quinta-feira, 11 de março de 2010

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Notas introdutórias aos Manuscritos Econômico-Filosóficos de 1844

Clodoaldo Almeida da Paixão é Professor-Assistente do DCHF/Uefs, Mestre em Sociologia (Ufpb) e Doutorando em Família na Sociedade Contemporânea (Ucsal).

Os manuscritos econômico-filosóficos foram escritos quando Marx tinha apenas 26 anos de idade, embora já Doutor em Filosofia. Nele se encontra, por assim dizer, um esboço teórico da critica à Economia Política que só posteriormente, no Capital, considerada a sua obra de maior profundidade teórico-metodológica, se verificará “completamente” desenvolvida.

Um aspecto fundamental e que deve ser bastante acentuado nessa obra inconclusa de 1844 é a importância epistemológica operada pelo autor, qual seja, a de já nesse momento fundir no processo de análise dos problemas teóricos, Filosofia e Economia ou, como se queira, Economia Política e Filosofia. E, nesse sentido, embora bastante evidenciado a influência que recebera dos grandes expoentes de cada esfera do conhecimento, de um lado, da Economia Política, por Smith e Ricardo, e, do outro, pela Filosofia de Feuerbach e Hegel, diferencia-se desses de forma crítica e transcende-os teoricamente. Leia mais »


A luz no fim do túnel

Do Granma:


Repórteres no pelourinho. Por Leandro Fortes


Do Brasília, eu vi

A direção da Folha de S.Paulo, simplesmente, autorizou a um elemento estranho à redação (mas não aos diretores), o sociólogo Demétrio Magnoli, a chamar de “delinquentes” dois repórteres do jornal, autores de matéria sobre a singular visão do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) da miscigenação racial no Brasil. Vocês, não sei, mas eu nunca vi isso na minha vida, nesses 24 anos de profissão. Nunca. Por tabela, também o colunista Elio Gaspari, que desceu a lenha no malfadado discurso racista de Demóstenes Torres, acabou no balaio da delinquencia jornalística montado por Magnoli.

Das duas uma: ou a Folha dá direito de resposta aos repórteres insultados (Laura Capiglione e Lucas Ferraz), como, imagino, deve prever o seu completíssimo manual de redação, ou encerra as atividades. Isso porque Magnoli, embora frequente os saraus do Instituto Milleniun, não entende absolutamente nada de jornalismo e confundiu reportagem com opinião. A matéria de Laura e Lucas nada tem de ideológica, nem muito menos é resultado de “jornalismo engajado” (contra o DEM, na Folha??). A impressão que se tem é que houve falha nos filtros internos da redação e deixaram passar, por descuido ou negligência, uma matéria cujas conseqüências aí estão: o senador Torres, sujeito oculto da farsa do grampo montada em consórcio entre a Veja e o STF, virou, também, o símbolo de um revisionismo histórico grotesco, no qual se estabelece como consensual o estupro de mulheres negras nas senzalas da Colônia e do Império do Brasil.

A reação interna à repercussão de uma matéria elaborada por dois repórteres da sucursal de Brasília, terceirizada por Demétrio Magnoli, é emblemática (e covarde), mas não diz respeito somente à Folha de S.Paulo. O artigo “Jornalismo delinquente”, publicado na edição de hoje (9 de março de 2010), na página de opinião do jornal, nada tem a ver com políticas de pluralidade de opiniões, mas com intimidação pura e simples voltada para o enquadramento de repórteres e editores, e não só da Folha, para os tempos de guerra que se aproximam. A recusa de Aécio Neves em ser vice de José Serra deverá jogar o DEM, outra vez, no vácuo dos tucanos, a reviver a dobradinha iniciada entre Fernando Henrique Cardoso e o PFL, de triste lembrança. O imenso mal estar causado pela fala de Demóstenes Torres na tribuna do Senado Federal, resultado do trabalho rotineiro de dois repórteres, acabou interpretado como inaceitável fogo amigo. Capaz, inclusive, agora, de a dupla de jornalistas correr perigo de empregabilidade, para usar um termo caro à equipe econômica tucana dos tempos de FHC.

Demétrio Magnoli, impunemente, chama a reportagem da Folha de S.Paulo de “panfleto disfarçado de reportagem”, afirmação que jamais faria, e muito menos a publicaria, sem autorização da direção do jornal, precedida de uma avaliação editorial e política bastante criteriosa. O fato de se ter permitido a Magnoli, um dos arautos da tese conceitualmente criminosa de que não há racismo no Brasil, insultar dois repórteres e o principal colunista da Folha, em espaço próprio dentro de uma edição do jornal, deixa a todos – jornalistas e leitores – perplexos com os rumos finais da velha mídia e de seu inexorável suicídio editorial em nome de uma vingança ideológica, ora baseada em doutrina, ora em puro estado de ódio racial e de classe.


O último encontro com Lula. Por Fidel Castro

Do Granma:

Reflexões do companheiro Fidel

O último encontro com Lula

(Extraído de Cubadebate)

Conheci Lula em Manágua, em julho de 1980, há trinta anos, durante a comemoração do primeiro aniversário da Revolução Sandinista, graças aos meus contatos com os parceiros da Teologia da Libertação, iniciados no Chile, no ano 1971, quando visitei o presidente Allende.

Graças a Frei Betto sabia quem era Lula, um líder operário no qual os cristãos de esquerda tinham depositado bem cedo suas esperanças.

Tratava-se, é, de um humilde operário da indústria metalúrgica, que destacava pela sua inteligência e prestígio entre os sindicatos, na grande nação que emergia das trevas da ditadura militar, imposta pelo império ianque, na década de 60.

As relações do Brasil com Cuba tinham sido excelentes até que o poder dominante no hemisfério fê-las sucumbir. Desde então transcorreram décadas até que lentamente voltaram a ser o que são hoje. Leia mais »


O rosnar golpista do Instituto Millenium. Por Gilberto Maringoni

Não é bom subestimar os pitbulls da imprensa brasileira. A direita não costuma se unir apenas para tomar chá com torradas. Só não articulam um golpe por sua legitimidade social ser reduzida.

Da Agência Carta Maior

Vale a pena refletir mais um pouco sobre os significados e conseqüências do 1º Fórum Democracia e Liberdade de Expressão, realizado pelo Instituto Millenium em São Paulo, na segunda-feira, 1º. de março.

A grande questão é: por que os barões da mídia resolveram convocar um evento público para discutir suas idéias? Ta bom, vamos combinar. A R$ 500 por cabeça não é bem um evento público. Mas era aberto a quem se dispusesse a pagar.

No subsolo do luxuoso hotel Golden Tulip estavam o que se poderia chamar de agregados da Casa Grande dos monopólios da informação, como intelectuais de programa e jornalistas de vida fácil. Todos expuseram suas vísceras, em um strip-tease político e moral inigualável. Um espetáculo digno de nota. Nauseabundo, mas revelador. Leia mais »


Aécio, Serra, a oposição e os karmas. Por Charles Carmo

Aécio Neves é imprescindível? Então Serra está perdido.

“Eu sou mestiço, como vou participar de uma chapa puro-sangue?”, disse Aécio Neves ontem em Belo Horizonte, inutilizando todo esforço a que se referiu o deputado ACM Neto.

Quando perguntado se seria responsabilizado por não aceitar ser vice de Serra, em uma chapa puramente tucana, o governador mineiro completou: Leia mais »


Dilma, a dama que virou o jogo

Dilma Rousseff, eis a nova favorita para ganhar as eleições. Foto: Agência Brasil

A pesquisa Datafolha desta semana faz mais do que marcar o empate técnico entre Dilma e Serra, o que já não seria pouco.

O fato é que a petista ganha de José Serra na pesquisa espontânea, aonde o nome dos candidatos não são citados. Nesta categoria, a ministra empata com Lula, o líder mais carismático do país, ambos com 10%, contra os 7% do tucano José Serra. Dilma está atropelando o PSDB.

O Ibope já apontava que Dilma lidera no Norte e no Nordeste. Agora o Datafolha confirma a queda de Serra no Sudeste, seu principal reduto eleitoral.

Serra, mais do que estagnar, cai. Dilma já não está no retrovisor e pode ser vista da janela do carona.

Ao centrar fogo no PT, durante a crise do mensalão, a oposição pensou em uma estratégia: remover as peças chaves do petismo e derrubar Lula por dentro, implodindo as lideranças petistas. Leia mais »


Planejamento: exercício de poder. Por Edson Valadares

Edson Valadares é sociólogo e Chefe de Gabinete da SEPLAN - Secretaria do Planejamento do Estado da Bahia.

Só existe prática formativa com planejamento. Refiro-me, às práticas que possuem intencionalidade política.  Práticas essas concebidas e desenvolvidas em relação aos projetos e seus objetivos estratégicos. O desafio é o de desenvolver e aplicar instrumentos que facilitem a leitura da realidade e ajudem à tomada de decisões organizativas mais adequadas aos dirigentes e governantes.

O planejamento por si próprio não garante o sucesso da ação. Ele é um instrumento de otimização e não uma vara de condão, podendo vir a fracassar por vários motivos: por uma equação equivocada entre o que se pretende e as possibilidades, por falta de condições de implementar o que foi decidido e por não possuir ferramentas eficientes para gerenciar o plano de ação. Leia mais »


Um senador para cada Bahia, por Sócrates Santana

Socrates Santana

O senador João Durval por enquanto assiste de camarote a sucessão estadual. Não disputa uma das duas vagas destinadas para a Bahia no senado federal, nem esboça qualquer movimento no tabuleiro da esfera política. De longe, observa tranqüilo o jogo de interesses ao redor da composição das chapas majoritárias, especialmente, a encabeçada pelo governador Jaques Wagner. De fora, o senador contempla um cenário que impõe a formação de um quadro misto, que corresponda às novas e as velhas práticas da política baiana.

O ex-governador baiano representou em 2006 a vontade de romper com a vontade de um homem e ao mesmo tempo a manutenção, ainda que subliminar, da cultura patriarcal. Em 2010 a arredia política baiana adiciona ao maniqueísmo de outrora (nós contra ele) um tempero menos apimentado. Porém, mais complexo e cheio de pequenas sutilezas, próprias da democracia. O novo ingrediente é justamente o desgarrar do revanchismo, da política feita com o fígado em nome de uma revisão de conceitos e posicionamentos de ordem conjuntural. Leia mais »


Analistas do mercado financeiro elevam projeção de crescimento do PIB neste ano para 5,47%

Kelly Oliveira - Agência Brasil

Brasília – Analistas do mercado financeiro elevaram a projeção de crescimento da economia neste ano. Segundo o boletim Focus, divulgado hoje (17) pelo Banco Central (BC), a estimativa para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, foi ajustada de 5,35% para 5,47%. Para 2011, foi mantida a expectativa de crescimento de 4,5%.

Para o crescimento da produção industrial, neste ano, a estimativa passou de 8,61% para 8,55%. Em 2011, os analistas esperam por uma expansão de 4,85%, a mesma projeção anterior.

A projeção para a relação entre dívida líquida do setor público e o PIB passou de 41,70% para 41,95%, neste ano, e de 40,70% para 40,50%, em 2011.

A previsão para o superávit comercial (saldo positivo de exportações menos importações) para este ano permaneceu em US$ 10 bilhões e passou de US$ 3,750 bilhões para US$ 5 bilhões, em 2011.

Para o déficit em transações correntes (registro das operações de compra e venda de mercadorias e serviços do Brasil com o exterior), a estimativa para este ano foi ajustada de US$ 48 bilhões para US$ 50,050 bilhões. Em 2011, os analistas esperam por um resultado negativo de US$ 57,810 bilhões, contra US$ 58,990 bilhões previstos no boletim Focus anterior.

A expectativa para o investimento estrangeiro direto (recursos que vão para o setor produtivo do país) foi mantida em US$ 38 bilhões, em 2010, e em US$ 40 bilhões, em 2011.


A batalha da oposição e o tamanho do prato

Geddel x Paulo Souto: toda esta guerra é por conta do tamanho do prato.

Geddel x Paulo Souto: toda esta guerra é por conta do tamanho do prato.

Os jornalistas, blogueiros e acompanhantes mais atentos do cenário político percebem uma tênue mas significativa mudança no comportamento do PMDB geddelista e do DEM soutista.

Esta semana ambos os partidos começaram a travar uma pequena guerrilha de informações.

Os tiros da oposição, antes concentrados no governador Jaques Wagner, começam a ser disparados entre o PMDB e o DEM.

Ao que parece, Paulo Souto não irá aceitar provocações do PMDB calado. É quase certo que o DEM e o PMDB serão aliados no segundo turno. Entretanto, para que Geddel chegue lá, é preciso minar a candidatura de Paulo Souto, movimento que, ao que parece, começa a ocorrer. Ninguém duvida seriamente que a candidatura de Jaques Wagner, por enquanto, é a mais propícia a ter um lugar reservado em um possível segundo turno.

Paulo Souto sabe disso. E não dará a outra face para Geddel embora, diplomaticamente, evitará qualquer agressão que venha a queimar a ponte que poderá conduzir Geddel ao ninho democrata, em um possível segundo turno.

Mas que exame de balística comprovaria esta tese do acirramento da disputa no seio da oposição?

A resposta está na imprensa.

Esta semana PMDB e DEM travaram uma guerra midiática para convencer o eleitorado que um está minando o terreno do outro. Diria mesmo se tratar de uma guerra de infiéis.

Paulo Souto fez um estardalhaço dos apoios que recebeu do ex-prefeito de Irará, Juscelino Souza e do atual prefeito de Muritiba, Epifânio Sampaio, ambos filiados ao PR de César Borges.

Logo depois, Geddel faz chegar aos quatro cantos da Bahia o “elogio” que recebeu do prefeito de Mucuri, Paulo Alexandre Matos Griffo (PSDB). O prefeito do PSDB, partido aliado do DEM, pousou para fotos com o adesivo de Geddel no peito.

A ação de Paulo Souto mostra que o ex-governador não pretende ficar refém de um possível apoio do PMDB.

Ato contínuo, Paulo Souto então tratou de divulgar o apoio que recebeu do prefeito de São Desidério, Zito Barbosa (PMDB).

Na política, aonde há fumaça, há incêndio. Ou, se preferirem, jabuti não sobe em árvore.

PMDB e DEM tentam passar a idéia que estão “minando” o terreno do outro.

A briga pelo segundo turno já começou, muito embora, legalmente, a campanha não tenha se iniciado.

Não há espaço para dois partidos de oposição em um hipotético segundo turno. Daí começa a artilharia entre Geddel e Paulo Souto.

Na guerra sui generis que ambos travam, o que chega à imprensa são as baixas em cada exército, mas não de seus partidários, mas dos infiéis de cada lado.

A tendência é que o contencioso se agrave e a infidelidade se acentue.

O prato é pequeno, Geddel vem com a fome e Paulo Souto com a vontade de comer.

Por Charles Carmo


Fernando Henrique Cardoso precisa de amigos, por Gilson Caroni Filho

FHC

Em seu texto “Luto e Melancolia”, Freud diz que manifestações melancólicas assumem várias formas clínicas, se caracterizando, entre outros sintomas, “por uma depressão profundamente dolorosa, uma suspensão do interesse pelo mundo externo, diminuição do sentimento de auto-estima e inibição de todas as atividades.” A identificação com o objeto perdido é inevitável e, na medida em que não consegue incorporação simbólica, o que sobra ao sujeito é a identificação com o vazio de um pai ausente.

Se a psicanálise sofre hoje contestações de diferentes ordens, as palavras do seu criador sobre o comportamento melancólico se encaixam como uma luva para o amontoado de sandices que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso escreveu e disse no último domingo, 7/02, tentando deter e repudiar a impopularidade que o persegue desde o segundo mandato. Leia mais »


General Raymundo Cerqueira é inapto para ocupar cadeira no STM

Quantos militares e, possivelmente, generais, estariam nesta Parada Gay?

Quantos militares e, possivelmente, generais, estariam nesta Parada Gay?

Indicado para uma cadeira no Superior Tribunal Militar (STM), o general Raymundo Nonato de Cerqueira Filho disse nesta quarta-feira (3/02) que as Forças Armadas não devem aceitar a presença de gays em seus quadros.

“O indivíduo não consegue comandar. A tropa fatalmente não vai obedecer. Isso está provado. Não é que o indivíduo seja criminoso, e sim o tipo de atividade. Se ele é assim, talvez haja outro ramo de atividade que ele possa desempenhar”, disse o general homofóbico ao se referia aos gays.

O general Raymundo Nonato ainda soltou outra pérola de ignorância e preconceito.

“Não é que o indivíduo seja criminoso, e sim o tipo de atividade. Se ele é assim, talvez haja outro ramo de atividade que ele possa desempenhar”, disse o militar.

Mais que temerária, a indicação do general Raymundo é uma afronta à sociedade brasileira e ao Estado Democrático de Direito.

Não que o general seja criminoso, mas por ser inapto para ocupar uma vaga no Superior Tribunal Militar.

O general Raymundo Nonato desconhece a Constituição Brasileira, o que, obviamente, impede que ele possa julgar qualquer pessoa. Reza a nossa Carta Magna: Leia mais »


Departamento universitário, por Paulo Gabriel Soledade Nacif

Artigo publicado originalmente no jornal Folha de São Paulo.

Para o reitor da UFRB os departamentos estão superados.

Para o reitor da UFRB os departamentos estão superados.

A estrutura departamental substituiu a organização acadêmica em cátedras e conquistou uma hegemonia tão significativa que, num certo período, a sensação era a de que havíamos atingido “o fim da história” no que diz respeito aos aspectos mais importantes da organização da universidade. Não obstante tenha sido implantada na universidade por medidas ditatoriais, a idéia da estrutura departamental já vinha sendo discutida na academia brasileira. O decreto-lei 252/67 instituiu o departamento como a menor fração da estrutura universitária para efeitos de organização administrativa e didático-científica e de distribuição de pessoal. Buscava-se a nucleação dos campos do saber, organizados em diferentes áreas de conhecimento.

O departamento representou efetivos avanços na organização da universidade, mas começa a ser conceitualmente superado.

Assim, buscam-se formas de garantir tais conquistas, adaptando-as a novas estruturas, mais flexíveis e com maior capacidade de interagir dentro e fora da universidade.

Uma das principais críticas ao departamento o define como um nível de poder refratário a interações, altamente resistente a mudanças decorrentes de necessidades institucionais ou da própria ciência que ele representa na universidade. Leia mais »


Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, por José Guerra

José Guerra.

José Guerra.

Este ano comemora-se, pela primeira vez no Brasil, o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, instituído, por lei, no dia 28 de janeiro. A data escolhida marca o episódio que ficou conhecido como “Chacina de Unaí”, quando quatro funcionários do Ministério do Trabalho e Emprego – os auditores fiscais João Batista Soares Lages, Eratóstenes de Almeida Gonçalves e Nelson José da Silva, e o motorista Ailton Pereira de Oliveira – foram mortos a tiros na zona rural de Unaí (MG), em 2004. Os auditores estavam no local para fiscalizar uma denúncia de trabalho escravo na região.

O Dia Nacional de Combate ao Trabalho escravo será comemorado com atividades de mobilização e debate em vários estados do Brasil, um dos poucos países no mundo a reconhecer e a combater o trabalho análogo à escravidão. Aqui, governo, empresários e sociedade civil uniram esforços e o enfrentamento tem dado resultados.

O avanço pode ser quantificado pelo aumento das libertações realizadas pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel, sediado no Ministério do Trabalho. No período de 1995 a 2002, 5.893 trabalhadores em condições análogas à escravidão foram libertados. Já de 2003 a 2009, o Grupo Móvel totalizou a libertação de 30.461 pessoas. A punição aos exploradores prevê de dois a oito anos de prisão e a inclusão do nome na “lista suja” do Ministério do Trabalho e Emprego, que restringe crédito para estes proprietários. Leia mais »


É hora da lavagem da prefeitura, por Marta Rodrigues

Lavagem do Bonfim. Foto: Prefeitura de Salvador

Lavagem do Bonfim. Foto: Prefeitura de Salvador

No último sábado, dia 16, os cidadãos de Salvador foram surpreendidos por um reajuste de 4,18% das passagens de ônibus. O prefeito João Henrique cedeu à pressão dos empresários e aumentou a tarifa novamente sem antes ouvir a população, através de seus segmentos organizados, como os estudantes, por exemplo. E, para ajudar, o Conselho Municipal de Transportes, que poderia mediar as negociações entre a prefeitura, os empresários e a sociedade civil, não funciona desde 2007 por causa de uma pendenga judicial. O aumento foi arbitrário, sem consultar a Câmara de Vereadores ou a Comissão de Transportes. Mais arbitrário ainda: o Diário Oficial do Município (DOM) não circulou no dia da publicação do decreto de reajuste.

Eu tive acesso ao DOM por um mero acaso do destino. Um assessor tem assinatura pessoal e costuma pegar o exemplar dele in loco.

Somente por isso, pude repassar a informação do decreto para a imprensa em primeira mão na última sexta (15). O DOM é a única fonte de informação acessível à oposição, a única ferramenta para nos auxiliar a fiscalizar o Executivo.
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Revolução democrática na Bahia, por Edson Valadares

ValadaresAbrir canais de diálogo com todos os segmentos da sociedade civil é uma marca do Governo Jaques Wagner. Com a criação de espaços públicos de discussão sobre os problemas estaduais e específicos de cada grupo social, a Bahia experimenta pela primeira vez em sua história a democracia participativa, tão fundamental para construção da cidadania e da promoção de direitos.

Entre esses espaços de negociação de interesses coletivos o PPA Participativo é o marco deste novo momento que vivemos.  A elaboração do orçamento do estado para o quadriênio 2008-2011 foi feita de forma direta com a sociedade indicando as prioridades que balizam os atuais programas governamentais.  Foi uma iniciativa inovadora onde todos os setores sociais organizados participaram das reuniões e plenárias nos 26 territórios de identidade que articulam os 417 municípios baianos, até aprovação da Lei pela Assembléia Legislativa.

Outro canal importante de diálogo social são as conferências temáticas e setoriais com a finalidade de debater e sugerir o aperfeiçoamento das ações de governo. Foram realizadas dezenas de conferências dos mais variados temas como cultura, meio ambiente, encontro das águas, Agenda 21, educação, saúde, cidades, segurança pública, direitos humanos, pessoas portadoras de necessidades especiais, ciência e tecnologia, LGBT, raça\etnias, mulheres, juventude, assistência social, segurança alimentar e a I Conferência de Comunicação Social, pioneira no Brasil. Leia mais »


Aqui tudo parece construção e já é ruína? Por Marcelo Rocha

america-latinaA América Latina nasceu enraizada no signo da modernidade ocidental – empreender-construir-destruir-empreender…e nas fronteiras do Antigo Regime: absolutismo, catolicismo, escravismo, aristocratismo. Desse campo de tensão entre conservar o velho e construir o novo, brotaram as forças que engendraram as nações latino-americanas, percorrendo um caminho cheio de contradições, constituindo uma espécie de “Modernização-Conservadora”. Esse signo da contradição foi potencializado pelo espírito barroco e católico da Ibéria.

O Brasil evoluiu a partir dessa realidade, somos uma realidade transmutando-se no tempo, a partir das tensões intrínsecas e extrínsecas dadas pela história ocidental moderna. Somos uma identidade em construção frenética, visto que não somos velhos; somos mistura de várias matrizes e todas elas, por sua vez, polissêmicas e polivalentes. Além disso, na composição daquilo que chamamos História com “H maiúsculo”, colocamo-nos no mundo a partir de uma relação, a um só tempo, filial e antagônica ao pólo culturalmente dominante no Ocidente, que é a Europa e tudo o que ela representa de origem lingüística e intelectual.

Encontrar um caminho de auto-referência é o maior desafio para nossa cultura polissêmica e ressentida de seu passado colonial. Todas as palavras e boa parte das teorias das Ciências Sociais e da História enquanto Ciência parece refletir, em última instância, um olhar europeu, “de fora”, sobre nós. Talvez a epopéia que tenhamos de realizar seja a de nos reinventarmos, de maneira teórica, nas esferas das Ciências, das Instituições Públicas, na Educação, nos Discursos e na Audição para, assim, fundarmos um mito potente de nação mestiça e vitoriosa dentro dos escombros da Modernidade. Aliás, já nos anos 20 e depois com a geração de 40 e 50 do Século XX, ilustres pensadores esforçaram-se para construir um pensamento genuinamente brasileiro, a partir de rompimentos com as influências estéticas e intelectuais européias e através de um olhar menos elitista. Essa tradição um tanto relegada às gavetas empoeiradas da memória nacional pode servir como referência para um novo pensamento brasileiro, agora, depurado de equívocos e desvios.Ou seja, o caminho da potência do Brasil é a inclusão do que se define por Povo na idéia de grandeza que buscamos. Contudo, isso implicaria romper com uma tradição profundamente arraigada em nossa cultura – o autoritarismo elitista das classes proprietárias, dos chamados Donos do Poder, como bem definiu o saudoso Raimundo Faoro. Mas, como fazê-lo?
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Refletindo sobre a natureza da Ciência Geográfica

Por Clodoaldo Almeida da Paixão

Alinhavo aqui algumas breves palavras acerca da especificidade da Ciência Geográfica. No processo histórico da humanidade de apropriação e representação da realidade social, o conhecimento geográfico é considerado um dos primeiros, determinado obviamente pela necessidade da sobrevivência humana.

O espaço, assim, afirmara-se num crescendo como o objeto de conhecimento da Geografia. Mas também nascia, a partir de então, um dos seus “dilemas” teóricos que iria marcar para sempre e de forma indelével essa área do saber científico: O seu objeto – o espaço – é natural ou social?

Considerada inicialmente como uma questão de natureza filosófica, esse problema, no entanto, foi fundamental para a definição da sua identidade analítica no âmbito das Ciências Humanas. O que pode, à primeira vista, parecer uma simples disputa de pontos de vistas teóricos, viria revelar – num futuro próximo – o que há de comum na história da ciência de modo geral e, da Geografia, em particular: a permanente crise de paradigma epistemológico.

Trata-se efetivamente de momentos provocados pelas mudanças produzidas pelos seres humanos à realidade. Momentos em que os modelos analíticos (hegemônicos) de interpretação da realidade se mostram limitados tanto para compreendê-la quanto para explicá-la.

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Cidadania e comunicação, por Daniella Rocha Magalhães

Comunicação: uma questão de cidadania?

Comunicação: uma questão de cidadania? Foto: Google

Os agentes destas lutas distinguem-se dos seus antecessores por duas razões. Em primeiro lugar, empenham-se na luta simultânea pela igualdade e pelo reconhecimento da diferença. Reivindicam o direito de ser iguais quando a diferença os inferioriza e o direito de ser diferentes quando a igualdade os descaracteriza.

Boaventura Souza Santos, 2006

Resumo

Este artigo discorre sobre o direito à comunicação e sua relação com os direitos humanos e a cidadania. Parte do relato concreto de um caso de violação de direitos humanos na mídia para analisar como ela contribui para afirmar ou negar a cidadania. Analisa as definições e abordagens similares encontradas nos estudos teóricos sobre o conceito de cidadania, bem como discorre sobre os direitos civis, políticos e sociais, localizando a comunicação e seus limites dentro destes direitos. Ao final, descreve as conceituações contemporâneas sobre cidadania, referidas como multidimensional e analisa como esta perspectiva tem impactado novas tendências na gestão, formulação e implementação de políticas públicas. Ressalta o papel da comunicação neste contexto e suas contradições: ao mesmo tempo em que constitui elemento importante dentro das novas políticas mais participativas e focalizadas, ela mesma não é objeto destas tendências ocorridas no Brasil.

Palavras-chave: cidadania, direitos humanos, direito à comunicação
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