação. Nada mais normal no calendário, pois assim como se costuma inventariar os acontecidos, também convém se preocupar com o futuro assumir compromissos, fazer promessas, jurar mudar comportamentos, etc.
Por outro lado, os vencedores das eleições precisam recompor suas forças, montar alianças pró-governabilidade, isolar adversários e nomear parceiros, enquanto os perdedores mergulham em silêncios e/ou conclamam o continuar da luta. Até aí tudo bem, lógico, normal e previsível, sem nenhuma grande novidade.
Ou alguém, em sã consciência, desconhece que política é a luta pelo poder, e a ocupação de cargos no Brasil, como em qualquer lugar do mundo, se faz por meio de uma matemática política, na qual votos e eleitos são computados como demonstração de força e avaliados pelo que conseguem agregar ao conjunto vitorioso, ou mesmo ao esvaziamento definitivo dos derrotados.
De novidade mesmo, esta eleição trouxe a hipocrisia, como arma, a calúnia como estratégia, e os seus exercícios como elemento fundamental do discurso político. Assim, de repente, todo mundo ficou contra o aborto, todos passaram a renegar o passado de lutas contra a ditadura e até mesmo a comungar e assistir, descaradamente, as missas e a invadir os rituais religiosos, sem grande compostura e em flagrante desrespeito aos fiéis honestos.
Neste festival de baixarias não faltaram sequer declarações falsas de bispos, panfletos apócrifos de igrejas, presos em flagrantes em gráficas semi-clandestinas, e até declarações do papa, de apoio/repúdio a candidaturas, espertamente usadas na boca de urna, merecendo este último, uma discussão a ser pautada sobre lições de responsabilidade social, política e democracia.
Tudo isto, culminando com a manobra grosseira e desesperada de manipulação de um possível atentado “terrorista”, em formato de um objeto contundente, cujo peso, a depender do público, oscilou entre algumas gramas e até 2 quilos, atingindo a cabeça do candidato Serra, só registrado, coincidentemente, em uma grande e famosa, especializada em manipulação de imagens, rede de televisão.
Felizmente, este episódio foi tão unanimemente repudiado, até pela grande mídia, que passou a compor o folclore eleitoral do Brasil, quiçá do mundo, como uma das mais infelizes e grosseiras farsas políticas. Sendo a primeira vez que uma bolinha de papel, ou bobina de fita adesiva, acabou por destruir, definitivamente, uma ainda forte, candidatura presidencial em uma grande nação do mundo.
PASSARINHAS
- Uma das piadas mais do folclore da bolinha foi atribuída ao médico que após analisar a tomografia do pretenso atingido candidato declarou solenemente, após recomendar imediato descanso:
“JOSÉ SERRA NÃO TEM NADA NA CABEÇA!”.
- Ao ouvir o candidato a vice-presidente de Serra pregando moralidade, um cidadão não se controlou e repetiu o velho ditado popular:
“LITERALMENTE É O “DEMO” PREGANDO QUARESMA!”.

