Dilma, Lula, Wagner e a retomada do pacto federativo na educação superior
A Bahia, historicamente, fez a opção por arcar com as despesas do ensino público superior. Enquanto a maioria absoluta dos estados brasileiros dividiu os custos dos investimentos na educação pública superior, nosso estado apostou em arcar sozinho estes investimentos. Exceto São Paulo, o mais rico da federação, os demais estados ratearam com a federação a manutenção de universidades federais inseridas em seus territórios.
Na Bahia, de elites longevas, apostou-se na edificação de uma rede de universidades estaduais, mantidas com recursos próprios.
Que não se diga que esta constatação desmerece o importante papel desempenhado pelas universidades estaduais, pois não se trata disso. O buraco é mais embaixo. Ao contrário do que se possa imaginar, a ampliação da rede federal de universidades federais públicas na Bahia é benéfica para todos os segmentos da educação, inclusive para as universidades estaduais. Afinal, se mantivéssemos a ampliação da rede estadual de ensino superior, o dinheiro para manter as hipotéticas novas universidades estaduais sairia de que bolo? E a rede de educação básica não teria que compartilhar estes mesmo recursos, embora em fontes diferentes? Portanto, a defesa da ampliação da rede federal de ensino superior, ao contrário de ser antagônica à necessária valorização das universidades estaduais, de interesse de todos, corrobora para a viabilização financeira de investimentos nestas instituições. Investimentos que todos devemos cobrar.
Lembremo-nos: a demanda por vagas em instituições públicas de ensino crescerá sempre. A questão é saber quem pagará por esta conta, se o Estado da Bahia sozinho, ou se este mesmo estado dividirá a conta com a Federação.
O fato é que enquanto Minas Gerais possui onze universidades federais, há bem pouco tempo atrás a Bahia só tinha uma, a gloriosa UFBA.
Hoje, a Bahia tem a UFBA, a UFRB e a UNIVASF, que divide com Pernambuco e Piauí.
O que mudou? Mudou a política.
A eleição de Lula, Wagner e Dilma foi o ponto de inflexão para a ampliação de nossa rede federal de ensino superior. Lula entrou para a história como o presidente que mais construiu universidades e institutos federais de educação, ciência e tecnologia (antigas escolas técnicas). Wagner, por sua vez, entra para a história da Bahia como o governador que brigou, sem fazer estardalhaço público, para que estas universidades se instalassem na Bahia. O fez antes mesmo de ser eleito governador e, agora, o faz com maior ênfase.
No final de 2009, no escritório do governo da Bahia em Brasília, o reitor da UFRB, Paulo Gabriel Nacif, teve um encontro de quase uma hora com o governador Jaques Wagner e deputados da bancada baiana. Neste encontro o reitor apresentou ao governador os números que apontavam para a necessidade de uma rápida ampliação de vagas em universidades federais na Bahia. O governador ficou impressionado com os dados apresentados e tomou para si a tarefa, assumida publicamente durante a campanha eleitoral. Evidentemente que este convencimento não ocorreu somente devido a esta reunião. A sociedade organizada fez o seu papel, e pressionou o executivo. Entretanto, a reunião ocorreu e contribuiu para este processo. Quem se lembrar da campanha eleitoral perceberá o quanto o assunto foi pautado pelos candidatos Wagner, Pinheiro e Lídice da Mata.
Agora a presidenta Dilma Rousseff deve anunciar a criação de mais duas universidades federais na Bahia: a Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOBA) e Universidade Federal do Sul da Bahia (UFESBA). Wagner tinha entrado em ação mais uma vez.
Dá-se também como certo o convite à UFRB para que aceite implantar um campus em Feira de Santana e à UFBA para que esta faça o mesmo em Camaçari. Além disso, o município de São Francisco do Conde deverá ganhar um campus da Universidade da Integração Internacional Luso-Afro Brasileira (Unilab), que tem a sua sede no Ceará.
A Bahia resolveu finalmente exigir a retomada do pacto federativo, desta vez no ensino público federal.
Sentirão os meus amigos do Sul e do Oeste o grande impacto que estas universidades terão na economia e na cultura destas regiões. A federal do Recôncavo é uma prova inconteste do sucesso da política de interiorização do ensino público superior.
A criação destas novas universidades é o principal legado que os governos de Lula, Dilma e Wagner deixam para gerações do presente e do futuro.
E que se diga: ainda é pouco. Que venha a federal do Sertão, da Chapada Diamantina, do Piemonte do Paraguaçu etc.
A Bahia merece e, agora, aprendeu a cobrar o que lhe é de direito.
Por Charles Carmo


