Dilma anuncia Mercadante na Educação e abre reforma ministerial
Por André Barrocal na Carta Maior
BRASÍLIA – Às vésperas da primeira reunião ministerial do ano, a presidenta Dilma Rousseff deu início, nesta quarta-feira (18), a mudanças que fará na equipe para trocar políticos que vão disputar prefeituras em outubro e para resolver pendências com partidos aliados. A reforma começa por um dos mais importantes ministérios da área social. Fernando Haddad, que quer ser prefeito de São Paulo, será substituído na Educação pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante.
A mudança altera um pouco o jogo de poder entre os partidos aliados no primeiro escalão de Dilma. Mercadante é do PT, como Haddad, e portanto os petistas mantêm o controle da Educação. Mas, para o lugar dele na Ciência e Tecnologia, Dilma decidiu nomear o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antônio Raupp, que não é filiado a partidos e é considerado um técnico. Saldo final: o PT o perde um ministério.
Outra alteração dada como certa na equipe de Dilma também tem o PT como protagonista, mas envolve uma daquelas pastas que não interessam muito aos partidos aliados do governo, pois é mais política do que orçamentária. A ministra da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, Iriny Lopes, vai dusputar a prefeitura de Vitória (ES) e igualmente deixará o cargo, o que pela legislação tem de ocorrer até seis meses antes da eleição de outubro (até abril, portanto).
O único caso de prefeiturável que pode levar Dilma a mexer na equipe é do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, que conseguir resistir a denúncias de bairrismo e paternalismo na gestão das verbas da pasta e só deve sair se o padrinho, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, decidir bancá-lo como candidato do PSB, partido de ambos, a alguma prefeitura no estado.
Por pendências políticas com aliados, Dilma ainda tem de resolver o que fará nos ministérios do Trabalho, das Cidades e dos Transportes. Nos três casos, os partidos dos ministros não consideram que eles, ministros, representatem de fato as legendas.
No Trabalho, Paulo Roberto Pinho, que era secretário-executivo, herdou o cargo com a saída, por denúncia de corrupção, de Carlos Lupi. O PDT, partido de ambos, ainda sonha com a indicação de um pedetista com mais peso político. Na última divulgação de dados sobre criação de emprego no país, situação que, hoje, ajuda o ministro do Trabalho a tirar proveito político de resultados positivos, Pinho preferiu divulgar pela internet, em vez de dar entrevista coletiva.
Nas Cidades, o ministro Mario Negromonte há tempos está em pé de guerra com o bancada de deputados do partido dele, o PP. Dilma precisa calcular o que é melhor: segurar o auxiliar ou atender aos deputados pepistas. E, se atender, achar o melhor nome para o cargo.
Nos Transportes, Paulo Sérgio Passos é um nome filiado a um partido, o PR, mas foi escolhido pessoalmente por Dilma para fazer a “faxina” na pasta, quando a imprensa denunciou a existência de um esquema de desvio de recursos da pasta pelo ministro da época, Alfredo Nascimento. O PR é presidido por Nascimento, que voltou a ser senador, e depois da demissão decidiu se “declarar” independente do governo, mas, nos bastidores, está doido para voltar a ser “governo”. Porém quer ter o poder de indicar um ministro. Dilma resiste à pretensão.
A posse de Mercadante na Educação está marcada para a próxima terça-feira (24), um dia depois da primeira reunião ministerial que Dilma fará com a equipe. Na reunião, a presidenta vai dizer aos comandados o que espera deles em 2012 e vai discutir a possibilidade de serem feitos cortes pesados no orçamento aprovado pelo Congresso. O “mercado” pressiona por uma tesourada e R$ 60 bilhões, mais do que o arrocho de R$ 50 bilhões feito em 2011.
Data: 19 de janeiro de 2012, 02:01
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