Vereadores de São Paulo aprovam “Dia do Orgulho Heterossexual”
O festival de obscurantismo continua. Agora é a Câmara de Vereadores de São Paulo que faz a alegria dos colecionadores de idiotices. Trata-se do “Dia do Orgulho Heterossexual”, mais uma iniciativa ultraconservadora que busca se contrapor ao “Dia do Orgulho Gay”.
A questão agora é saber quantos gays não declarados participarão da marcha do vereador Carlos Apolinário (DEM).
Por Charles Carmo
Com apoio da bancada evangélica, o projeto de lei do vereador Carlos Apolinário (DEM) que cria o “Dia do Orgulho Heterossexual” foi aprovado pela Câmara de São Paulo nesta terça-feira (2). O projeto – aprovado em votação simbólica – ainda precisa ser sancionado pelo prefeito Gilberto Kassab para virar lei.
Dos 39 vereadores em plenário, 20 votaram contra o Dia Hetero. Porém, como a votação foi simbólica, e não nominal, o projeto foi aprovado.
Se Kassab sancionar o projeto de lei 294/2005, a data será “comemorada” no terceiro domingo de dezembro. Coincidência ou não, período natalino. O texto estabelece que caberá à prefeitura paulistana “conscientizar e estimular a população a resguardar a moral e os bons costumes”.
O projeto causou polêmica dias antes da Parada Gay e chegou a travar a pauta da Câmara no fim de junho, quando o autor do projeto prometeu barrar as votações caso o texto não entrasse para votação.
Apolinário afirmou que o projeto não é contra os gays, e sim uma forma de se manifestar contra os “excessos e privilégios” destinados à comunidade homossexual, como a realização da Parada LGBT na Avenida Paulista, enquanto a Marcha para Jesus foi deslocada para outro ponto da capital paulista.
Ítalo Cardoso (PT) rebateu os argumentos de Apolinário e afirmou que a Parada LGBT não é privilégio e que os gays não podem ser responsabilizados pela mudança de local da Marcha para Jesus.

