Egípcios convocam “marcha dos milhões” no quarto dia de protestos contra militares
Por Marina Terra no Opera Mundi
Em uma fase crítica, a revolução egípcia inicia nesta terça-feira (22/11) uma mobilização que promete reunir mais de um milhão de pessoas ao redor do país. A “marcha dos milhões”, como está sendo chamada a manifestação, promete incrementar a oposição ao governo da Junta Militar, no poder desde a queda de Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro.
Pelo menos 33 pessoas morreram e 1,8 mil ficaram feridas em decorrênciia da brutalidade da polícia contra os manifestantes, que exigem a saída do Conselho Supremo das Forças Armadas. Os protestos se concentram na célebre Praça Tahrir – que virou símbolo de revoltas. No local estão programados vários atos para esta tarde.
Ao longo dos últimos quatro dias, as forças de segurança usaram balas de borracha, gás lacrimogêneo e golpes de cacetetes contra os manifestantes. Há relatos do uso de munição letal.
Na segunda-feira (21/11), o governo interino ofereceu a sua renúncia, mas a junta militar ainda não decidiu se aceita ou não. A Irmandade Muçulmana do Egito, a mais organizada força política do país, anunciou que não vai participar da manifestação hoje na Praça Tahrir. O Partido da Liberdade e da Justiça, da Irmandade Muçulmana, informou em comunicado que a decisão foi tomada para evitar “novos confrontos sangrentos” na região.
O marechal Hussein Tantaoui, fiel aliado de Mubarak e e, na prática, atual ditador do país, afirmou que as eleições gerais no Egito, marcadas para 28 de novembro, continuam de pé. Em fevereiro, Tantaoui reconheceu a “soberania popular” e disse que permaneceria por somente 6 meses no poder.
Mais do mesmo
A Anistia Internacional acusou os militares de não terem cumprido as promessas de melhorar a situação dos direitos humanos no país e de serem responsáveis por abusos que, em alguns casos, superam os da era Mubarak. Em comunicado divulgado em Londres, a organização critica o que classifica como “lamentável desempenho” do Conselho Supremo das Forças Armadas.
O diretor interino da AI para o Oriente Médio e Norte da África, Philip Luther, assinala que o conselho se usou de repressão ao utilizar tribunais militares para julgar milhares de civis, algo que contraria o que os cidadãos egípcios tanto lutaram durante as manifestações populares de janeiro.
“Os que desafiaram ou criticaram o conselho militar, como manifestantes, jornalistas, blogueiros e trabalhadores em greve, foram reprimidos de maneira impiedosa com a tentativa de silenciar suas opiniões”, afirmou Luther. ”A resposta brutal e de mão de ferro diante dos protestos dos últimos dias levam toda a marca da era Mubarak.”

