Vereadora Leninha abre o jogo sobre a sucessão em Valente
O Recôncavo – Como a senhora avalia o quadro sucessório em Valente?
Leninha - Bom, quero primeiro dizer que fui surpreendida com a matéria que sugere o meu nome como pré-candidata. Lembro que recebi o seu telefonema dizendo que tem ouvido nas rodas políticas de Salvador e do interior da Bahia que eu deveria ser a candidata a prefeita de Valente. Você também disse que as pessoas se referiam ao meu trabalho, com iniciativas regionais e muitas vezes até interinstitucionais trazendo para região ministérios, secretarias etc. Sobre o quadro sucessório do município em 2012, penso que as coisas estão andando com muita cautela. É evidente a movimentação política, por parte do grupo de Nenenzinho e o seu afilhado político prefeito Ubaldino Amaral, para construir primeiro uma “unidade” política entre eles, porque tem havido certa divergência no grupo, bastante evidente na última eleição. Embora não seja a ponto de desfazer o grupo. É natural haver discordâncias, desentendimentos. Por outro lado, também bastante evidente – com gente participando do governo, a aproximação dos grupos do PMDB local, liderado pelo ex-secretário da prefeitura de Salvador Fábio Mota, e Ubaldino Amaral. Por que esse fato político é importante, no meu modo de pensar? O atual prefeito já tem dois mandados e tentará fazer o seu sucessor no comando político da cidade. A questão é quem será? Vejo duas hipóteses diante do cenário político que tá ai. Um desenho de chapa puro sangue, como se diz, com gente do próprio grupo político. Outra possibilidade, pelo que vem acontecendo concretamente, será uma chapa representando uma aliança política de grupos, nesse caso com o PMDB. Faço essa reflexão, claro, com base na realidade política do dia a dia, junto às comunidades, com o povo na feira livre, no comércio, na rua. Todo mundo já começa a especular os nomes que certamente estão sendo discutidos nos bastidores e, volta e meia, acaba me perguntando se será mesmo fulano ou beltrano: Zénobio Cedraz, Dr. Gelson, Marcos Adriano. Tudo isso seguido de comentários, obviamente, a favor ou contra um ou outro, conforme a simpatia política. Mas uma coisa, ao contrário de outros momentos, tem chamado a minha atenção. São os muitos comentários contraditórios falando da dificuldade de nomes no grupo para disputar a sucessão e, ao mesmo tempo, dizendo da dificuldade que a candidatura do PT e os possíveis aliados terão dessa vez, digo em 2012. Talvez por conta desse processo de aproximação do grupo Nenenzinho/Ubaldino com os Mota do PMDB rumo a uma possível aliança. No caso do PT, a segunda força política municipal para encabeçar uma candidatura de oposição, o processo político é diferente. Embora sejamos a segunda e principal força da cidade, essa discussão se faz de forma democrática, ouvindo primeiro os militantes do partido e com amplo diálogo com os demais partidos do campo político progressista. Também outros partidos que queiram construir uma mudança. Esse diálogo, claro, é mais lento, porque necessário. No PT posso assegurar que esse processo é muito tranqüilo, porque apesar do nome já trabalhado de Ismael (foi por duas vezes candidato), há outros nomes também capazes que desde 1989 vem construindo o partido, a exemplo do companheiro Ranúsio do Sicoob-Coopere que tem se revelado um excelente gestor, com clara visão de desenvolvimento regional, expandido a cooperativa de crédito rural de Valente, em parceria com os movimentos sociais, para Retirolândia, Conceição de Coité, Nova Fátima, Gavião, Capim Grosso, Quixabeira, Tucano e Euclides da Cunha.
O Recôncavo - E a atuação do prefeito? Como a senhora avalia esta gestão?
Leninha - É um governo com pouca inteligência política. Apesar de todas as oportunidades criadas pelos governos Lula e Wagner, de apoio aos municípios que demonstrassem capacidade de gestão pública. O que não aconteceu até aqui. Por conta disso, a população valentense tem sido prejudicada, devido à falta de propostas voltadas para melhoria das condições de vida do povo. O prefeito tem demonstrado pouco compromisso com a população da zona rural, porque as estradas continuam sem condições de trafegar, os tanques e açudes sem limpeza. Há muitas comunidades ainda sem iluminação pública, apesar do alto investimento do programa Luz para Todos, porque a prefeitura sequer tem colocado os braços de luz nos postes. Na saúde nem se fala. São muitas as queixas do povo com a falta de atendimento, de transporte para condução dos doentes. E do meio do ano passado pra cá, uma descoberta perigosa, diria mesmo que criminosa. Pelo menos 11 falsos médicos foram contratados pela prefeitura e atendiam no hospital José Mota Araújo. Os conselheiros da sociedade civil no Conselho Municipais de Saúde não aprovaram a prestação de contas dos anos 2008 e 2009 pela falta de comprovantes de autorização das despesas com transporte e alimentação – os valores são bastante altos. As contas públicas do exercício de 2008 foram rejeitadas pelo Tribunal de Contas dos Municípios por apontar irregularidades da ordem de mais de 03 milhões de reais. Apresentamos requerimento no ano passado para votação do parecer do TCM, mas maioria dos vereadores que compõe o Poder Legislativo não apoiaram. A Oposição possui 04 vereadores, mas só o nosso mandato tem publicamente e na Casa defendido a votação, denunciando a “omissão” dos demais parlamentares. Publicamos artigo com essa questão com a intenção de provocar a adoção de medida pelo Ministério Público, mas até hoje nada. Os radialistas Cleber e Tony Sampaio, do programa radio Comunidades da Valente FM, também têm denunciado o fato, cobrando providências. Na habitação, por exemplo, foram construídas 200 casas populares em convênio com a Caixa Econômica Federal, mas as casas estão com problemas. A baixa qualidade da obra juntamente com outras irregularidades apontadas em relatório de inspeção da Comissão de Obras e Serviços Públicos da Câmara de Vereadores foi denunciada varias vezes pelos moradores.
O Recôncavo - A senhora é pré-candidata do PT à prefeitura de Valente?
Leninha - Essa pergunta parece brincadeira, embora cada vez mais comum. Primeiro fora de Valente, e, de uns tempos para cá, também no município. As pessoas estão me perguntando: “Leninha, por que você não é a nossa candidata?”, ou, “Leninha, a candidata vai ser você?”. Há ainda um terceiro discurso: “Leninha, a nossa futura prefeita”. Fiquei pensando. Se fosse de gente do próprio PT ou ligado aos adversários, seria o chamado fogo amigo, para criar uma situação de tensão interna no partido. Mas não, porque tem sido sempre de gente simples, mulheres e homens trabalhadores. Então fiquei me perguntando, o porquê das questões? Isso está acontecendo por conta da minha atuação política como vereadora, lutando intransigentemente pelos interesses do povo e da cidade. Pela minha forma de fazer política com diálogo, seriedade, sem picuinha política, sendo uma Oposição responsável como ensina o meu partido – crítica e também propositiva, indicando pra sociedade novos caminhos. Por debater democraticamente as coisas, criticando o que de fato é errado, no meu modo ético e político de ver as coisas, e isso doa a quem doer. Aprendi na minha vida politica sindical e partidária que certo é certo em qualquer lugar, e o errado também. Discurso e prática têm que andar juntos. É isso que entendo como ética. Do contrário, apenas demagogia, apenas discurso, como se diz. Palavras da boca pra fora, sem valor político, moral. Não posso criticar o que é errado, fazendo igual. Procuro sempre ser coerente, pra ter uma consciência tranqüila, de dever cumprido com respeito à dignidade das pessoas. Tem gente que gosta e acredita no nosso trabalho. E talvez seja por essa razão. Tenho afirmado publicamente que a minha preocupação é honrar o mandato popular que recebi de parte do povo de Valente e seguir dando continuidade ao trabalho diferente que vem sendo desenvolvido. Contribuindo para as pessoas entenderem a importância de ter pessoas comprometidas nos espaços de decisão política. Esse o nosso esforço.
O Recôncavo - Quando e como o PT vai decidir o seu candidato à prefeitura de Valente?
Leninha – Quando em política não é fácil dizer, embora exista o prazo legal para tomar a decisão e isso é para todos os partidos. No nosso caso haverá dois momentos – interno e externo. Um interno para definição de estratégia, escolha de nome e de coordenação política do partido. Outro externo, de diálogo com os partidos progressistas para debater aliança. Isso tudo como de costume, com muita rodada de debate, de forma democrática, respeitando a sua pluralidade política.
Data: 20 de março de 2011, 12:55
Categorias: Entrevistas, Geral, Política

