Uma sentença “de gosto duvidoso”: o caso da censura ao Blog do Gusmão
O juíz que determinou a retirada de postagens no Blog do Gusmão (do Google, em “cache”) afirma que elas são “de gosto duvidoso”.
Recomendamos ao douto juíz que, assim sendo, não leia o referido blog. É simples: não gosta, não lê.
Entretanto, isto não justifica a censura imposta.
Nunca vi tamanho estardalhaço por uma simples e mera “dedada”, politicamente incorreta, é verdade, mas legítima.
Emilio Gusmão postou movido pelo animus jocandi, ou seja, com a intenção de fazer graça sobre o episódio de exame de próstata.
Leia abaixo o que foi postado no Blog do Gusmão e censurado pela justiça em Ilhéus.
Por Charles Carmo
Em tempo: aperte aqui e ouça uma ameaça verdadeira à democracia. Trata-se do momento em que o autor da ação (censura)prometeu “pegar” o blogueiro na rua. O que prova que, mesmo fora de forma, Gusmão ainda desperta paixões.
Em tempo 2: a sentença é inócua. Gusmão cumpriu a sentença e retirou a matéria, mas ela ainda pode ser encontrada no Google. A internet não permite censura deste tipo. Tanto barulho por nada…
O VALENTÃO E A DEDADA
Foi-se o tempo em que os homens à beira da terceira idade resistiam munidos de preconceito ao exame do toque retal. Já está provado que o desconforto do procedimento médico não é nada diante dos males do câncer de próstata.
Recentemente, o secretário de serviços urbanos de Ilhéus, Carlos Freitas, notadamente um “macho” nervoso, antiquado e até mesmo refratário, foi submetido ao exame na Polícliníca da Rua Bento Berilo, depois de muita resistência.
Este blogueiro parabeniza Carlos Freitas por ter vencido suas barreiras morais e enfatiza que, caso a tecnologia não avance, quando chegar o momento certo e a idade recomendada, acatarei prudentemente a “necessária” dedada. Desde que o doutor não troque o dedo, não haverá problema algum.
ABC DO VALENTÃO
O secretário de serviços urbanos de Ilhéus, Carlos Freitas, costuma dizer que alguns blogueiros querem “imacular” sua imagem.
A afirmação, segundo o próprio, já indica que de “puro” ele não tem nada.
Freitas também inverte gêneros. Para ele, o documento público repleto de assinaturas, tem o nome de “abaixo-assinada” (sic).
Em solidariedade à língua portuguesa, vamos também auxiliar o limitado secretário.
O verbo “imacular” não existe, e sim, o adjetivo imaculada (o), que indica pureza, isenção de qualquer nódoa moral. A “imaculada Maria”, termo normalmente utilizado para ilustrar a virgindade da “Mãe de Jesus”.
Sendo assim, o certo seria o emprego do verbo macular, que significa pôr mancha, enodar, poluir, sujar.
Abaixo-assinado é um substantivo masculino, portanto, “abaixo-assinada” faz parte da “pornogorréia”, ou seja, do dicionário Freitas da inculta e asinina linguagem do baba.
Essas aulinhas terão continuidade, à medida que a gramática for ofendida.
Data: 16 de março de 2011, 12:36
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