Justiça decide que espada é arma de fogo e confirma a proibição. Decisão devolve o São João à maioria da população

Quem resolver “tocar” espadas no São João pode ser preso. O entendimento da justiça, confirmado nesta quarta-feira (22/06) é de que as espadas são armas de fogo e o seu uso está terminantemente proibido em Cruz das Almas.
A justiça devolveu desta forma, o São João aos não espadeiros, vítimas indefesas de uma minoria que, ao seu bel prazer, impunha à maioria dos cidadãos um estado de sítio, ou se preferirmos, o cárcere privado, muitas vezes, com conseqüências trágicas.
A ninguém é dado o direto de, sob o pretexto de manter a tradição, colocar a vida e a saúde de outras pessoas em risco. Este é um ponto fundamental que não pode ser ignorado. E não foi.
A atitude do judiciário é louvável e restabelece a primazia da lei e a defesa da vida.
O São João de Cruz das Almas pode, a partir de agora, ser revigorado em suas tradições mais profícuas e saudáveis: o velho e bom São João, de casa em casa, confraternizando com os vizinhos, aonde as pessoas podem transitar sem medo de serem gravemente feridas ou mortas.
Quem no fundo acabou com a guerra de espadas foram alguns espadeiros que atuavam sem qualquer limite. Muitas vezes estes espadeiros eram pessoas que faziam aqui o que não podiam fazer em suas cidades, como se em Cruz das Almas a vida valesse menos do que em outros lugares ou como se em nossa cidade a destruição do patrimônio alheio fosse, simplesmente, uma tradição. Quem se ferisse ou tivesse um carro ou a casa danificada deveria, segundo a lógica então dominante, se resignar diante da ditadura da minoria. Portanto, antes de se jogar pedra no judiciário é preciso que os próprios espadeiros façam uma reflexão sobre uma série de abusos cometidos nos últimos anos.
O São João de Cruz das Almas e o comércio da cidade ganham com a medida, uma vez que, ao contrário do que muitas vezes se afirma, a guerra de espadas afugenta os turistas, sobretudo aqueles que consomem mais, geralmente de faixa etária maior e com maior poder aquisitivo.
Por Charles Carmo

