sexta-feira, 18 de maio de 2012

Arquivos do dia » 27, fevereiro 2012

Ita-maremoto e a dimensão econômica do discurso político. Por Ubiracy de Souza Braga

Ubiracy de Souza Braga é Sociólogo (UFF), Cientista Político (UFRJ), Doutor em Ciências junto à Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), além de Professor Associado da Coordenação do curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Ceará (UECE).


A gente só diz sim ou não no casamento e, ainda assim, às vezes erra” (Itamar Franco, 08.06.2008).

O termo discurso pode também ser definido do ponto de vista lógico. Quando pretendemos significar algo a outro é porque temos a intenção de lhe transmitir um conjunto de informações coerentes – essa coerência é uma condição essencial para que o discurso seja entendido. São as mesmas regras gramaticais utilizadas para dar uma estrutura compreensível ao discurso que simultaneamente funcionam com regras lógicas para estruturar o pensamento. Um discurso político, por exemplo, tem uma estrutura e finalidade muito diferente do discurso econômico, mas politicamente pode operar a dimensão econômica produzindo efeitos sociais específicos em termos de persuasão.

Vale a pena recordar que o fator que projetou Fernando Henrique Cardoso (1971; 1973; 1975; 1994; 2006; 20090 para o primeiro plano da política brasileira não foi a robustez, mas, ao contrário, a extrema debilidade do interregno Itamar Franco, quando este ascendeu à Presidência após o impeachment de Fernando Collor. Zélia foi a primeira e única mulher a ocupar o cargo de ministra da Fazenda, empossada em 15 de março de 1990 na posse do primo Fernando Collor na Presidência e deixou o ministério em 10 de maio de 1991.  Zélia Maria Cardoso de Mello  foi a primeira e única mulher a ocupar o cargo de ministra da Fazenda, empossada em 15 de março de 1990 na posse do primo Fernando Collor na Presidência e deixou o ministério em 10 de maio de 1991. Zélia foi a mentora intelectual do Plano Collor, adotado pelo então presidente Collor

Respeitado por sua integridade pessoal, mas aparentemente desorientado quanto aos rumos que deveria seguir na economia, Itamar nomeou Fernando Henrique para o Ministério da Fazenda. Ao fazê-lo, estabeleceu, na prática, um interlúdio parlamentarista, com Fernando Henrique no papel de primeiro-ministro. Filho desse interlúdio, o Plano Real se tornaria o grande cabo eleitoral de Fernando Henrique Cardoso, cuja candidatura

presidencial exorcizou em poucas semanas os temores de “turbulência” financeira e política então associados à hipótese de Luís Inácio Lula da Silva e o PT – Partido dos Trabalhadores virem a controlar o governo federal. Leia mais »


Marx e a Análise Política da Formação da classe média na Europa. Por Ubiracy de Souza Braga

Ubiracy de Souza Braga é Sociólogo (UFF), Cientista Político (UFRJ), Doutor em Ciências junto à Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), além de Professor Associado da Coordenação do curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

Não é este corpo que pode ser habitado por uma consciência”. Merleau-Ponty (2006: 470).

Como na vida privada se diferencia o que um homem pensa e diz de si mesmo do que é e faz, nas lutas históricas devem-se distinguir mais ainda as fases e as fantasias de sua formação real e de seus interesses reais, ou o conceito que fazem “para si” (Hegel) do que são na realidade (Marx). Pretendemos precisar a noção conceptual de classe média na história mundial contemporânea. Na medida em que nos últimos 150 anos, milhões de famílias camponesas vivem em condições que as separam umas das outras entre países e nações e opõem o seu modo de vida, os seus interesses e sua cultura aos das outras classes da sociedade, estes milhões constituem uma classe, a classe média. Mas na medida em que existe entre os pequenos camponeses apenas uma ligação local e em que a similitude de seus interesses não cria entre eles comunidade alguma, ligação nacional alguma, nem organização política, nessa exata medida não constituem uma classe e sim a chamada classe média. A tese que defendemos é que “não é este corpo que pode ser habitado como consciência”. A antítese se dá com a formação da classe média.

Ipso facto, são incapazes de fazer valer seu interesse de classe (cf. Weber, 1958; 1992; Lukács, 1960; 1975; cf. Mészáros, 1973) em seu próprio nome, quer através do Parlamento (voto), quer através de uma weltanschauung. Não podem representar-se, têm que ser representados. Seu representante tem ao mesmo tempo em que aparecer como seu senhor, como autoridade sobre eles, como um poder governamental ilimitado que os protege das demais classes. A influência política desta classe, portanto, encontra sua expressão final no fato de que o poder executivo submete ao seu domínio à sociedade. A tradição histórica “originou nos camponeses a crença no milagre de que um homem restituiria a eles toda a glória passada”. Este homem depois de vinte anos de vagabundagem se fez passar pelo nome de Napoleão, em virtude do Code Napoléon que estabelece: “La recherche de la paternité est interdite”.

Esta “proibição de investigação da paternidade” tornou-se ideia fixa da classe média e realizou-se porque a classe média “era a mais numerosa do povo francês” (cf. Marx, 1978).  Mas é preciso que fique claro a perseguição de camponeses por “motivos demagógicos”: a dinastia de Bonaparte representa não o camponês revolucionário, mas o conservador; não o camponês que luta para escapar às condições de sua existência social, a pequena propriedade, mas antes o camponês que quer consolidar a sua propriedade; não a população rural que, ligada à das cidades, quer derrubar a velha ordem de coisas por meio de seus próprios esforços, mas, pelo contrário, aqueles que, presos por essa velha ordem em um isolamento embrutecedor, querem ver-se a si próprios e suas propriedades salvos e beneficiados pelo fantasma do Império. Salve a “classe média”!

Depois que a primeira revolução transformara os camponeses de seu estado de semi-servidão  em proprietários livres, Napoleão confirmou e regulamentou as condições sob as quais podiam dedicar-se à exploração do solo francês que acabava de lhes ser distribuído e saciar sua ânsia juvenil de propriedade. Mas o que, agora, provoca a ruína do camponês francês é precisamente a própria pequena propriedade, a divisão da terra, a forma de propriedade que Napoleão consolidou na França; justamente as condições materiais que transformaram o camponês feudal em camponês proprietário, e Napoleão em imperador. Contudo, duas gerações bastaram para produzir o resultado inevitável: o arruinamento progressivo da agricultura, o endividamento progressivo do agricultor. A forma “napoleônica” de propriedade, que no princípio do século dezenove constituía a condição para a libertação e enriquecimento do camponês francês, desenvolveu-se no decorrer desse século na lei do seu escravizamento e pauperização. Leia mais »


Debate de buteco: Pelé x Maradona

Clique na imagem para ampliar.

Esta fotografia me foi enviada por um amigo, via e-mail. Não conhecemos o autor da fotografia, mas sabemos de antemão que se trata de um observador atento da cultura popular.

Resta a pergunta aos internautas: aonde fica este buteco?

Por Charles Carmo

 

 


São Félix: Comemorações do 2 de Julho são realizadas com cortejo cívico e solenidade

Por Toni Caldas, no A Cachoeira
27492-712306

Durante a tarde de ontem, na cidade de São Félix o marco histórico da Independência da Bahia foi celebrando com atividades que atraíram um grande público ao centro da cidade. As atividades tiveram início com a sessão solene na Câmara Municipal de Vereadores, com a presença de autoridades dos poderes judiciário, legislativo e executivo e cidadãos sanfelistas.

Também estiveram presentes representantes eclesiásticos, das prefeituras e câmaras de vereadores de cidades circunvizinhas como Cachoeira, Maragojipe e Muritiba, além da representância da senadora Lídice da Matta, cachoeirana e autora do projeto que inclui no calendário oficial da Bahia, o 25 de junho, data áurea da Independência do Brasil.

Na ocasião o senhor Francisco Matias, conhecido como Dudu Matias, ex-vereador por dois mandatos e ex-prefeito substituto durante a gestão de Oscar Souza, foi homenageado. Com emoção, aos 92 anos, ele apresentou sua satisfação e alegria pelo reconhecimento em um discurso emocionado, e foi aplaudido de pé por todos os presentes. Além da memória aos antepassados, entoada no hino sanfelista, registrou-se com o ato de um minuto de silêncio a morte do ex-presidente Itamar Franco. Leia mais »


A morte do Presidente Itamar, os 80 anos de FHC e a imprensa

Por Emílio Gusmão no Do Blog do Gusmão

O primeiro presidente a despertar a atenção deste blogueiro, quando menino, foi o general João Figueiredo (1979 a 1985), derradeiro do regime militar. Encerrou seu período com todo o peso do fracasso da ditadura em suas costas.

Com José Sarney (1985 a 1990), o primeiro presidente civil após 21 anos dos milicos, não foi muito diferente. Deixou o Palácio do Planalto certo de ser fragorosamente vaiado, após descer a rampa. O contentamento de vê-lo deixar o poder sufocou os gritos de um final ainda mais melancólico.

Fernando Collor (1990 a 1992) colocou a democracia em risco. Fracasso econômico, confisco nas contas bancárias, falência do cinema nacional (fim da Embrafilme), redução do poder aquisitivo dos aposentados (negou o reajuste de 147%), impeachment e por pouco suicídio (Brizola o aconselhou a não seguir o exemplo de Vargas).

Este blogueiro sempre foi um admirador de Leonel Brizola, um nacionalista-trabalhista, maior construtor de escolas da nossa história. Também fui petista, e assim como muitos, acreditava piamente no Plano Real como um golpe para vencer as eleições de 1994. A teoria conspiratória, formulada por Brizola, recebeu a aceitação dos trabalhadores. Vale lembrar a chapa Lula (presidente), Brizola (vice) nas eleições daquele ano. Leia mais »