CUBA, MÍDIA E HIPOCRISIA
Editorial da Carta Maior
“A Folha de hoje dedica meia página da Ilustrada a entrevista com ilustre escritora cubana desconhecida. Sem piscar, nem engasgar, lá pelas tantas, Zoé Valdés, que vive em Paris, afirma que o regime de Fulgência Batista era mil anos luz melhor que o de Fidel Castro. Na ’totalitária’ Cuba uma Comissão de Direitos Humanos convocou ontem uma coletiva de imprensa internacional, livremente realizada (será que na sempre poupada Arábia Saudita isso seria possível?). Colocou à disposição dos jornalistas a viúva de um suposto dissidente que morreu após greve de fome. O motivo original da prisão, reconhecido pela viúva, não foi político, mas uma briga de casal, que levou sua mãe a pedir socorro aos vizinhos e estes à polícia. Nota da União Patriótica Cubana, de oposição, admite que o ’estreitamento de laços’ do suposto dissidente com a UPC só teria ocorrido após a prisão. No mínimo nebuloso, este é o caso em torno do qual a mídia demotucana tentou transformar a visita oficial da Presidenta Dilma a Havana num constrangimento diplomático. O jornal O Globo, como se sabe, um veículo de impoluta militancia democrática, reclama, na sua edicação de hoje, que a entrevista coletiva da viúva teve também a participação da imprensa oficial cubana, cujas perguntas provocaram, digamos assim,algum ruído na narrativa conservadora do caso. Carta Maior defende a democracia em todas as latitudes e considera incompatível o socialismo sem soberania popular, mas não compactua com a hipocrisia midiática que subestima a inteligência do leitor e menospreza a História”.
Data: 31 de janeiro de 2012, 11:07
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