<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>O Recôncavo &#187; Artigos</title>
	<atom:link href="http://www.oreconcavo.com.br/category/artigos/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.oreconcavo.com.br</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Tue, 07 Sep 2010 23:51:41 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.1-alpha</generator>
		<item>
		<title>Consolidar a ruptura histórica operada pelo PT. Por Leonardo Boff</title>
		<link>http://www.oreconcavo.com.br/2010/09/01/consolidar-a-ruptura-historica-operada-pelo-pt-por-leonardo-boff/</link>
		<comments>http://www.oreconcavo.com.br/2010/09/01/consolidar-a-ruptura-historica-operada-pelo-pt-por-leonardo-boff/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 01 Sep 2010 19:17:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carmo Charles</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.oreconcavo.com.br/?p=7627</guid>
		<description><![CDATA[Mas essa derrota infligida às elites excludentes e anti-povo, deve ser consolidada nesta eleição por uma vitória convincente para que se configure um "não retorno definitivo" e elas percam a vergonha de se sentirem povo brasileiro assim como é e não como gostariam que fosse. Terminou o longo amanhecer. Leonardo Boff  é teólogo, filósofo e escritor. Autor de, entre outros livros, Depois de 500 anos: que Brasil queremos (Editora Vozes).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Do<strong> <span style="color: #ff0000;"><a href="http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&amp;cod=50545" target="_blank"><span style="color: #ff0000;">Adital</span></a></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.oreconcavo.com.br/wp-content/uploads/2010/05/boff.jpg"><img class="size-full wp-image-6429 alignleft" title="boff" src="http://www.oreconcavo.com.br/wp-content/uploads/2010/05/boff.jpg" alt="" width="150" height="228" /></a>Para mim o significado maior desta eleição é consolidar a ruptura que Lula e o PT instauraram na história política brasileira. Derrotaram as elites econômico-financeiras e seu braço ideológico, a grande imprensa comercial. Notoriamente, elas sempre mantiveram o povo à margem da cidadania, feito, na dura linguagem de nosso maior historiador mulato, Capistrano de Abreu, &#8220;capado e recapado, sangrado e ressangrado&#8221;. Elas estiveram montadas no poder por quase 500 anos. Organizaram o Estado de tal forma que seus privilégios ficassem sempre salvaguradados. Por isso, segundo dados do Banco Mundial, são aquelas que, proporcionalmente, mais acumulam no mundo e se contam, política e socialmente, entre as mais atrasadas e insensíveis. São vinte mil famílias que, mais ou menos, controlam 46% de toda a riqueza nacional, sendo que 1% delas possui 44% de todas as terras. Não admira que estejamos entre os países mais desiguais do mundo, o que equivale dizer, um dos mais injustos e perversos do planeta.</p>
<p style="text-align: justify;">Até a vitória de um filho da pobreza, Lula, a casa grande e a senzala constituíam os gonzos que sustentavam o mundo social das elites. A casa grande não permitia que a senzala descobrisse que a riqueza das elites fora construída com seu trabalho superexplorado, com seu sangue e suas vidas, feitas carvão no processo produtivo. Com alianças espertas, embaralhavam diferentemente as cartas para manter sempre o mesmo jogo e, gozadores, repetiam: &#8220;façamos nós a revolução antes que o povo a faça&#8221;. E a revolução consistia em mudar um pouco para ficar tudo como antes. Destarte, abortavam a emergência de outro sujeito histórico de poder, capaz de ocupar a cena e inaugurar um tempo moderno e menos excludente. Entretanto, contra sua vontade, irromperam redes de movimentos sociais de resistência e de autonomia. Esse poder social se canalizou em poder político até conquistar o poder de Estado.<span id="more-7627"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Escândalo dos escândalos para as mentes súcubas e alinhadas aos poderes mundiais: um operário, sobrevivente da grande tribulação, representante da cultura popular, um não educado academicamente na escola dos faraós, chegar ao poder central e devolver ao povo o sentimento de dignidade, de força histórica e de ser sujeito de uma democracia republicana, onde &#8220;a coisa pública&#8221;, o social, a vida lascada do povo ganhasse centralidade. Na linha de Gandhi, Lula anunciou: &#8220;não vim para administrar, vim para cuidar; empresa eu administro, um povo vivo e sofrido eu cuido&#8221;. Linguagem inaudita e instauradora de um novo tempo na política brasileira. O &#8220;Fome Zero&#8221;, depois o &#8220;Bolsa Família&#8221;, o &#8220;Crédito Consignado&#8221;, o &#8220;Luz para Todos&#8221;, o &#8220;Minha Casa, minha Vida, o &#8220;Agricultura familiar, o &#8220;Prouni&#8221;, as &#8220;Escolas Profissionais&#8221;, entre outras iniciativas sociais permitiram que a sociedade dos lascados conhecesse o que nunca as elites econômico-financeiras lhes permitiram: um salto de qualidade. Milhões passaram da miséria sofrida à pobreza digna e laboriosa e da pobreza para a classe média. Toda sociedade se mobilizou para melhor.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas essa derrota infligida às elites excludentes e anti-povo, deve ser consolidada nesta eleição por uma vitória convincente para que se configure um &#8220;não retorno definitivo&#8221; e elas percam a vergonha de se sentirem povo brasileiro assim como é e não como gostariam que fosse. Terminou o longo amanhecer.</p>
<p style="text-align: justify;">Houve três olhares sobre o Brasil. Primeiro, foi visto a partir da praia: os índios assistindo a invasão de suas terras. Segundo, foi visto a partir das caravelas: os portugueses &#8220;descobrindo/encobrindo&#8221; o Brasil. O terceiro, o Brasil ousou ver-se a si mesmo e aí começou a invenção de uma república mestiça étnica e culturalmente que hoje somos. O Brasil enfrentou ainda quatro duras invasões: a colonização que dizimou os indígenas e introduziu a escravidão; a vinda dos povos novos, os emigrantes europeus que substituíram índios e escravos; a industrialização conservadora de substituição dos anos 30 do século passado mas que criou um vigoroso mercado interno e, por fim, a globalização econômico-financeira, inserindo-nos como sócios menores.</p>
<p style="text-align: justify;">Face a esta história tortuosa, o Brasil se mostrou resiliente, quer dizer, enfrentou estas visões e intromissões, conseguindo dar a volta por cima e aprender de suas desgraças. Agora está colhendo os frutos.</p>
<p style="text-align: justify;">Urge derrotar aquelas forças reacionárias que se escondem atrás do candidato da oposição. Não julgo a pessoa, coisa de Deus, mas o que representa como ator social. Celso Furtado, nosso melhor pensador em economia, morreu deixando uma advertência, título de seu livro A construção interrompida (1993): &#8220;Trata-se de saber se temos um futuro como nação que conta no devir humano. Ou se prevalecerão as forças que se empenham em interromper o nosso processo histórico de formação de um Estado-Nação&#8221; (p.35). Estas não podem prevalecer. Temos condições de completar a construção do Brasil, derrotando-as com Lula e as forças que realizarão o sonho de Celso Furtado e o nosso.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.oreconcavo.com.br/2010/09/01/consolidar-a-ruptura-historica-operada-pelo-pt-por-leonardo-boff/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Jefferson atira em Serra: barata voa! Por Rodrigo Vianna</title>
		<link>http://www.oreconcavo.com.br/2010/08/19/jefferson-atira-em-serra-barata-voa-por-rodrigo-vianna/</link>
		<comments>http://www.oreconcavo.com.br/2010/08/19/jefferson-atira-em-serra-barata-voa-por-rodrigo-vianna/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 19 Aug 2010 18:13:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carmo Charles</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.oreconcavo.com.br/?p=7382</guid>
		<description><![CDATA[Do Escrevinhador Pintou o “barata voa”* na campanha de Serra. Cada um corre pra um lado tentando se salvar. É debandada geral. Talvez sobre o Ali Kamel (o suposto jornalista, não o ator), Frias Filho e a turma dos Civita. E olhe lá! Alckmin precisa manter a fortaleza em São Paulo. Beto Richa talvez consiga [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Do<a href="http://www.rodrigovianna.com.br/plenos-poderes/jefferson-atira-em-serra-barata-voa.html" target="_blank"> <span style="color: #ff0000;"><strong>Escrevinhador</strong></span></a></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.oreconcavo.com.br/wp-content/uploads/2010/08/DEBANDADA-GERAL-01.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7383" title="DEBANDADA-GERAL-01" src="http://www.oreconcavo.com.br/wp-content/uploads/2010/08/DEBANDADA-GERAL-01.jpg" alt="" width="280" height="210" /></a>Pintou o “barata voa”* na campanha de Serra. Cada um corre pra um  lado tentando se salvar. É debandada geral. Talvez sobre o Ali Kamel (o  suposto jornalista, não o ator), Frias Filho e a turma dos Civita. E  olhe lá!</p>
<p style="text-align: justify;">Alckmin precisa manter a fortaleza em São Paulo. Beto Richa talvez  consiga no Paraná. Tá difícil do Aécio emplacar o Anastasia em Minas –  mas ainda tem jeito. E o melhor caminho pra salvar alguma coisa no  terreno da oposição parece ser abandonar o Serra.</p>
<p style="text-align: justify;">Serra caminha para repetir o Cristiano Machado, 60 anos mais tarde.  Era o candidato do PSD em 1950 – abandonado pelo partido, que preferiu  apoiar Vargas. Sobre isso, escrevi<a href="http://www.rodrigovianna.com.br/geral/serra-queria-ser-um-cruzamento-de-brizola-com-lula-mas-vai-virar-o-cristiano-machado.html"> aqui.</a></p>
<p style="text-align: justify;">Quem deu a senha pro barata voa hoje foi o Roberto Jefferson (aquele  que detonou o tal “mensalão”). Vejam o que ele andou escrevendo no  twitter, segundo o relato do <a href="http://www.tijolaco.com/">Brizola Neto</a>:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>“O twitter de Roberto Jefferson virou um mural de imprecações  contra José Serra. Até copiei a tela, para o caso de pressões  irresistiveis “destuitarem” o que Jefferson diz.  Alguns pequenos  exemplos do elevado nivel de solidariedade moral entre o presidente do  (não confundir com o de Vargas) PTB, que há um mês e meio, ilegalmente,  cedeu o programa em rede de seu partido para o “coiso”.<br />
</em><strong><br />
<em>1 – Nem conheço o Serra</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em><em>“Eu apoio Serra a pedido do Geraldo Alckmin. Sou Geraldo, não conheço o Serra. Só de ouvir falar.”</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>“Eu encontrei com o Serra duas vezes. Uma na convenção do PTB. Outra na casa do Geraldo Alckmin.”</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>“Quando chego a São Paulo encontro o Sergio Guerra, o Eduardo Jorge e o Marcio Fortes. E para aí. Nunca conversei com o Serra.”<br />
</em><strong><br />
<em>2 – Serra é uma bobagem</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>“Serra é responsável pela nossa dispersão. Nunca nos reuniu.”</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>“Se o Gonzalez ouvisse um pouco os políticos, não poria no ar uma favela fake, nem o bobajol do Zé.”</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>===</em></p>
<p style="text-align: justify;">*Em 1997 eu era um paulista recém chegado ao Rio; tive o prazer de  conhecer o cinegrafista (e filósofo popular) Carlos Trinta. Entre outras  pérolas do carioquês, ele me ensinou o que era “barata voa” (a  expressão, naquele época, ainda era mais usada em alguns nichos do  subúrbio, não tinha chegado à zona sul). Foi numa reportagem em que  íamos acompanhar a visita do (então) governador Marcelo Allencar à  Cidade de Deus. O Trinta vira pra mim e diz: “maluco, quando o Velho  Barreiro chegar vai ser uma barata voa do c…” Não deu outra. Marcelo  chegou, meio cambaleante, e deu-se o barata voa generalizado. Como  agora, na campanha de Serra.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.oreconcavo.com.br/2010/08/19/jefferson-atira-em-serra-barata-voa-por-rodrigo-vianna/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O suicídio da velha mídia. Por Luis Nassif</title>
		<link>http://www.oreconcavo.com.br/2010/08/12/o-suicidio-da-velha-midia-por-luis-nassif/</link>
		<comments>http://www.oreconcavo.com.br/2010/08/12/o-suicidio-da-velha-midia-por-luis-nassif/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 12 Aug 2010 15:25:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carmo Charles</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.oreconcavo.com.br/?p=7281</guid>
		<description><![CDATA[Em 2006 já falava aqui no suicídio da mídia,quando decidiu transformar a queda (ou derrota) de Lula em guerra santa. O que houve ontem, no Jornal Nacional, mostra que a insensatez não tem limites. A entrevista de Serra não mudará o panorama eleitoral. Dilma continua favorita. Mas suponhamos que a armação desse resultados, invertesse o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_7282" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a href="http://www.oreconcavo.com.br/wp-content/uploads/2010/08/sem-saída.gif"><img class="size-full wp-image-7282" title="sem saída" src="http://www.oreconcavo.com.br/wp-content/uploads/2010/08/sem-saída.gif" alt="" width="400" height="297" /></a><p class="wp-caption-text">Uma hora o PIG terá que encarar o beco sem saída em que se meteu. Foto: Google</p></div>
<p>Em 2006 já falava aqui no suicídio da mídia,quando decidiu transformar a queda (ou derrota) de Lula em guerra santa.</p>
<p>O que houve ontem, no Jornal Nacional, mostra que a insensatez não tem limites. A entrevista de Serra não mudará o panorama eleitoral. Dilma continua favorita.</p>
<p>Mas suponhamos que a armação desse resultados, invertesse o jogo e colocasse Serra como favorito. O que ocorreria com a opinião pública? Haveria apenas críticas, a bonomia do governo, Dilma convidando o casal para jantar? Claro que não: haveria comoção popular, uma guerra sem quartel.</p>
<p>Há muito a velha mídia atravessou o Rubicão da prudência.</p>
<p>O que está em jogo, da parte dela, é a montagem de uma barricada para impedir a invasão estrangeira do setor por empresas de telecomunicações e grupos de mídia.</p>
<p>No começo, havia a estratégia clara (e imprudente) de tentar derrubar Lula – ou fazê-lo sangrar – e apoiar um candidato que viesse lhe comer à mão e ajudasse a barrar a invasão estrangeira.</p>
<p>Apostou e perdeu. Nem com todo apoio, o campeão branco, José Serra, logrará vencer.</p>
<p><a name="more"></a></p>
<p>Passadas as eleições, a velha mídia terá que encarar seus demônios. E é evidente, depois de ter avançado ainda mais no pântano da interferência política, que o objetivo maior do próximo governo será acabar com os privilégios, com o monopólio da informação. Ou seja, acabando com o último cartório da economia.</p>
<p>E quem vai apoiá-la?</p>
<p>Essa postura arrogante, quase golpista, rompeu qualquer laço de solidariedade com setores nacionais. A velha mídia era temida por muitos setores empresariais da economia real. Hoje é desprezada.</p>
<p>Não haverá apoio de grandes grupos econômicos, porque a guerra não é deles. E são grupos que já aprenderam a montar grandes parcerias com empresas internacionais. Uma coisa é inventar fantasmas de Farcs, Moralez, Fidel, essas bobagens sem fim. Outra é convencer os aliados de hoje que Telefonica, grupos portugueses, Pisa e outros que estão entrando representam interesses do Foro São Paulo.</p>
<p>Das multi? Só faltava as multinacionais, que na Constituinte conseguiram equiparação com as nacionais no setor real da economia, ampararem qualquer tentativa de criar cartórios na mídia.</p>
<p>Para os políticos, há muito a velha mídia é fator de risco. Sabem que elogios ou acusações estão submetidos a jogos de interesses empresariais. Preferem o diabo a uma imprensa cartelizada e exercendo o poder de forma ilimitada, como foi nas últimas duas décadas.</p>
<p>Para o mercado financeiro, nem pensar. No máximo acenam com possibilidades futuras de parcerias, mas de olho em apenas um ativo da velha mídia: o poder de influenciar mercado e governos. E esse ativo está sendo gasto rapidamente com a perda de qualidade e de influência dos jornais, o envolvimento permanente com factóides e o descolamento da parcela majoritária de opinião pública.</p>
<p>Por acaso pensam que investidores técnicos irão investir em setores com baixa governança corporativa e baixa rentabilidade?</p>
<p>As manifestações de Otávio Frias Filho – citando Rupert Murdoch como exemplo -, a associação da Abril com a Napster, mostram que tentou-se aqui, tardiamente, a mesma fórmula empregada em outros países. Trata-se de utilizar o poder político da mídia, antes que acabe, para pavimentar a transição para a nova etapa tecnológica.</p>
<p>A questão é que, com exceção da Globo, nenhum grupo tem condições de ser dominante na nova etapa, porque nenhum grupo pensou estrategicamente na travessia, mas apenas em barrar futuros competidores.</p>
<p>É fácil prever o futuro desses grupos nos próximos anos.</p>
<p>A Folha será salva pela UOL, mas como grupo econômico. Jamais a UOL conseguirá um décimo do poder político que a Folha deteve nos anos 90 e 2000.</p>
<p>A Abril não tem plano de vôo. Queimou a ponte quando abriu mão da BOL e da TVA.</p>
<p>Sabe que seu carro-chefe – a Veja impressa – está em queda livre. O mercado estima uma tiragem real de 780 mil exemplares – contra os 1,1 milhão apregoados pela mídia. Quando os clientes de publicidade exigirem um ajuste nos valores cobrados, proporcional à queda real das vendas, a Abril entra em sinuca.</p>
<p>Para enfrentar os novos tempos, fez investimentos maciços no portal Veja, que é um equívoco sem tamanho. Ora, a editora sempre teve a cultura da publicação semanal, quinzenal ou mensal. Jamais trabalhou sequer com a informação diária. Sei na prática o choque cultural que é passar do padrão semanal para o diário. Agora, ela quer do nada criar um portal com notícias online, sem prática e entrando em um mercado em que já existem serviços online consolidados, como o G1, UOL, Terra, IG. Não será sequer mais um. Será menos um.</p>
<p>A compra do Anglo com recursos pessoais dos Civita mostra claramente que, cada vez mais, deixará a operação midiática para os sul-africanos e se salvará em novos negócios – como os da educação – onde o poder de fogo da revista permita ganhos indiretos junto ao poder público.</p>
<p>O Estadão tem a melhor estratégia multimídia (depois da Globo), mas é um grupo à venda e sem fôlego financeiro, definitivamente preso aos conflitos familiares. Manterá um jornalismo de nicho, bem construído, trabalhando seu público mais conservador e de bom nível. Mas sem grandes vôos e sem influência política.</p>
<p>Nesse quadro, restará apenas a Globo, cercada de inimigos por todos os lados e perdendo a cada dia legitimidade e alianças.</p>
<p>É um pessoal bom de jornalismo. Com exceção do inacreditável O Globo, tem jornalismo de primeira na CBN, na Globonews, no G1 e posição dominante na TV aberta, apesar de toda a parcialidade do grupo de Kamel.</p>
<p>Mas, graças à miopia dos sucessores e às loucuras de Ali Kamel, será cada vez mais alvo das invasões bárbaras, seja da Record, seja grupos de fora, seja de todos os inimigos que acumulou nesses anos de arrogância cega.</p>
<p>O jogo acabou. Agora começam as apostas para o novo jogo que virá pela frente.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.oreconcavo.com.br/2010/08/12/o-suicidio-da-velha-midia-por-luis-nassif/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Por que persiste a Igreja-poder? Por Leonardo Boff</title>
		<link>http://www.oreconcavo.com.br/2010/08/07/por-que-persiste-a-igreja-poder-por-leonardo-boff/</link>
		<comments>http://www.oreconcavo.com.br/2010/08/07/por-que-persiste-a-igreja-poder-por-leonardo-boff/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 07 Aug 2010 07:48:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carmo Charles</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.oreconcavo.com.br/?p=7262</guid>
		<description><![CDATA[Instituições autoritárias possuem uma mesma lógica de autoreprodução. Não é diferente com a Igreja-instituição. Este exercício de poder não tem nada de divino. Era o que Jesus exatamente não queria. Ele queria a "hierodulia" (sagrado serviço) e não a "hierarquia" (sagrado poder). 
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><a href="http://www.oreconcavo.com.br/wp-content/uploads/2010/08/infalível.jpg"><img class="size-full wp-image-7263 alignleft" title="infalível" src="http://www.oreconcavo.com.br/wp-content/uploads/2010/08/infalível.jpg" alt="" width="280" height="218" /></a>Da <span style="color: #ff0000;"><strong><a href="http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4731" target="_blank"><span style="color: #ff0000;">Carta Maior</span></a></strong></span></p>
<p>Vou abordar um tema incômodo, mas incontornável: como pode a instituição-Igreja, como a descrevi num artigo anterior, com características autoritárias, absolutistas e excludentes se perpetuar na história? A ideologia dominante responde: “só porque é divina”. Na verdade, este exercício de poder não tem nada de divino. Era o que Jesus exatamente não queria. Ele queria a <em>hierodulia</em> (sagrado serviço) e não a <em>hierarquia</em>(sagrado poder). Mas esta se impôs através dos tempos.</p>
<p>Instituições autoritárias possuem uma mesma lógica de autoreprodução. Não é diferente com a Igreja-instituição. Em primeiro lugar, ela se julga a única verdadeira e tira o título de “igreja” a todas as demais. Em seguida cria-se um rigoroso enquadramento: um pensamento único, uma única dogmática, um único catecismo, um único direito canônico, uma única forma de liturgia. Não se tolera a crítica nem a criatividade, vistas como negação ou denunciadas como criadoras de uma Igreja paralela ou de um outro magistério.</p>
<p>Em segundo lugar, se usa a violência simbólica do controle, da repressão e da punição, não raro à custa dos direitos humanos. Facilmente o questionador é marginalizado, nega-se-lhe o direito de pregar, de escrever e de atuar na comunidade. O então Card. Joseph Ratzinger, Presidente da Congregação para a Doutrina da Fé, em seu mandato, puniu mais de cem teólogos. Nesta mesma lógica, pecados e crimes dos sacerdotes pedófilos ou outros delitos, como os financeiros, são mantidos ocultos para não prejudicar o bom nome da Igreja, sem o menor sentido de justiça para com as vítimas inocentes.</p>
<p>Em terceiro lugar, mitificam-se e quase idolatram-se as autoridades eclesiásticas principalmente o Papa que é o “doce Cristo na Terra”. Penso eu lá com meus botões: que doce Cristo representava o Papa Sérgio (904), assassino de seus dois predecessores ou o Papa João XII (955), eleito com a idade de 20 anos, adúltero e morto pelo marido traído ou, pior, o Papa Bento IX (1033), eleito com 15 anos de idade, um dos mais criminosos e indignos da história do papado, chegando a vender a dignidade papal por 1000 liras de prata?</p>
<p>Em quarto lugar, canonizam-se figuras cujas virtudes se enquadram no sistema, como a obediência cega, a contínua exaltação das autoridades e o “sentir com a Igreja (hierarquia)”, bem no estilo fascista segundo o qual “o chefe (o ducce, o Führer) sempre tem razão”.</p>
<p>Em quinto lugar, há pessoas e cristãos com natureza autoritária, que acima de tudo apreciam a ordem, a lei e o princípio de autoridade em detrimento da lógica complexa da vida que tem surpresas e exige tolerância e adaptações. Estes secundam esse tipo de Igreja bem como regimes políticos autoritários e ditatoriais. Aliás, há uma estreita afinidade entre os regimes ditatoriais e a Igreja-poder como se viu com os ditadores Franco, Salazar, Mussolini, Pinochet e outros. Padres conservadores são facilmente feitos bispos e bispos fidelíssimos a Roma são promovidos, fomentando a subserviência. Esse bloco histórico-social-religioso se cristalizou e garantiu a continuidade a este tipo de Igreja.</p>
<p>Em sexto lugar, a Igreja-poder sabe do valor dos ritos e símbolos pois reforçam identidades conservadoras, pouco zelando por seus conteúdos, contanto que sejam mantidos inalteráveis e estritamente observados.<br />
Em razão desta rigidez dogmática e canônica, a Igreja-instituição não é vivida como lar espiritual. Muitos emigram. Dizem sim ao cristianismo e não à Igreja-poder com a qual não se identificam. Dão-se conta das distorções feitas à herança de Jesus que pregou a liberdade e exaltou o amor incondicional.</p>
<p>Não obstante estas patologias, possuímos figuras como o Papa João XXIII, Dom Helder Câmara, Dom Pedro Casaldáliga, Dom Luiz Flávio Cappio e outros que não reproduzem o estilo autoritário, nem apresentam-se como autoridades eclesiásticas mas como pastores no meio do Povo de Deus. Apesar destas contradições, há um mérito que importa reconhecer: esse tipo autoritário de Igreja nunca deixou de nos legar os evangelhos, mesmo negando-os na prática, e assim permitindo-nos o acesso à mensagem revolucionária do Nazareno. Ela prega a libertação mas geralmente são outros que libertam.</p>
<p>Leonardo Boff é teólogo e escritor.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.oreconcavo.com.br/2010/08/07/por-que-persiste-a-igreja-poder-por-leonardo-boff/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>“Violência Enquadrada”: Lei Maria da Penha? Por Ubiracy de Souza Braga</title>
		<link>http://www.oreconcavo.com.br/2010/07/19/%e2%80%9cviolencia-enquadrada%e2%80%9d-lei-maria-da-penha-por-ubiracy-de-souza-braga/</link>
		<comments>http://www.oreconcavo.com.br/2010/07/19/%e2%80%9cviolencia-enquadrada%e2%80%9d-lei-maria-da-penha-por-ubiracy-de-souza-braga/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 19 Jul 2010 13:16:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carmo Charles</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.oreconcavo.com.br/?p=7024</guid>
		<description><![CDATA[Ubiracy de Souza Braga é sociólogo (UFF), cientista político (UFRJ), doutor em comunicação social (USP) e professor da coordenação do curso de ciências sociais da UECE – Universidade Estadual do Ceará.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.oreconcavo.com.br/wp-content/uploads/2010/07/violencia_domestica.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7025" title="violencia_domestica" src="http://www.oreconcavo.com.br/wp-content/uploads/2010/07/violencia_domestica.jpg" alt="" width="448" height="298" /></a>Talvez a expressão utilizada por Slavoj Žižek: “violência enquadrada”, seja precisamente porque, “talvez, hoje, Jô seja o herói apropriado: aquele que se recusa a buscar um significado mais profundo” (2008: 452). Em verdade ele quer retratar a “visão em paralaxe”: medida da mudança de posição aparente de um objeto em relação a um segundo plano mais distante, quando esse objeto é visto a partir de ângulos diferentes. Esse fenômeno óptico, relativamente simples, torna-se método e guia para seu livro, <em>The Paralaxe View</em> (2008), uma das mais ousadas aventuras filosófico-psicanalíticas de nosso tempo. E não devemos esquecer que a metáfora do fenômeno óptico surge também como instrumento crítico contra “as falsas formas do universal”, como é o caso do conservadorismo, no campo da política, com a exclusão do espaço político propriamente dito e a redução do potencial subversivo da noção de liberdade, seja individual, seja no plano coletivo das massas rurais e urbanas.</p>
<p style="text-align: justify;">Note bem: o <em>conservadorismo </em>é um fenômeno universal para toda a espécie humana, mas é também um novo produto das condições históricas e sociais desta época, no que podemos dizer que há dois tipos de conservadorismo. Há o tipo que é mais ou menos universal, e outro definitivamente moderno que é produto de circunstâncias históricas e sociais particulares e que tem suas tradições, forma e estrutura próprias e particulares. Poderíamos chamar o primeiro tipo de “conservadorismo natural” e o segundo de “conservadorismo moderno”, se a palavra “natural” não estivesse já carregada de diversos significados e matizes desde o debate eurocêntrico a respeito no âmbito da filosofia como de resto nas ciências sociais em geral.<span id="more-7024"></span></p>
<p style="text-align: justify;">O conservadorismo, em certo sentido, surgiu do <em>tradicionalismo</em>: de fato, ele é primordialmente nada mais do que o “tradicionalismo tornado <em>consciente</em>”. Apesar disso, os dois não são sinônimos, na medida em que o tradicionalismo só assume seus traços especificamente conservadores, enquanto expressão de um modo de vida e pensamento, como um movimento relativamente autônomo no processo social. Uma das características mais essenciais desse <em>modo de vida</em> e desse pensamento conservador parece ser a forma como ele se apega ao <em>imediato</em>, o <em>real</em>, o <em>concreto</em>. O conservador somente pensa em termos dos “sistemas como reação”, quando é forçado a desenvolver um sistema próprio para contrapor ao dos progressistas ou quando a marcha dos acontecimentos, o priva de qualquer influência sobre o presente imediato, de tal forma que ele seria obrigado a “girar a roda da história para trás” a fim de reconquistar a sua influência ao nível ideológico ou político propriamente dito do poder.</p>
<p style="text-align: justify;">Sua natureza peculiar pode ser mais claramente percebida no seu conceito de propriedade de forma anteriormente diversa da propriedade de hoje. Aquele sentido genuíno trazia consigo certos privilégios para seu dono – por exemplo; “dava-lhe vez nas questões de Estado, o direito de caçar, de se tornar membro de júri. Dessa forma (a propriedade) estava estreitamente ligada à honra pessoal e, portanto, era em certo sentido inalienável”. Assim, existia uma relação completamente intransferível e recíproca entre uma propriedade em particular e um dono em  particular. O conceito abstrato de propriedade da burguesia suprimiu a antiga concretização do conhecimento. Portanto, a <em>abstração</em> das relações humanas sob o capitalismo, que é constantemente enfatizada por Marx, e é claro depois dele, foi originalmente uma descoberta dos observadores do campo conservador por que <em>são</em><strong> </strong>conservadores.</p>
<p style="text-align: justify;">O fundamental é que essa insistência sobre o “concreto”, ou antiga concretização do conhecimento, é um sintoma do fato de que o conservadorismo <em>conhece</em> os processos históricos em termos de relações e situações que existem apenas como restos do passado, e do fato de que os impulsos em direção à ação, que brotam dessa maneira de se conhecer a história, são também centradas sobre relações passadas que ainda sobrevivem no presente. O pensamento conservador <em>autêntico</em> tem sua relevância e dignidade baseada em algo mais do que mera especulação baseada no fato de que as atitudes vistas desse tipo ainda sobrevivem em vários <em>setores</em> da sociedade.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas também temos a outra face da moeda com os chamados “crimes do dia-a-dia”, neste caso na cidade de Fortaleza, onde o <strong>social </strong>pode ser visto pela própria culatra. A notícia “Ladrão assalta e acaba morto” encobre a equação: <strong>justiçamento privado=assalto + morte</strong>. Vejamos como o discurso jornalístico reitera este “complexo integrado de fatos sociais”: “<em>A <strong>onda de insegurança</strong> que vem dominando o Estado do Ceará e, em maior escala, a Capital e sua região metropolitana, começa a provocar <strong>a reação da população</strong>, que, perigosamente, tenta fazer <strong>justiça com as próprias mãos</strong> diante das autoridades. Foi o que aconteceu, ontem, em dois episódios na cidade</em>” (cf. <em>Diário do Nordeste</em>. Fortaleza, 2. 4. 2010, grifos meus).</p>
<p style="text-align: justify;">E mais uma vez a imprensa reitera tais fatos em poucos dias: “Mais um caso serve para deixar em alerta as autoridades policiais. Um cidadão teve sua bicicleta roubada, reagiu e matou bandido”. NB: na primeira página do <em>Diário do Nordeste</em> (6.04.2010): “<em>Em menos de uma semana, Fortaleza viveu uma nova morte causada pelo temor causado pela insegurança. Na madrugada de ontem, no bairro Luciano Cavalcante, o ajudante de pedreiro José Cleilson de Sousa Martins, 21, não suportou ter sua bicicleta roubada, após ser violentamente atacado ao lado da namorada. Ele arriscou a vida de ambos ao tentar dominar um dos bandidos. O desfecho foi que acabou matando o criminoso com uma pedra</em>” (<em>Diário do Nordeste</em>. Fortaleza, 6. 04. 2010).</p>
<p style="text-align: justify;">Enfim, para Mannheim, somente quando a natureza peculiar da objetividade de uma configuração estrutural dinâmica for <em>apreendida</em> pode-se distinguir um <em>comportamento</em> autoritário/conservador de um tradicionalista. É o caso ainda específicamente falando de averiguar do ponto de vista da pesquisa científica, “<em>o crescente número de assassinatos de <strong>mulheres</strong> e a omissão do poder público no estado do Ceará, onde os criminosos se utilizaram de outros meios violentos, tais como espancamento, pauladas, pedradas, sufocamento e maus-tratos. Houve, inclusive, o caso de uma jovem que foi decapitada (&#8230;). A maioria absoluta dos crimes de assassinato de mulheres tem motivo passional</em>” (cf. <em>Diário do Nordeste</em>, 12 de março; 30 de abril; 27 de maio; 28 de maio de 2006; 7 de janeiro de 2007; 28 de julho de 2008 etc.).</p>
<p style="text-align: justify;">A <em>biofarmacêutica</em> Maria da Penha Maia lutou durante 20 anos para ver seu agressor condenado na cidade de Fortaleza, Ce. Desde a criação da Lei <em>Maria da Penha</em>, segundo dados da Delegacia da Mulher, foram feitos 19.528 atendimentos; 1.576 inquéritos foram enviados à Justiça; 800 agressores foram presos; e 4.600 medidas protetivas foram expedidas. Houve ainda a redução das mortes. Ela virou <em>símbolo</em> contra a violência doméstica como representante da lei que leva seu <em>nome</em>:<em> Maria da Penha</em>!</p>
<p style="text-align: justify;">Um balanço divulgado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre a aplicabilidade da Lei Maria da Penha mostra que existem, atualmente, 150.532 processos tramitando nas varas especializadas de violência doméstica e familiar contra a mulher, cuja criação está prevista na Lei. Segundo o que foi divulgado pela mídia, dois anos e sete meses depois de sancionada a legislação, o Relatório aponta que foram decretadas 11.175 prisões em flagrante e 915 preventivas. Dos 75.826 processos que já tiveram sentença, 1.808 levaram o réu para trás das grades &#8211; 2% do total. Em relação às medidas protetivas, como retirar o agressor de casa ou impedi-lo de aproximar-se da vítima, foram 88.972 pedidos desde a criação da lei, mas apenas 19,4 mil (ou 22%) deferidos, segundo o balanço (Cf. Soares, CLAM, 15.04.2009).</p>
<p style="text-align: justify;">No caso brasileiro, a presença do pensamento <em>autoritário</em> tendo como prócer Oliveira Vianna (cf. Vianna, 1933: 373 e ss; Vianna, 1930; 89 e ss) na vida intelectual deste século foi freqüentemente subestimada, especialmente entre os que passaram a viver os problemas políticos e sociais de forma plenamente consciente a partir da década de 1960, época que culminaria em sucessivos golpes político-militares de Estado, não só no Brasil, mas de resto em boa parte da América Latina (cf. Comblin, 1976; 1980). Isto porque para Vianna, “o sentimento da unidade social, o patriotismo local, não se havia podido ali formar, não só porque os elementos originários, com que se constituiu aquela população, eram, em regra, tipos de homens de aventura, com o temperamento e a psicologia específica de homens de aventura; como mesmo porque estávamos diante de uma sociedade dispersíssima, cuja densidade demográfica era por aquela época muito inferior a 0,2 habitantes por km² &#8211; a densidade média do centro amazônico, segundo os melhores cálculos estatísticos” (Vianna, 1930:93).</p>
<p style="text-align: justify;">Esta presença se faz notar, por um lado, quando vemos o interesse na <em>publicação</em> de suas “obras completas” num país naquele período avesso “à leitura”, onde “o desprezo pela leitura assume dimensões de doença crônica” (cf. Rizzo, 1998), e por outro, quando essa “redescoberta” vem sendo difundida pelos <em>integralistas</em>, ou, por obscuros profissionais liberais transformados em administradores no interior de um vasto país. Mais do que isso: é possível seguir o rastro da sua presença em alguns produtos intelectuais do extinto <em>Instituto Superior de Estudos Brasileiros</em> (ISEB). Menos contraditória, mas sem dúvida inesperada, é a sua influência sobre o curso de história da educação da antiga Faculdade Nacional de Filosofia, posteriormente Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro leiam-se a introdução às <em>Instituições Políticas Brasileiras</em>, de Oliveira Vianna e saber-se-á imediatamente de onde foi tirada grande parte do conteúdo do curso introdutório à <em>História da Educação</em> e como “mitos reacionários” podem chegar a atuar sobre “ingênuas adolescentes recém-saídas da escola normal”, como também no então Departamento de Sociologia e Política da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, PUC-RJ.</p>
<p style="text-align: justify;">Na <em>Apresentação &#8211; Uma Vida sem Violência</em>, Maria da Penha afirma o seguinte: “a Lei Federal nº. 11.340, representa um marco na história de luta dos movimentos de mulheres. Ela veio para corrigir a desigualdade de poder que existe entre homens e mulheres em nossa sociedade e que se expressa de forma oculta, protegida pelas paredes ´do lar` e naturalizada pela cultura machista (&#8230;). Em 2001 o Brasil foi condenado pela CIDH – Comissão Interamericana de Direitos Humanos ´ante a impunidade e o padrão de ineficácia da ação judicial e tolerância estatal frente aos casos de violência doméstica contra as mulheres no Brasil`(&#8230;) ´a violação contra Maria da Penha faz parte de um padrão geral de negligência e falta de efetividade do Estado para processar e condenar aos agressores, e prevenir essas práticas degradantes<em>” </em>(cf.<em> </em>Lei Maria da Penha, p. 7).<em> </em></p>
<p style="text-align: justify;">Para Marilena Chauí no texto <em>Apontamentos para uma Crítica da Ação Integralista Brasileira</em> (1978: 32 e ss), um intérprete que freqüente os textos dos historiadores e cientistas sociais, o <em>autoritarismo</em> brasileiro torna-se compreensível na medida em que são esclarecidas tanto a <em>gênese</em> histórica de sua eficácia quanto a <em>natureza</em> de suas manifestações conjunturais mais flagrantes como vemos nos exemplos acima no que se refere às vítimas da violência doméstica. No entanto, em outro registro, o enigma do autoritarismo brasileiro permanece, isto é, fica a pergunta: como se entrelaçam debilidade teórica e eficácia prática?  O que pode suscitar no intérprete um impulso à desqualificação imediata do discurso autoritário, como ocorre, por exemplo, a Sergio Buarque de Hollanda, em <em>Raízes do Brasil</em>, ao considerar o Integralismo um produto das elocubrações de “intelectuais neurastênicos”, ávidos de “obter a chancela, o <em>nihil obstat</em> da autoridade civil”. Ou, em Dante Moreira Leite quando começa a escrever acerca de Oliveira Vianna. Apesar das críticas – e felizmente já havia no Brasil, quem percebesse os absurdos de suas afirmações, a ausência de documentos – esses livros tiveram várias edições e foram citados a sério, ou, como afirma Chauí, “como se representassem algo mais do que a imaginação doentia de um homem que deve ter sido profundamente infeliz”.</p>
<p style="text-align: justify;">Desnecessário dizer que, sobre Oliveira Vianna, são amplamente conhecidos os ensaios críticos de Astrojildo Pereira (1929), Nelson Werneck Sodré (1961), Breschiani (1973), Vanilda Paiva (1978), Cerqueira Filho (1982), Iglésias (2000) antevistos por Antonio Gramsci (1974, 1975, 1990) como aparece em <em>Problèmes de Culture. Le racisme, Gobineau et les origines de la philosophie de la práxis</em>, onde afirma o seguinte:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>“</em>Il faut lire la Vita di Gobineau écrire par Lorenzo Gigli, pour voir si Gli a réussi à reconstituir exactement l`histoire des idées racistes e à les insérer dans la cadre historique de la culture moderne. Il faut pour cela reprendre les choses à partir des tendances historiographiques de la France de la Restauratión e de Louis-Philippe (Thierry, Mignet, Guizot) et de la problématique qui voir l`histoire française comme une lute séculaire entre l`aristicratie germanique (franque) et le peuple d`origine gauloise ou gallo-romaine<em>” </em>(Gramsci, 1990: 290).</p>
<p style="text-align: justify;">Para o que nos interessa os autores se concentraram sobre o caráter <em>racista</em> e de apologia das frações das classes dominantes que permeia a obra <em>Raça e Assimilação</em> (1934), <em>Instituições Políticas Brasileiras</em> (1949, 2 vols.), mormente <em>Populações Meridionais do Brasil</em> (1952) e sobre o período da legislação trabalhista contida na Carta de 1937 de inspiração fascista. As influências menores sofridas por Oliveira Vianna, são numerosas, como indica-nos Chauí (1978), mas no caso de Paiva (1978) pretende-se apenas acompanhar a influência dos teóricos da geração seguinte: Vacher de Lapouge (1854-1936) e Gustave le Bon (1841-1931).</p>
<p style="text-align: justify;">Para Chauí, “<em>o pensar autoritário tem a peculiaridade de precisar recorrer a certezas decretadas antes do pensamento e fora dele para que possa entrar em atividade. Seria ilusório supor que o pensamento autoritário desemboque numa exigência de obediência, pois esta é seu próprio ponto de partida: precisa de certezas prévias para poder efetuar-se e vai buscá-las tanto em fatos quanto em ´teorias`. Mais do que isto: é a própria maneira de manipular os fatos ou de assegurar-se com uma teoria que assinala a necessidade de submeter-se para melhor submeter a seguir. Os fatos reduzem-se a exemplos e provas enquanto a teoria se reduz a um esquema formal ou, como se costuma dizer, a um modelo. Dando ao real o estatuto de mero exemplo empírico e à teoria o papel de arcabouço vazio para conteúdos variáveis, o pensamento autoritário livra-se da exigência perturbadora de defrontar-se com o que ainda não foi pensado (o real posto aqui e agora) e de compreender o trabalho de uma teoria onde forma e conteúdo não se separam, pois trata-se nela de tornar inteligível a opacidade de uma experiência nova e ainda não conceituada</em>” (Chauí, 1978: 37-38).</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Compreende-se bem que Oliveira Vianna tenha exercido certa atração sobre os elementos que hoje se dedicam à mesma tarefa. O seu “pseudonacionalismo” e o seu “pseudopopulismo”, apresentados sob uma aparência científica, têm, no entanto conduzido a muitos equívocos, como o de, por exemplo, operar: “como arsenal de argumentos e armas ideológicas das forças reacionárias, autoritárias e anti-nacionais; ela está dedicada à apologia das classes dominantes e ao combate à democracia, à justificação do racismo e da exploração imperialista. Uma ‘redescoberta’ de O. Vianna pelas esquerdas só pode ocorrer, portanto, pelo absurdo, ou seja, pelo pinçamento de algumas idéias que, retiradas do seu contexto e isoladas de suas conexões, deixam de ter algo a ver com o referido autor. A aparência nacionalista e populista de seus escritos precisa, por isso, ser analisada dentro do conjunto da obra” (Paiva, 1978:128-129).</p>
<p style="text-align: justify;">De fato, um traço negativo, obscuro, na obra de Oliveira Vianna é o <em>preconceito racial</em>. A força e o perigo dos <em>preconceitos</em> se explicam, entre outros, pelo fato de terem sempre oculto dentro de si algo do passado. Examinando com atenção, percebemos que um preconceito genuíno sempre esconde algum juízo anteriormente formado que em sua origem teve uma base apropriada e legítima na experiência e evoluiu como preconceito por ter sido arrastado ao longo do tempo sem ter sido reexaminado ou revisto. Nesse aspecto, expressar um preconceito é coisa bem diferente de um palpite. Este não vai além do âmbito da conversa, como vemos na perspectiva de hermenêutica de Gadamer, “onde as opiniões e juízos mais heterogêneos são jogados de um lado para outro como fragmentos de vidro em um caleidoscópio”. O perigo do preconceito é o fato de sempre estar ancorado no <em>passado</em> como memória – tão notavelmente bem ancorado, muitas vezes, que não só antecipa e bloqueia o juízo, mas também torna impossíveis tanto o próprio quanto a autêntica experiência do presente. Para dissipar os preconceitos, devemos primeiramente descobrir dentro deles os <strong>juízos passados</strong>, ou seja, “desvelar a verdade que possam conter”. Do contrário, batalhões de oradores ilustrados e bibliotecas inteiras não servem para nada, como deixam cristalinamente claro os esforços infindáveis e infindavelmente infrutíferos para resolver questões carregadas de antigos preconceitos, como os problemas dos judeus ou dos negros nos Estados Unidos, ou das mulheres espancadas ou assassinadas no estado do Ceará, para ficarmos nestes exemplos.</p>
<p style="text-align: justify;">Em assim sendo, dado que o <em>preconceito</em> se antecipa ao <em>juízo</em> recorrendo ao passado, sua justificação temporal se limita aos períodos da história – em termos quantitativos a maior parte dela – em que o novo é relativamente raro e o velho predomina no tecido político e social. Em nossa utilização geral, afirma Hannah Arendt, <em>a palavra “juízo” </em>tem dois significados que se devem distinguir com clareza, mas que se confundem sempre que falamos. Juízo significa, primeiramente, “organização e subsunção do individual e particular  ao geral e universal, procedendo-se então a uma avaliação ordenada com a aplicação de parâmetros pelos quais se identifica o concreto e de acordo com decisões”. Esse juízo que não conhece parâmetro só pode recorrer à evidência do que está sendo julgado, e seu único pré-requisito é a faculdade de julgar, o que tem muito mais a ver com a capacidade de discernir do que com a capacidade de organizar e subordinar. Tais juízos sem parâmetros nos são bastante familiares quando se trata de questões de estética e gosto, que, como observou Immanuel Kant, não se podem “discutir”, mas de que se pode, seguramente, discordar e concordar. Na nossa vida cotidiana isso se verifica sempre que dizemos, em face de uma situação desconhecida, que fulano ou beltrano “fez um juízo correto ou equivocado” (Arendt, 2009: 154-155).</p>
<p style="text-align: justify;">No sentido histórico, “a raça brasileira e, de um modo geral, a sul-americana, tem um sentido cósmico originado das fontes étnicas. Essa origem próxima da Terra apresenta-nos como uma transposição de planos históricos, transladando as eras primitivas para o século da Máquina. A idade da pedra convive com a idade do rádio. O luxo moderníssimo de Copacabana é contemporâneo das malocas e tabas selvagens” (Chauí, 1978: 40-41).  E, no sentido ideológico, Oliveira Vianna desprezando as teses desenvolvidas pela antropologia social contemporânea como entendemos no ensaio <em>Uma História da Antropologia </em>(cf. Leaf, 1981), não teve clara compreensão da formação do processo histórico-social brasileiro e a relação entre classes sociais no Brasil. Nega a existência da luta de classes (inconsciente), enquanto a leitura de seus textos a confirma (consciente). Seu racismo é um racismo de colonização; é um racismo de desprezo pelo povo, de apologia às elites políticas. Acaba jogando água para o moinho do autoritarismo/totalitarismo de corte fascista em voga em época marcada pela sedução da direita ultra-conservadora.</p>
<p style="text-align: justify;">Bibliografia geral consultada:</p>
<p style="text-align: justify;">ZIZEK, Slavoj, <em>A Visão em Paralaxe. São Paulo: Boitempo, 2008; VIANNA, F. J. de Oliveira, Pequenos Estudos de Psicologia Social</em>. São Paulo: Ed. Revista do Brasil, 1921; Idem, <em>Problemas de Política Objectiva</em>. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1930; Idem, <em>Raça e Assimilação</em>. 2<sup>a</sup> edição. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1934; Idem, <em>Evolução do Povo Brasileiro</em>. 3<sup>a</sup> edição. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1938; Idem, <em>Instituições Políticas Brasileiras</em>. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1949, 2 volumes; Idem, <em>Populações Meridionais do Brasil</em>. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1952; COMBLIN, Pe. Joseph, “The National Security Doctrine”. In: <em>The Repressive State: the Brazilian national security doctrine and Latin America.</em> Toronto: LARU, 1976; RIZZO, Sérgio, “O país que não lê: o desprezo pela leitura assume dimensões de doença crônica nacional”. In: <em>Educação</em>. São Paulo, v. 25, n° 207, jul., 1998; CHAUÍ, Marilena de Souza, “Apontamentos para uma crítica da Ação Integralista Brasileira”. In: Marilena Chauí e Maria Sylvia Carvalho Franco<em>, Ideologia e Mobilização Popular</em>.  Rio de Janeiro: Paz e Terra; Centro de Estudos e Cultura Contemporânea, 1978; Astrojildo Pereira, <em>Crítica Impura</em>. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1963; Nelson Werneck Sodré, <em>A ideologia do colonialismo</em>. Rio de Janeiro: ISEB – Instituto Superior de Estudos Brasileiros, 1961; BRESCIANI, M. S. Martins, “A Concepção de Estado em Oliveira Vianna”. In: <em>Revista de História</em>, n° 94. São Paulo, abril/junho de 1973; PAIVA, Vanilda, “Oliveira Vianna: Nacionalismo ou Racismo?”. In: <em>Encontros com a Civilização Brasileira</em>. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, n˚ 3, setembro de 1978; CERQUEIRA FILHO, Gisálio, <em>A ‘Questão Social’ no Brasil: Crítica do Discurso Político</em>. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1982 (Tese de Doutorado); IGLÉSIAS, Francisco, <em>Trajetória política do Brasil – 1500-1964</em>. São Paulo: Companhia das Letras, 2000; GRAMSCI, Antonio, <em>Conceito de nacional-popular</em>. Teoria. Obras Escolhidas. Vol. II. Lisboa: Editorial Estampa, 1974; Idem, <em>Gli intellettuali e l`organizazione della cultura</em>. Torino: Ed. Einaudi, 1975; GOLDENBERG, Mirian, <em>Infiel – Notas de uma Antropóloga</em>. Rio de Janeiro: Record, 2006;  Idem, <em>Ser Homem, Ser Mulher: Dentro e Fora do Casamento</em>. Rio de Janeiro: Revan, 1991; Idem, “O macho em crise: um tema em debate dentro e fora da academia”. In: <em>Os Novos Desejos.</em> Rio de Janeiro: Record, 2000; GADAMER, Hans-Georg, <em>Wahrheit und Methode: Grundzüge einer philosophischen Hermeneutik</em>.Tübingen, Mohr, 1960; ARENDT, Hannah, <em>A Dignidade da Política</em>. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2002.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.oreconcavo.com.br/2010/07/19/%e2%80%9cviolencia-enquadrada%e2%80%9d-lei-maria-da-penha-por-ubiracy-de-souza-braga/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Serra comprova: a ira é imperialista</title>
		<link>http://www.oreconcavo.com.br/2010/07/16/serra-comprova-a-ira-e-imperialista/</link>
		<comments>http://www.oreconcavo.com.br/2010/07/16/serra-comprova-a-ira-e-imperialista/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 17 Jul 2010 01:32:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carmo Charles</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.oreconcavo.com.br/?p=6995</guid>
		<description><![CDATA[Quando a cólera domina o homem, passa a controlar o seu corpo, seus gestos, sua feição, suas palavras, tudo. A ira é imperialista. Pergunto aqui: qual de vocês, leitores sensatos, não reconhece um rosto de um homem com ódio? Quem não detecta uma fala irada? Não sou especialista no assunto, mais creio que o reconhecimento [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">
<div id="attachment_6996" class="wp-caption aligncenter" style="width: 213px"><a href="http://www.oreconcavo.com.br/wp-content/uploads/2010/07/mau-humor.jpg"><img class="size-full wp-image-6996 " title="mau humor" src="http://www.oreconcavo.com.br/wp-content/uploads/2010/07/mau-humor.jpg" alt="" width="203" height="255" /></a><p class="wp-caption-text">Moe Howard, o hilário pateta mau humorado. Na política não teria graça. </p></div>
<p style="text-align: justify;">Quando a cólera domina o homem, passa a controlar o seu corpo, seus gestos, sua feição, suas palavras, tudo. A ira é imperialista. Pergunto aqui: qual de vocês, leitores sensatos, não reconhece um rosto de um homem com ódio? Quem não detecta uma fala irada?</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Não sou especialista no assunto, mais creio que o reconhecimento destes códigos corporais é uma herança atávica, importante para a sobrevivência dos indivíduos e as relações sociais dos grupos. Aprendemos a reconhecê-los e reagimos de acordo com cada um deles, cada código causando uma reação diferente.</p>
<p style="text-align: justify;">Isto posto, imagino os brasileiros que passam a ouvir e assistir, a cada dia, as entrevistas do candidato José Serra. E passam a olhar bem no fundo de seus olhos. E abrem os ouvidos para as palavras que saem da sua boca e, não raro, para o desequilíbrio com que são ditas.</p>
<p style="text-align: justify;">Cada vez mais freqüente, os ataques do candidato José Serra aos profissionais de imprensa misturam-se aos ataques ao PT e são filtrados pelas lentes dos eleitores e vão, ataque a ataque, aumentando a rejeição do tucano.</p>
<p style="text-align: justify;">O brasileiro, na qualidade de membro permanente da espécie humana, sabe reconhecer um candidato desesperado. Gestos públicos de arrogância e descontrole emocional não contribuirão em nada para mudar o quadro eleitoral.</p>
<p style="text-align: justify;">Serra, um<em><strong> h</strong></em><em><strong>omo politicus, <span style="font-style: normal;"><span style="font-weight: normal;">deveria saber disso. E sabe, mas a ira é imperialista.</span></span></strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Por Charles Carmo</p>
<p><em><strong> </strong></em></p>
<p><em><strong> </strong></em></p>
<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/ZyBPS3TG_ys&#038;fs=1" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed src="http://www.youtube.com/v/ZyBPS3TG_ys&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/zSg3lhAim3g&amp;feature&#038;fs=1" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed src="http://www.youtube.com/v/zSg3lhAim3g&amp;feature&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/dRCFA3VdLxY&amp;feature&#038;fs=1" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed src="http://www.youtube.com/v/dRCFA3VdLxY&amp;feature&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/rlPrV--StUk&#038;fs=1" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed src="http://www.youtube.com/v/rlPrV--StUk&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/-DphJFHyzbo&#038;fs=1" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed src="http://www.youtube.com/v/-DphJFHyzbo&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p>Este último vídeo é mais antigo, entretanto, é relevante exemplo de quando um político deveria ter calado a boca.</p>
<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/FI7khlJEdxU&amp;feature=related&#038;fs=1" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed src="http://www.youtube.com/v/FI7khlJEdxU&amp;feature=related&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.oreconcavo.com.br/2010/07/16/serra-comprova-a-ira-e-imperialista/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Holanda: História, Política &amp; Futebol. Por Ubiracy de Souza Braga</title>
		<link>http://www.oreconcavo.com.br/2010/07/08/holanda-historia-politica-futebol-por-ubiracy-de-souza-braga/</link>
		<comments>http://www.oreconcavo.com.br/2010/07/08/holanda-historia-politica-futebol-por-ubiracy-de-souza-braga/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 08 Jul 2010 19:31:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carmo Charles</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.oreconcavo.com.br/?p=6933</guid>
		<description><![CDATA[Ubiracy de Souza Braga é sociólogo (UFF), cientista político (UFRJ), doutor em comunicação social (USP) e professor da coordenação do curso de ciências sociais da UECE – Universidade Estadual do Ceará.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_6934" class="wp-caption aligncenter" style="width: 323px"><a href="http://www.oreconcavo.com.br/wp-content/uploads/2010/07/holandesas.jpg"><img class="size-full wp-image-6934" title="holandesas" src="http://www.oreconcavo.com.br/wp-content/uploads/2010/07/holandesas.jpg" alt="" width="313" height="187" /></a><p class="wp-caption-text">Fonte: Diário do Nordeste, Fortaleza - Ceará</p></div>
<p><strong><em>“</em><em>Nossa autoestima como nação se apóia, sobretudo, na bola. Não ganhamos nenhum prêmio Nobel; nosso único santo, frei Galvão, ainda é pouco conhecido. Porém, somos o único país do mundo pentacampeão de futebol”.</em></strong></p>
<p><strong>Frei Betto</strong></p>
<p>1 – História e Política: <em>“capital legal do mudo”. </em></p>
<p>A gênese do capitalista industrial não se processou de um modo gradual como a do agricultor. É indiscutível para Marx e Engels, que muitos pequenos mestres de corporações e até pequenos artesãos mais independentes, ou mesmo trabalhadores assalariados, se transformaram em pequenos capitalistas e (através da extensão do trabalho assalariado e da correspondente acumulação) em capitalista. Na infância da produção capitalista, as coisas passaram em grande parte como na infância das cidades, onde a questão do saber qual dos servos evadidos devia ser o senhor e qual devia ser o servo foi muitas vezes decidida pela mais recente ou mais tardia de sua fuga. Para ambos, o passo de caracol deste método não correspondia de modo algum às exigências comerciais do novo mercado mundial que as grandes descobertas do fim do século XV tinham criado. Mas a Idade Média tinha deixado por herança duas formas distintas de capital, amadurecidas no interior das mais diversas formações econômicas, e que, antes do modo de produção capitalista, são consideradas de qualquer forma o capital usuário e o capital mercantil.</p>
<p>A descoberta do ouro e da prata na América, a extirpação, escravização e enterramento das populações autóctones nas minas, o começo da conquista e pilhagem nas Índias Orientais, a transformação da África numa espécie de coutada para a caçada comercial à peles-negras assinalavam o despontar da era capitalista. Estes processos idílicos são e representam, pois o ponto mais importante da acumulação primitiva. No seu seguimento, vem a guerra comercial das nações européias, que “tiene como teatro todo el globo terráqueo” (Marx, 1973: 731). Daí ser possível admitir Marx como o precursor da crítica analítica da idéia em sua progênie, hoje comum, da <em>globalização</em>. Ela começa com a revolta da Holanda contra a Espanha, assume dimensões gigantescas com a guerra anti-jacobina da Inglaterra e continua ainda com as guerras do ópio contra a China etc. Marx refere-se noutro lugar que a “razão desta erupção foi indiscutivelmente proporcionada pelo canhão inglês que lançou à força sobre a China essa droga soporífera chamada ópio” (Marx, 1973; 1978). Sobre este aspecto vejamos o que nos diz Burns (1967):<span id="more-6933"></span></p>
<p>“<em>Entrementes, as potências européias começavam a demarcar novas concessões para si mesmas no continente asiático. Muito antes de 1870 algumas nações européias se haviam empenhado em aventuras de conquistas territorial no Oriente. Já em 1582 os russos tinham atravessado os Urais e, em menos de um século, alcançaram o Pacífico. Em 1763, após eliminar os seus rivais franceses na posse da Índia, os ingleses começaram a subjugar e desenvolver esse país, cuja maior parte foi convertida, em 1858, em possessão da coroa britânica. Em conseqüência da chamada <strong>Guerra do Ópio</strong> (1842), a Inglaterra forçou os chineses a ceder Hong Kong, e poucos anos depois os franceses estabeleceram um protetorado na Indochina. Em 1858 a Rússia tomou posse de todo o território ao norte do rio Amur e pouco depois fundou a cidade de Vladivostok (Senhora do Ocidente), também em território extorquido à China</em>” (Burns, 1967: 753). <em> </em></p>
<p>Destarte as diferentes formas de <em>acumulação primitiva </em>distribuem-se pelas formas sociais pioneiras que sustentam com a <em>força bruta</em> o sistema colonial. Pode-se dizer que todas elas empregam o poder de Estado, a força concentrada e organizada da sociedade, para precipitar, como numa estufa, o processo de transformação do modo de produção feudal em modo capitalista e para abreviar a transição. Como diz Marx, “a força é a parteira de qualquer velha sociedade dentro da qual existe uma nova. É ela própria um poder econômico”. Marx faz referência a W. Howitt em seu texto <em>Colonization and Christianity</em> (Londres, 1838) para melhor compreender o sistema colonial cristão: “As barbaridades e atrocidades desesperadas da chamada raça cristã, em todas as regiões do mundo e contra todos os povos que conseguiu submeter, não encontraram paralelo nas de nenhuma raça, por mais grosseira, selvagem, impiedosa e sem vergonha que ela seja, em nenhuma época da história”.</p>
<p>A própria história da administração colonial holandesa, para Marx, “é a história da mais extraordinária lista de traições, subornos, massacres e baixezas”. Nada há de mais característico do que seu sistema de roubar homens para arranjar escravos em Java. Os ladrões de homens eram considerados especialmente treinados. O <em>ladrão</em>, o <em>intérprete</em> e o <em>vendedor</em> como é retratado no filme <em>Mediterrâneo</em> de Gabriele Salvatores (cf. <em>Mediterrâneo</em>, Itália, 1991, 92 minutos, Vídeo Arte) eram os principais <em>agentes </em>deste comércio, os príncipes nativos os principais vendedores. Os jovens apanhados eram encerrados nos calabouços secretos dos Celebes até poderem ser embarcados nos navios escravos.</p>
<p>Diz um relatório oficial: “só a cidade de Macassar está cheia de prisões secretas, cada uma delas mais horrível do que a outra, cheia de desgraçados vítimas da cupidez e da tirania, cheios de grilhetas e correntes, arrancados à força às suas famílias”. Para se apoderarem de Malaca, os holandeses subornaram o governador português. Este os deixou entrar na cidade em 1641. Os holandeses foram imediatamente diretos à sua residência e assassinaram-no, para se “absterem” de pagar 21.875  libras, o preço da traição. Onde quer que cheguem, seguia-se a devastação e o despovoamento, Banjuwangi, uma província de Java, tinha em 1750 mais de 80 mil habitantes; em 1811 tinha apenas 18 mil.</p>
<p>Mesmo nas colônias propriamente ditas, o caráter cristão da acumulação primitiva nunca se contradisse a si próprio. Os sábios virtuosos do <em>protestantismo</em>, partidários da <em>Reforma</em> que entre luteranos, calvinistas, anglicanos, etc., representaram um <em>movimento religioso</em> dos começos do séc. XVI que com a ruptura com a Igreja Católica do séc. XVI originaram numerosas igrejas cristãs dissidentes. A teologia, “é paradigmática desta última conceitualização filosófica e científica do cosmo”. Embora a teologia possa estar mais próxima da mitologia no conteúdo religioso de suas definições da realidade, está mais próxima das mais recentes conceitualizações secularizadas em sua relação social, posto que, “ao contrário da mitologia, as outras três formas historicamente dominantes de mecanismos conceituais passam a ser propriedade de elites de especialistas, cujos corpos de conhecimento foram crescentemente afastados do conhecimento comum da sociedade em conjunto” (Berger &amp; Luckmann 1985:152).</p>
<p>Politicamente falando propuseram um conjunto de mudanças efetuadas na Igreja como fim de torná-las mais fiel à forma de suas origens. Isto fez os puritanos da Nova Inglaterra, imbuídos pelas idéias colonialistas e instituíram em 1673 por intermédio de sua Assembléia, um prêmio de 40 libras por cada “escalpo índio” e por cada “pele vermelha” capturado; em 1720, um prêmio de 100 libras por cada escalpo; em 1744, depois de <em>Massachusets-Bay</em> ter proclamado como rebelde uma “determinada tribo”, ofereciam-se os seguintes preços: por um escalpo masculino de 12 anos ou mais idade, 100 libras (novo câmbio); por prisioneiro masculino, 105 libras; por cada mulher ou criança prisioneiras, 50 libras; por escalpo de mulher ou criança, 50 libras.</p>
<p>Algumas décadas mais tarde, o sistema colonial vingou-se nos descendentes destes piedosos colonos, que, entretanto se tinham tornado rebeldes. Por instigação dos ingleses e a seu soldo, estes eram mortos pelas lanças de guerra dos peles-vermelhas. O parlamento britânico proclamou o suborno dos nativos e o escalpamento literalmente como “meios que Deus e a natureza tinham à sua disposição”. O “sistema colonial”, funcionando como se fosse uma estufa, fez crescer o comércio e a navegação. As <em>Gesellschaften Monopolia</em> de Lutero eram poderosas alavancas para a concentração de capitais. As colônias garantiam um mercado para as novas manufaturas e, através do monopólio de mercado, uma acumulação crescente. Os tesouros roubados fora da Europa, pela pilhagem descarada, pela escravização e pelo assassínio, eram reinviadas ao país de origem, onde se transformavam em capital.</p>
<p>A Holanda, o primeiro país a desenvolver plenamente <em>o sistema colonial</em>, em 1648 tinha atingido o apogeu da sua grandeza comercial. Estava na posse, segundo G. Gülich no ensaio <em>Geschichtliche Darstelung</em>, (Jena, 1830, vol. 1) citado por Marx, “quase exclusiva do comércio da Índia Oriental e do comércio entre o Sudeste e Nordeste da Europa. O seu direito de pesca, a sua marinha e as suas manufaturas ultrapassavam as de qualquer país. O capital total da República devia ser superior ao do conjunto de todo o resto da Europa”. Todavia como adverte Marx, “Gülich esquece-se de acrescentar que pelas alturas de 1648 o povo da Holanda era mais sobre-explorado no seu trabalho, mais pobre e mais brutalmente oprimido do que todos os povos da Europa”.</p>
<p>Contudo, pode-se afirmar que não muito tempo após o começo do século XIX, o tipo de imperialismo alimentado pela Revolução Comercial entrou em vias de extinção. Poucos homens públicos havia ainda que se propusessem defendê-lo; alguns até o condenavam categoricamente, sustentando que as colônias não valiam o que custava adquiri-las e mantê-las. As causas dessa mudança de atitude podem ser encontradas em fatores tais como a decadência do mercantilismo e o inteesse absorvente pelo desenvolvimento interno que acompanhou as primeiras fases da Revolução Industrial. À decadência desse primeiro imperialismo segui-se uma pronunciada acalmia na luta pela conquista de possessões externas até por volta de 1870, quando essa atividade se renovou com maior vigor e em escala ainda mais ampla.</p>
<p>Além das diferenças quantitativas, o <em>novo</em> imperialismo apresentava outros notáveis contrastes com o antigo. Enquanto a luta pelo império durante a Revolução Comercial se limitava mormente ao Hemisfério Ocidental e às ilhas tropicais, os teatros principais do imperialismo a partir de 1870, foram a África e a Ásia. Este imperialismo <em>mercantilista </em>orientava-se principalmente no sentido de engrandecer o poder e a riqueza do Estado – acumular ouro nos cofres públicos, para que o governo pudesse manter os exércitos e equipar as armadas; o novo imperialismo agia em benefício dos cidadãos ricos da metrópole, proporcionando saída às suas mercadorias e oportunidades de emprego para o seu capital excedente. As matérias-primas mais ardentemente desejadas pelos imperialistas dos primeiros tempos eram o ouro, a prata, os produtos tropicais e os abastecimentos navais; os novos imperialistas interessavam-se pouco por tais coisas, mas buscavam àvidamente <em>territórios</em> ricos em ferro, cobre, petróleo, manganês e trigo. Como última diferença podemos assinalar o fato de que o antigo imperalismo em geral desencorajava a emigração em larga escala para as colônias, ao passo que um dos objetivos principais do novo é a aquisição de colônias para abrigar o excesso de população das metrópoles.</p>
<p>Enfim, os maiores fatores do revivescimento do imperialismo após 1870 podem, indubitavelmente, ser encontrados na Segunda Revolução Industrial. A industrialização, ao alastrar-se por outros países além da Inglaterra, determinou extensa competição por mercados  e por fontes de de matérias-primas. A despeito do problema de encontrar saída para o excesso de produtos manufaturados, o governo da maioria dos países acabou cedendo à pressão dos capitalistas que reclamavam tarifas protetoras. Resultou daí uma produção ainda mais elevada e a conseqüente procura de novas colônias como mercados de escoamento para os produtos que a metrópole não podia consumir. Eram tais condições tornou-se virtualmente impossível a prossecução do regime de livre-câmbio internacional, que parecia tão promissor para a paz e a prosperidade do mundo. Queremos dizer com isso que, o novo imperialismo foi em grande parte um produto do <em>nacionalismo</em> e do desenvolvimento de um amplo programa de atividades apostólicas por parte das igrejas da Europa e da América do Norte.</p>
<p>2 – História e Futebol: Cidade do Cabo vira Amsterdã.</p>
<p>Os <strong>Países Baixos</strong>, em <a title="Língua neerlandesa" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_neerlandesa">neerlandês</a>: <em>Nederland</em>, literalmente “país baixo”, são um <a title="País" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pa%C3%ADs">país</a> da <a title="Europa Ocidental" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Europa_Ocidental">Europa Ocidental</a> que constitui a maior parte do <a title="Reino dos Países Baixos" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Reino_dos_Pa%C3%ADses_Baixos">Reino dos Países Baixos</a>. É uma <a title="Monarquia constitucional" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Monarquia_constitucional">monarquia constitucional</a> <a title="Democracia parlamentar" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Democracia_parlamentar">democrática parlamentar</a>. As fronteiras dos Países Baixos são com o <a title="Mar do Norte" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mar_do_Norte">Mar do Norte</a> a norte e a oeste, com a <a title="Bélgica" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/B%C3%A9lgica">Bélgica</a> ao sul e com a <a title="Alemanha" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Alemanha">Alemanha</a> a leste. A capital é <a title="Amsterdã" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Amsterd%C3%A3">Amsterdã</a> e a sede do governo é <a title="Haia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Haia">Haia</a>. Os Países Baixos são freqüentemente chamados de <strong><a title="Holanda (topónimo)" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Holanda_%28top%C3%B3nimo%29">Holanda</a></strong>, o que é formalmente incorreto, já que as Holandas do <a title="Holanda do Norte" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Holanda_do_Norte">Norte</a> e do <a title="Holanda do Sul" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Holanda_do_Sul">Sul</a> são duas de suas doze <a title="Província" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Prov%C3%ADncia">províncias</a>. O gentílico <em>holandês</em> é o normalmente utilizado para se referir ao povo, à língua e a qualquer coisa que pertença aos Países Baixos, embora mantenha a ambiguidade. Neerlandês é o gentílico não-ambíguo, alternativo.</p>
<p>Sendo uma das primeiras <a title="Democracia parlamentar" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Democracia_parlamentar">democracias parlamentares</a>, os Países Baixos são um país moderno desde o seu início. Entre outras afiliações, o país é membro fundador da <a title="União Europeia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Uni%C3%A3o_Europeia">União Europeia</a> (UE), da <a title="OTAN" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/OTAN">OTAN</a>, da <a title="OCDE" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/OCDE">OCDE</a>, da <a title="OMC" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/OMC">OMC</a> e assinou o <a title="Protocolo de Quioto" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Protocolo_de_Quioto">Protocolo de Quioto</a>. Junto com a <a title="Bélgica" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/B%C3%A9lgica">Bélgica</a> e com <a title="Luxemburgo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Luxemburgo">Luxemburgo</a>, o país constitui a União Econômica do <a title="Benelux" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Benelux">Benelux</a>. O país é palco de cinco tribunais internacionais: o <a title="Tribunal Permanente de Arbitragem (página não existe)" href="http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Tribunal_Permanente_de_Arbitragem&amp;action=edit&amp;redlink=1">Tribunal Permanente de Arbitragem</a>, o <a title="Tribunal Internacional de Justiça" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Tribunal_Internacional_de_Justi%C3%A7a">Tribunal Internacional de Justiça</a>, o <a title="Tribunal Penal Internacional para a antiga Jugoslávia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Tribunal_Penal_Internacional_para_a_antiga_Jugosl%C3%A1via">Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia</a>, o <a title="Tribunal Penal Internacional" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Tribunal_Penal_Internacional">Tribunal Penal Internacional</a> e o <a title="Tribunal Especial para o Líbano" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Tribunal_Especial_para_o_L%C3%ADbano">Tribunal Especial para o Líbano</a>. Os quatro primeiros estão situados em <a title="Haia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Haia">Haia</a> assim como a sede da agência da UE de informação criminal, a <a title="Europol" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Europol">Europol</a>. Isto levou a cidade a ser apelidada de <em>“capital legal do mudo”. </em></p>
<p>A equipe laranja, algoz do Brasil nas quartas-de-final, já disputou outras duas decisões, em 1974 e 1978. Nas duas, perdeu para os anfitriões daqueles Mundiais. Na primeira, caiu para a Alemanha e, na segunda para a Argentina. Mas não foi só a Holanda que reviveu uma bela história. A chegada até a semifinal do Mundial de 2010 é a melhor campanha do Uruguai desde 1970, quando os bicampeões mundiais perderam nas semifinais para o Brasil. Até então, todas as Copas do Mundo que foram sediadas fora da Europa tiveram como campeão Brasil, Argentina ou Uruguai. O Brasil conquistou fora do velho continente quatro de seus títulos – apenas o primeiro, em 1958, foi obtido na Suécia. A segunda taça foi levantada no Chile (1962), a terceira veio no México (1970), o tetra saiu nos Estados Unidos (1994), e penta no Japão (2002). O aproveitamento europeu dentro do continente é extremamente alto: das dez Copas disputadas no continente, a única que não foi vencida por um time local foi justamente a de 1958, com o Brasil triunfando na Suécia. Nas quartas-de-final, o cenário da supremacia sul-americana fora da Europa parecia que iria se confirmar novamente. No entanto, todos os europeus venceram venceram seus confrontos e conseguiram garantir o título para o continente.</p>
<p>A torcida holandesa invadiu a Cidade do Cabo para incentivar sua seleção contra o Uruguai na semifinal da Copa do Mundo. Em todas as partes da cidade foi possível notar o grande número de torcedores, que desde cedo já pareciam ter consumido boa quantidade de bebida alcoólica. A confiança da vitória estava estampada no rosto dos aficcionados na equipe do te´cnico Bert Van Marwijik. Cantos típicos do país foram entoados a todo instante pelas avenidas que davam acesso ao estádio. O grand enúmero de holandesas, quase todas loiras, chamava atenção dos demais turistas e sul-africanos pela belza e simpatia. Vestidos com paletós, camisas, gravatas, calças e meias e até sapatos cor de laranja, os fãs de Sneijder, Robben e Cia desfilaram pelo centro e por pontos turísticos como Table Mountain e Waterfront. Um deles se destacou pelo fato de estar todo de laranja, mas com a camiseta da Seleção Brasileira, adversário que a “Laranja Mecânica” eliminou nas quartas-de-final.</p>
<p>Bibliografia Geral Consultada</p>
<p>Cf. Karl Marx e Friedrich Engels<em>, Sobre o Colonialismo</em>. Lisboa: Editorial Estampa 1978, vol. I, p. 22 e ss; Karl Marx, <em>Sobre o Colonialismo</em>. Ob. cit., vol. II, p. 157 e ss; Carlos Marx, <em>El Capital. Crítica de la  Economía Política. Libro Primero. Buenos Aires: Editorial Cartago, 1973, vol. 1, cap. XXXI, “Genesis del Capitalista Industrial”; pp. 730-740; Carlos Marx, Teorias de la Plusvalia. Madrid: Alberto Corazón Editor, 1974, vol. 1 e 2, “onde Marx debía comenzar a demonstrar algo de ´sentido comercial` en sus relaciones con los editores”; Karl Marx, Elementos fundamentales para la crítica de la economia politica (borrador) 1857-1858.</em> 4<sup>a</sup> edición corregida. Siglo Veintiuno Argentina Editores, 1973. Vols. 1-2; Jacques Arnaut, <em>História del Colonialismo</em>. Ob. cit; Jean Baechler, <em>Les Origenes du Capitalisme.</em> Paris: Éditions Gallimard, 1971, “La genèse du capitalisme”, pp. 105-180; Leo Huberman, <em>História da Riqueza do Homem</em>. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1974, onde especifica as mudanças territoriais do mapa da África que nos últimos 100 anos pertencia aos que nela habitavam etc.; pp. 259-270; T. B. Bottomore e Maximilien Rubel, <em>Sociologia e Filosofia Social de Karl Marx</em>. Textos Escolhidos. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1964, parte 3 – “Sociologia do Capitalismo”, pp. 129-207; Homi K. Bhabha, “A questão do ‘Outro’: diferença, discriminação e o discurso do colonialismo”. In: Heloisa Buarque de Holanda (org.), <em>Pós-Modernismo e Política</em>. Rio de Janeiro: Rocco, 1992, pp. 177-203. Sobre a questão da exploração da manufatura “como um centro potencial de rebelião política”. Cf. E. P. Thompson, <em>A Formação da Classe Operária Inglesa</em> &#8211; II – A maldição de Adão – v. 3.  A força dos trabalhadores. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987, pp. 11 e ss. E. P. Thompson, “Algumas Observaciones sobre Clase y ´Falsa Consciencia`”. In: <em>História Social</em>. Valencia: Instituto de Historia Social &#8211;  UNED, primavera-verano, n° 10, 1991. Do ponto de vista político Marx pode ser visto na análise biográfica de Franz Mehring, <em>Carlos Marx y los Primeros Tiempos de la Internacional. Barcelona: Ediciones Grijalbo, 1975; Peter L. Berger, A Construção Social da Realidade: tratado de sociologia do conhecimento</em>. 21ª edição. [Por] Peter L. Berger e Thomas Luckmann. Petrópolis (RJ): Vozes, 1985; Idem, P. Huntington Samuel, <em>Muitas Globalizações</em>. Rio de Janeiro: Record, 2004 entre outros.</p>
<hr size="1" /><a href="#_ftnref1">*</a> Sociólogo (UFF), Cientista Político (UFRJ), Doutor em Ciências junto à Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Professor da Coordenação do curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Ceará (uece).</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.oreconcavo.com.br/2010/07/08/holanda-historia-politica-futebol-por-ubiracy-de-souza-braga/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A velha mídia está derretendo. Por Antonio Lassance</title>
		<link>http://www.oreconcavo.com.br/2010/07/05/a-velha-midia-esta-derretendo-por-antonio-lassance/</link>
		<comments>http://www.oreconcavo.com.br/2010/07/05/a-velha-midia-esta-derretendo-por-antonio-lassance/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 05 Jul 2010 04:30:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carmo Charles</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.oreconcavo.com.br/?p=6888</guid>
		<description><![CDATA[Pesquisa aponta que quase 60% das pessoas acham que as notícias veiculadas pela imprensa brasileira são tendenciosas. Oito em cada dez brasileiros acreditam muito pouco ou não acreditam no que a imprensa veicula. Quanto maior o nível de renda e de escolaridade do brasileiro, maior o senso crítico em relação ao que a mídia veicula. Por Antonio Lassance.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="text-align: justify;"><a href="http://www.oreconcavo.com.br/wp-content/uploads/2010/07/pig.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-6889" title="pig" src="http://www.oreconcavo.com.br/wp-content/uploads/2010/07/pig.jpg" alt="" width="250" height="333" /></a></div>
<p><strong>Atentai PIG: estamos vencendo.</strong></p>
<p>Por Charles Carmo</p>
<p><strong>A velha mídia está derretendo</strong></p>
<p>Por Antonio Lassance, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e professor de Ciência Política, na <span style="color: #ff0000;"><a href="http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4695" target="_blank"><span style="color: #ff0000;"><span style="color: #000000;"><span style="color: #ff0000;"><strong>Carta Maior</strong></span></span></span></a></span><span style="color: #ff0000;">.</span></p>
<p>Como um iceberg a navegar em águas quentes e turbulentas, a velha mídia está derretendo. O mundo está mudando, o Brasil é outro e os brasileiros desenvolvem, aceleradamente, novos hábitos de informação.</p>
<p>Um retrato desse processo pode ser visto na recente pesquisa encomendada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom-P.R.), destinada a descobrir o que o brasileiro lê, ouve, vê e como analisa os fatos e forma sua opinião.</p>
<p>A pesquisa revelou as dimensões que o iceberg ainda preserva. A televisão e o rádio permanecem como os meios de comunicação mais comuns aos brasileiros. A TV é assistida por 96,6% da população brasileira, e o rádio, por expressivos 80,3%. Os jornais e revistas ficam bem atrás. Cerca de 46% costumam ler jornais, e menos de 35%, revistas. Perto de apenas 11,5% são leitores diários dos jornais tradicionais.</p>
<p>Quanto à internet, os resultados, da forma como estão apresentados, preferiram escolher o lado cheio do copo. Avalia-se que a internet no Brasil segue a tendência de crescimento mundial e já é utilizada por 46,1% da população brasileira. No entanto, é preciso uma avaliação sobre o lado vazio do copo, ou seja, a constatação de que os 53,9% de pessoas que não têm qualquer acesso à internet ainda revelam um quadro de exclusão digital que precisa ser superado. Ponto para o Programa Nacional da Banda Larga, que representa a chance de uma mudança estrutural e definitiva na forma como os brasileiros se informam e comunicam-se.</p>
<p>A internet tem devorado a TV e o rádio com grande apetite. Os conectados já gastam, em média, mais tempo navegando do que em frente à TV ou ao rádio. Esse avanço relaciona-se não apenas a um novo hábito, mas ao crescimento da renda nacional e à incorporação de contingentes populacionais pobres à classe média, que passaram a ter condições de adquirir um computador conectado.</p>
<p>O processo em curso não levará ao desaparecimento da TV, do rádio e da mídia impressa. O que está havendo é que as velhas mídias estão sendo canibalizadas pela internet, que tornou-se a mídia das mídias, uma plataforma capaz de integrar os mais diversos meios e oferecer ao público alternativas flexíveis e novas opções de entretenimento, comunicação pessoal e “autocomunicação de massa”, como diz o espanhol Manuel Castells.</p>
<p>Ainda usando a analogia do iceberg, a internet tem o poder de diluir, para engolir, a velha mídia.</p>
<p>A pesquisa da Secom-P.R. dá uma boa pista sobre o grande sucesso das plataformas eletrônicas das redes sociais. A formação de opinião entre os brasileiros se dá, em grande medida, na interlocução com amigos (70,9%), família (57,7%), colegas de trabalho (27,3%) e de escola (6,9%), o namorado ou namorada (2,5%), a igreja (1,9%), os movimentos sociais (1,8%) e os sindicatos (0,8%). Alerta para movimentos sociais, sindicatos e igrejas: seu “sex appeal” anda mais baixo que o das(os) namoradas(os).</p>
<p>Estes números confirmam estudos de longa data que afirmam que as redes sociais influem mais na formação da opinião do que os meios de comunicação. Por isso, uma informação muitas vezes bombardeada pela mídia demora a cair nas graças ou desgraças da opinião pública: ela depende do filtro excercido pela rede de relações sociais que envolve a vida de qualquer pessoa. Explica também por que algo que a imprensa bombardeia como negativo pode ser visto pela maioria como positivo. A alta popularidade do Governo Lula, diante do longo e pesado cerco midiático, talvez seja o exemplo mais retumbante.</p>
<p>Em suma, o povo não engole tudo o que se despeja sobre ele: mastiga, deglute, digere e muitas vezes cospe conteúdos que não se encaixam em seus valores, sua percepção da realidade e diante de informações que ele consegue por meios próprios e muito mais confiáveis.</p>
<p>É aqui que mora o perigo para a velha mídia. Sua credibilidade está descendo ladeira abaixo. Segundo a citada pesquisa, quase 60% das pessoas acham que as notícias veiculadas pela imprensa são tendenciosas.</p>
<p>Um dado ainda mais grave: 8 em cada 10 brasileiros acreditam muito pouco ou não acreditam no que a imprensa veicula. Quanto maior o nível de renda e de escolaridade do brasileiro (que é o rumo da atual trajetória do país), maior o senso crítico em relação ao que a mídia veicula &#8211; ou “inocula”.</p>
<p>A velha mídia está se tornando cada vez mais salgada para o povo. Em dois sentidos: ela pode estar exagerando em conteúdos cada vez mais difíceis de engolir, e as pessoas estão cada vez menos dispostas a comprar conteúdos que podem conseguir de graça, de forma mais simples, e por canais diretos, mais interativos, confiáveis, simpáticos e prazerosos. Num momento em que tudo o que parece sólido se desmancha&#8230; na água, quem quiser sobreviver vai ter que trocar as lições de moral pelas explicações didáticas; vai ter que demitir os pit bulls e contratar mais explicadores, humoristas e chargistas. Terá que abandonar o cargo, em que se autoempossou, de superego da República.</p>
<p>Do contrário, obstinados na defesa de seus próprios interesses e na descarga ideológica coletiva de suas raivas particulares, alguns dos mais tradicionais veículos de comunicação serão vítimas de seu próprio veneno. Ao exagerarem no sal, apenas contribuirão para acelerar o processo de derretimento do impávido colosso iceberg que já não está em terra firme.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.oreconcavo.com.br/2010/07/05/a-velha-midia-esta-derretendo-por-antonio-lassance/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Valente: Lula e Wagner fazem, mas o prefeito soutista Ubaldino Amaral quer a fama</title>
		<link>http://www.oreconcavo.com.br/2010/06/30/valente-lula-e-wagner-fazem-mas-o-prefeito-soutista-ubaldino-amaral-quer-a-fama/</link>
		<comments>http://www.oreconcavo.com.br/2010/06/30/valente-lula-e-wagner-fazem-mas-o-prefeito-soutista-ubaldino-amaral-quer-a-fama/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 30 Jun 2010 13:49:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carmo Charles</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.oreconcavo.com.br/?p=6809</guid>
		<description><![CDATA[Por Maria Madalena Oliveira Firmo (Leninha) – Vereadora (PT/Valente), Líder da Bancada e Presidente da Comissão de Educação, Saúde, Obras e Serviços Públicos da Câmara de Vereadores de Valente. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">As assessorias de comunicação surgiram para assegurar maior clareza e qualidade às informações divulgadas pelos governos e empresas, explicitando as concepções político-institucionais que estão por orientar as ações. O Informativo da Prefeitura de Valente (Ano 02, Edição 03), elaborado pela assessoria de comunicação e amplamente distribuído junto aos moradores da sede do município (3 mil exemplares), pretende, ao que parece, a mesma finalidade.</p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, o texto do editorial do Informativo é bastante impreciso, não conseguindo mostrar uma visão estratégica do governo, porque “diz” que “a cidade de Valente tem características próprias na área política como a eleição de líderes através de fatores bastante pessoais. Ideologias, objetivos sociais (como a busca pelo progresso e o crescimento do município) e outros diferenciados como o prestígio dos valores da terra e de se estar presente no dia a dia da cidade”. Quem merece essa confusão! Tudo isso só para querer ressaltar a festa de São João como prioridade política do governo.</p>
<p style="text-align: justify;">Intitulado “governo de parcerias”, chama a atenção de quem manuseia o <strong>Informativo </strong>(com fotos!) o conjunto de ações que foram realizadas: 100 mil metros quadrados de calçamento (beneficiando ruas da sede e das comunidades rurais); uma padaria comunitária e uma casa do mel; a aquisição de 01 máquina motoniveladora (patrol); a construção de 10 praças públicas nos povoados; a reforma do aeroporto e o alargamento da pista de acesso à cidade; o acesso à água potável e eletrificação rural para diversas comunidades rurais; a construção de esgotamento sanitário; a reforma do Estádio Municipal, a construção da sede do INSS; a aquisição de 03 viaturas (polícias Civil e Militar), 02 ônibus escolares e mais 03 carros para saúde; a construção de 02 quadras poliesportivas; a construção de 180 casas populares; a construção de 05 Postos de Saúde da Família &#8211; PSF (Junco, Santa Rita de Cássia, Tanquinho, Valilândia e Juazeiro); a implantação dos CRAS, CREAS e CAPS; e a conclusão da construção do Colégio Estadual Luciberto Martins, <strong>tudo financiado pelos recursos públicos dos governos Lula e Wagner</strong>, mas sem serem citados – embora as placas impeçam a omissão. É essa a concepção de parceria do governo Ubaldino Amaral – os governos Lula e Wagner pagam, mas não podem aparecer! Mais uma vez ninguém merece!<span id="more-6809"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo com tantos investimentos dos governos Lula e Wagner, todos visíveis ao olho nu e de pleno conhecimento por parte do povo de Valente, o prefeito Ubaldino Amaral (PSC) volta e meia – seja através de Informativos ou das rádios da cidade (Valente, Tropical e Cidade FM) – tem falado mal de ambos.  Por que ele faz isso? &#8211; perguntariam alguns desavisados. Ubaldino Amaral é um político conservador formado na “escola” do carlismo baiano – um dos muitos herdeiros de uma concepção-prática política socialmente em crise. O prefeito mesmo depois de tantos apoios recebidos ainda apóia Paulo Souto (DEM e ex-PFL) para governador e José Serra do PSDB para presidente. Mas o seu padrinho político local – o ex-prefeito Nenenzinho – apóia Wagner e Lula. A tentativa de omissão, para o povo de Valente, dos reais investimentos realizados pelos governos Lula e Wagner tem a intenção (absurda!) de evitar uma grande votação nas candidaturas do Partido dos Trabalhadores (PT), temendo, também, os resultados eleitorais das eleições municipais de 2012.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas a gestão do “governo de parcerias” do prefeito Ubaldino Amaral conta com imensa insatisfação popular devido à irrealização das promessas de campanha e a realização de um péssimo governo que até aqui se escondeu atrás da crise financeira mundial.  Afora, é claro, ao seu conhecido CINISMO. A “estratégia” do prefeito – NÃO DIZER A VERDADE SOBRE OS INVESTIMENTOS DOS GOVERNOS FEDERAL E ESTADUAL &#8211; em total desacordo com os últimos ensinamentos da Ciência Política nas eleições de 2008: quem se coloca contra os governos de forte aceitação popular perde voto. Essa, aliás, a atual encruzilhada enfrentada pela oposição – PSDB, DEM, PV, PPS no plano político nacional. O que dizer do governo que conta com quase 90% de aceitação?</p>
<p style="text-align: justify;">Trata-se da emergência, no Brasil, de nova cultura política popular que aos poucos também vem se estendendo ao interior da Bahia. O povo começou a fazer a sua parte, mas as forças políticas locais em disputas precisam também fazer a sua parte.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><br />
</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.oreconcavo.com.br/2010/06/30/valente-lula-e-wagner-fazem-mas-o-prefeito-soutista-ubaldino-amaral-quer-a-fama/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Os Intelectuais e a Razão na História. Por Ubiracy de Souza Braga</title>
		<link>http://www.oreconcavo.com.br/2010/06/26/os-intelectuais-e-a-razao-na-historia-por-ubiracy-de-souza-braga/</link>
		<comments>http://www.oreconcavo.com.br/2010/06/26/os-intelectuais-e-a-razao-na-historia-por-ubiracy-de-souza-braga/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 26 Jun 2010 06:24:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carmo Charles</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.oreconcavo.com.br/?p=6730</guid>
		<description><![CDATA[Ubiracy de Souza Braga é sociólogo (UFF), cientista político (UFRJ), doutor em comunicação social (USP) e professor da coordenação do curso de ciências sociais da UECE – Universidade Estadual do Ceará]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Ao amigo Clodoaldo Almeida da Paixão</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em> </em></p>
<div id="attachment_6731" class="wp-caption aligncenter" style="width: 400px"><a href="http://www.oreconcavo.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Andy-Singer.jpg"><img class="size-full wp-image-6731" title="Andy Singer" src="http://www.oreconcavo.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Andy-Singer.jpg" alt="" width="390" height="474" /></a><p class="wp-caption-text">Andy Singer - Rethinking Consumer Capitalism</p></div>
<p style="text-align: justify;">Em 1975, sete anos após a morte de Jean Hyppolite, Michel Foucault enviará à viúva um exemplar de Surveiller et Punir com a seguinte dedicatória: “À Madame Hyppolite, como lembrança daquele a quem devo tudo”. De todo modo Hyppolite não foi o único responsável por essa reviravolta. Desde 1929 Jean Wahl chamara a atenção sobre o filósofo alemão ao publicar Le Malheur de la Conscience dans la Philosophie de Hegel em que apresentava um Hegel místico, segundo a expressão de Roland Cailois. Em 1938 Henri Lefebvre editou os Cadernos de Lenin sobre a dialética de Hegel. A vida e o pensamento de Alexandre Kojève confundem-se com os acontecimentos mais marcantes do século XX.</p>
<p style="text-align: justify;">Etnobiograficamente falando, nascido no seio de uma família aristocrata na Rússia, ainda muito jovem A. Kojève foi preso com seus pais no calor dos acontecimentos políticos de outubro de 1917. Na prisão, começou a simpatizar com os revolucionários bolcheviques. Passada a tormenta, a família foi libertada e buscou exílio da Alemanha, onde o inquieto Kojève mergulhou profundamente no estudo da filosofia clássica. Deixou a Alemanha durante a ascensão do nazismo e aceitou suceder Alexandre Koyré em uma cátedra na École Pratique des Hautes Études, em Paris. Ali, de janeiro de 1933 a maio de 1939, tornou-se um dos mais importantes introdutores do pensamento de Hegel na França. Seu curso adquiriu fama insuperável. Por ele passaram Jean-Paul Sartre e Jacques Lacan, entre muitos outros intelectuais que nunca esconderam sua dívida de gratidão com o mestre. No segundo após-guerra, Kojève tornou-se conselheiro da Presidência da França e um dos mais influentes articuladores do projeto de uma Europa unificada, que hoje se concretiza. Morreu em 1968. Russo por nascimento, alemão por formação, francês por opção política, Kojève foi um intelectual brilhante, dotado de vastíssima erudição. Sempre envolvido em projetos ambiciosos, quase inacabáveis, publicou relativamente pouco. Vários de seus textos principais, geralmente muitos extensos como em todo grande homem, permaneceram incompletos e tiveram edições póstumas.<span id="more-6730"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Essa Introdução à Leitura de Hegel (1939) recupera seus cursos da década de 1930 sobre a Fenomenologia do Espírito, revistas e aprovadas pelo professor. Doze conferências de Kojève e dois outros textos seus sobre Hegel completam o livro. O curso seguiu passo a passo a obra comentada, mas destacou especialmente o capítulo IV da segunda seção, consagrado à consciência de si, obra que foi considerada por Jürgen Habermas “o grande acontecimento da filosofia alemã”. Contém textos do próprio Kojève – inclusive a famosa Introdução, redigida de forma independente e que se tornou um “pequeno clássico” – e anotações tomadas por Raymond Queneau, que em <a title="1924" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1924">1924</a> se junta aos <a title="Surrealista" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Surrealista">surrealistas</a>, mas não adota seus métodos de <a title="Escrita automática" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Escrita_autom%C3%A1tica">escrita automática</a> ou suas posições políticas. Como muitos surrealistas, ele fez psicanálise, mas não para estimular sua criatividade. Queneau questionou o apoio que os surrealistas deram ao Estado soviético em <a title="1926" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1926">1926</a>. Em 11 de março de 1929 foi secretário de um Encontro dos surrealistas onde se discutiu Léon <a title="Trotsky" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Trotsky">Trotsky</a> e, em <a title="1930" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1930">1930</a>, junto com René <a title="Crevel (página não existe)" href="http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Crevel&amp;action=edit&amp;redlink=1">Crevel</a>, <a title="Paul Éluard" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Paul_%C3%89luard">Paul Éluard</a>, <a title="Louis Aragon" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Louis_Aragon">Louis Aragon</a> e <a title="André Breton" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Andr%C3%A9_Breton">André Breton</a> tornou-se membro do partido comunista francês, como parte da oposição de esquerda internacional. Queneau também participou de Un cadavre em 1930, um veemente panfleto anti-Bretoniano escrito junto com George <a title="Bataille" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bataille">Bataille</a>, Michel Leiris, <a title="Jacques Prévert" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jacques_Pr%C3%A9vert">Jacques Prévert</a>, <a title="Alejo Carpentier" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Alejo_Carpentier">Alejo Carpentier</a>, <a title="Jacques Baron (página não existe)" href="http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Jacques_Baron&amp;action=edit&amp;redlink=1">Jacques Baron</a>, J.-A. Boiffard, <a title="Robert Desnos (página não existe)" href="http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Robert_Desnos&amp;action=edit&amp;redlink=1">Robert Desnos</a>, <a title="Georges Limbour (página não existe)" href="http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Georges_Limbour&amp;action=edit&amp;redlink=1">Georges Limbour</a>, <a title="Max Morise (página não existe)" href="http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Max_Morise&amp;action=edit&amp;redlink=1">Max Morise</a>, <a title="Georges Ribemont-Dessaignes (página não existe)" href="http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Georges_Ribemont-Dessaignes&amp;action=edit&amp;redlink=1">Georges Ribemont-Dessaignes</a> e <a title="Roger Vitrac" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Roger_Vitrac">Roger Vitrac</a>.<!--more--></p>
<p style="text-align: justify;">O ponto de partida para a constituição do sujeito – diz kojève, lendo Hegel – é o desejo, “mas não um desejo dirigido a uma coisa qualquer no mundo”. O homem se torna humano “quando deseja outro desejo”. Abre-se assim, ao homem, um novo espaço de liberdade, que se manifesta antes de tudo como um desejo de reconhecimento e produz uma luta de morte por puro prestígio – o ato fundante da história, o ato antropogênico por excelência. Mas para que haja história, é preciso que haja relação social entre homens vivos. A luta não pode terminar com a aniquilação de um dos lados. Um deles deve abdicar do combate, ou seja, colocar a sua liberdade acima de sua vida. Estabelece-se uma relação de tipo senhor-escravo. Porém, nela se desenvolve concentrada neste segundo pólo, uma outra atividade essencial ao projeto do homem: o trabalho. A descrição da dialética que assim se estabelece é um dos pontos culminantes do pensamento humano em todas as épocas, e sua conclusão é surpreendente: o homem integral, livre, satisfeito com o que é, o homem que se aperfeiçoa, não é o senhor nem o escravo, mas sim o <strong>escravo </strong>que consegue suprimir sua sujeição.</p>
<p style="text-align: justify;">A história humana aponta, pois, nessa direção. Desnecessário dizer que Karl Marx será o principal herdeiro intelectual dessa construção. A Fenomenologia do Espírito – ou “ciência da experiência da consciência”, primeiro título escolhido por Hegel – é a descrição do caminho das experiências humanas da constituição do Espírito, e o fio que as une, nas palavras de Henrique Vaz, “é o próprio discurso dialético que mostra a necessidade de se passar de uma estação a outra, até que o fim se alcance no desvelamento total do sentido do caminho”. Por isso a Fenomenologia integra um sistema. Encadeia-se com a Lógica para produzir o saber Absoluto, que ajusta plenamente a certeza do sujeito e a verdade do objeto. Para Hegel, só a era iniciada com Kant na filosofia e com a Revolução Francesa na política criou as condições para a construção desse saber. É este o pensamento detalhadamente analisado no Séminaire de Alexandre Kojève na École Pratique des Hautes Études, assim como já foram muito citados os nomes que se tornariam prestigiados entre aqueles que compõem seu auditório de 1933 a 1939: Alexandre Koiré, Georges Bataille, Pierer Klossowski, Jacques Lacan, Raymond Aron, Maurice Merleau-Ponty, Eric Weil e, com menor assiduidade, André Breton. Em 1947, ano em  que Hyppolite defende sua tese de doutorado, Raymond Queneau, que também fazia parte deste seleto público, edita as notas que tomara ouvindo Kojève e as intitula Introduction à la lecture de Hegel. Leçons sur la phénoménologie de l` esprit professées de 1933 à 1939 à l`École des Hautes Études reúnes et publiées par Raymond Queneau (cf. Éditions Gallimard, janvier 1939).</p>
<p style="text-align: justify;">Sem temor a erro, poderemos encontrar as muitas influências da filosofia de Hegel indicadas na constelação histórica no ano de seu nascimento, 1770. Naquele ano, Maria Antonieta, a radiante arquiduquesa da Áustria, casava-se com o apático delfim da França. Em Ajácio, Napoleão, o segundo filho de Letícia Bonaparte, acabava de aprender a andar. O capitão Cook completava sua primeira viagem em torno do mundo. Em Boston, Massachusetts, nos Estados Unidos, alguns soldados ingleses atiraram em uma multidão de colonos. Em Königsberg, na Alemanha, um idoso Privatdozent, chamado Immanuel Kant, lia uma dissertação a respeito da forma e dos princípios dos mundos da inteligência e da sensibilidade e da situação do homem entre ambos. No outro lado da Alemanha, em Estrasburgo, um jovem estudante, Goethe, escreveu alguns poemas que varreram toda a Alemanha para dentro de seu amor sensual por Friederike de Sesenheim. Um pouco mais tarde o romance de seu segundo amor, Os sofrimentos do jovem Werther, varria o mundo inteiro, até a China, “em uma onda de suicídios românticos”. Na França, naquele mesmo ano, o barão de Holbach publicou um tratado mostrando que o mundo, longe de ser um lugar romântico, nada era senão um grande mecanismo automático.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando Hegel morreu em 1831, o corpo decapitado de Maria Antonieta jazia numa vala comum em Paris. Napoleão e a Revolução haviam percorrido seus caminhos. Os ingleses e a revolução de Metternich haviam se encarregado do grande homem. A república norte-americana tomara seu lugar entre as potências e seus navios velozes percorriam os Sete Mares. Goethe serenamente observava uma vida de mil conflitos fundida em forma clássica e selava seu épico de Fausto, o homem universal que transcende o mundo da sensualidade. Holbach estava fora de moda, “mas um garoto de treze anos em Trier, Karl Marx, nascido no ano em que Hegel se tornara professor de filosofia da Universidade de Berlim, já começava a descobrir a filosofia – que significava Hegel – e logo iria ressuscitar Holbach em uma forma mais dinâmica do que todo o romantismo e que varreria o mundo, até a China, com uma paixão do intelecto mais poderosa do que qualquer coisa que Werther tenha conhecido” (cf. Hartman, 1976: 10-11).</p>
<p style="text-align: justify;">O fato é que em ambos, no triunfo do romantismo – na filosofia e na política – e no intelectualismo, Hegel desempenhou um papel decisivo. A influência de sua filosofia confirma a tese de que, através dos homens, a Razão universal molda a história. O destino desta filosofia presta testemunho à sua forma dialética. Sendo o filósofo mais racional e mais religioso, Hegel desencadeou os movimentos mais irracionais e mais irreligiosos – o fascismo e o comunismo. Em geral, visto como o mais autoritário, ele inspirou os mais democráticos: Walt Whitman e John Dewey. Sendo o filósofo que equiparava o que é ao que devia ser, ele liberava ao maior desagrado com o que está, e assim, como o maior conservador, desencadeou a maior revolução. A forma de sua filosofia lutava com seu conteúdo, e o conteúdo, com a sua forma. Separaram-se. Alguns pensadores aceitaram o conteúdo de sua filosofia e opunham-se a sua forma. Tornaram-se conservadores e eram chamados de “hegelianos de direita”. Outros pensadores aceitavam a forma de sua filosofia e opunham-se a seu conteúdo. Tornaram-se revolucionários e “hegelianos de esquerda”. As duas facções opositoras finalmente se encontraram no abraço mortal de Stalingrado.</p>
<p style="text-align: justify;">Para concordarmos com o escritor comunista norte-americano John Reed, autor de <em>Ten Days That Shook World</em>, editado nos Estados Unidos em 1919 e pela primeira vez em russo, na U. R. S. S., em 1923, a Revolução de Outubro foi uma revolução sem exemplo na história da humanidade. Nascido no Oregon, nos Estados Unidos, em 1887, John Reed interessou-se pelo jornalismo político ainda nos seus tempos de estudante na Universidade de Harvard. Depois de formado, continuou “militando” na carreira jornalística e obteve seu primeiro triunfo de reportagem quando da revolução de Madero, Pancho Villa, Zapatta e outros, que acompanhou de perto e retratou brilhantemente no seu livro <em>México Rebelde</em>. Em seguida, logo depois da abertura das hostilidades entre os impérios Centrais e os Aliados, em 1914, seguiu para a Europa, como correspondente de guerra, visitando a França, a Itália, a Alemanha e a Turquia. Em 1916, a <em>débâcle</em> dos exércitos tzaristas e a contínua efervescência política que campeava pela Rússia atraíram o seu “faro jornalístico”, na falta de melhor expressão, numa antecipação dos graves acontecimentos políticos que tiveram lugar em 1917.</p>
<p style="text-align: justify;">Embarca então para a Rússia, chegando a tempo de presenciar os fatos políticos principais que antecederam a queda do Governo Provisório e a tomada do poder pelos bolcheviques, tão bem retratados em <em>Doutor  Jivago</em> (<em>Doctor Zhivago</em>. Direção: David Lean, EUA, 1965, Vídeo Arte, 150 min), em que um médico e poeta de família burguesa procura manter seus ideais liberais durante a Revolução (1905) e a Guerra Civil (1917) soviéticas. Baseado no <em>best seller</em> de Boris Pasternak, ganhou no total cinco Oscar, inclusive o de melhor roteiro. Logo depois da consolidação do poder soviético, vitimado pelo tifo, morre John Reed. Suas cinzas repousaram na base das muralhas do Kremlin, no lado da Praça Vermelha, logo atrás do túmulo de V. I. Lenine.</p>
<p style="text-align: justify;">Seu inspirador, seu chefe e seu organizador foi o partido dos bolcheviques, seu comitê central, dirigido por Lenine. Eles previram com clarividência toda a marcha da Revolução, todas as suas prováveis flutuações, o comportamento das massas revolucionárias e o comportamento das classes e dos partidos que lhes eram hostis. As idéias de Lenine impregnaram toda a atividade dos órgãos de direção da inssurreição: O Politiburo e o Comitê Central do Partido Bolchevique, o Soviete de Petrogrado e seu estado-maior incubido da direção da inssurreição, o Comitê Militar-Revolucionário (cf. Reed, 1978).</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre o livro de J. Reed, afirma Lenin: “Com imenso interesse e igual atenção li, até o fim, o livro <em>10 Dias que Abalaram o Mundo</em>, de John Reed. Recomendo-o, sem reservas, aos trabalhadores de todos os países. É uma obra que eu gostaria de ver publicada aos milhões de exemplares e traduzida para todas as línguas, pois traça um quadro exato e extraordinariamente vivo dos acontecimentos que tão grande importância tiveram para a compreensão da Revolução Proletária e da Ditadura do Proletariado. Em nossos dias, essas questões são objeto de discussões generalizadas, mas, antes de se aceitarem ou de se repelirem as idéias que representam, torna-se necessário que se saiba a real significação do partido que se vai tornar” (cf. Prefácio de Lenine para a edição Norte-Americana, 1919).</p>
<p style="text-align: justify;">No Prefácio de N. Crupscaia para a 1ª edição Russa, “´Dez dias que abalaram o mundo”, esse o título que John Reed deu à sua obra admirável. É um livro que recorda, com uma intensidade e um vigor extraordinários, os primeiros dias da Revolução de Outubro. Não se trata de uma simples enumeração de fatos, de uma coleção d documentos, mas de cenas vivas, tão típicas que não podem deixar de evocar, no espírito de todas as testemunhas da Revolução, aquelas cenas idênticas, a que todos assistiram. “Todos esses quadros tomados ao vivo traduzem da melhor forma possível, o modo de sentir das massas, e permitem apanhar o verdadeiro sentido dos diferentes atos da grande revolução”.</p>
<p style="text-align: justify;">Daí que, guardadas as proporções, o <em>realismo mágico</em> converteu-se num veio capaz de afirmar a realidade latino-americana entre os dentes das “Cassandras científicas”. Gabriel Garcia Márquez inspirou-se inicialmente em  Faulkner. Mas basta comparar o coronel Thomas Sutphen com o coronel Aureliano Buendia, ou o condado de <em>Yoknapatawpha</em> com Macondo, para reconhecer um “desencantamento do mundo”, no sentido pós-weberiano, e outro ainda encantado. Uma cisão entre as sensibilidades estética e científica, artística e literária, deslocou para os romancistas, poetas e artistas latino-americanos “o peso da responsabilidade de expressar seu mundo como centro e não como periferia”. Isto é importante. Ele é, ao lado de Manuel Scorza, o autor sulamericano mais traduzido no mundo inteiro. Scorza nasceu em Lima, Peru, em 9 de setembro de 1929. Estudou em colégio militar e cursou Literatura na Universidade de San Marcos, em Lima, e na Universidade do México. Participante ativo das lutas sociais de seu país, foi preso e expulso do Peru na ditadura do General Odría. Em 1948, experimentou o exílio pela primeira vez, e durante sete anos percorreu quase toda a América Latina. Voltou ao Peru em 1956.</p>
<p style="text-align: justify;">A partir de 1960, participou de grande rebelião camponesa dos Andes Centrais, militante ativo das lutas do movimento indígena, denunciou publicamente a matança e, por isso, foi acusado de “ataque às Forças Armadas”. Seu livro de maior impacto <em>Bom Dia para os Defuntos</em> (Civilização Brasileira, 1975) – <em>Redoble por Rancas</em> (Editorial Planeta, 1970), no original peruano – é livro que vem empolgando os leitores de todos os países onde já foi publicado: Espanha, Itália, França, Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, para citar alguns. Trata-se de um romance-testemunho. Ou, como diz o próprio autor: é a crônica exasperadamente real de uma luta solitária: “a que, entre 1950 e 1962, travaram nos Andes Centrais os homens de alguns povoados que apenas figuram nos mapas militares dos destacamentos que os arrasaram”.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Ipso facto</em>, “os protagonistas, os crimes, a traição e a grandeza, quase todos têm aqui os seus nomes verdadeiros”. Alguns nomes, no entanto, foram modificados: “para proteger os justos contra a justiça” – adverte o romancista. É o relato dos conflitos entre campônios e latifundiários e, ainda, a <em>Cero de Pasco Corporation</em>, empresa norte-americana que explora as jazidas minerais da região e reserva um milhão de hectares de terra para a engorda do gado de sua Secção Agrícola – firma que, em seu último balanço, apresentou um lucro líquido de cinco milhões de dólares. A luta travada foi epopéica, mas terminou com o massacre dos rebeldes ante as forças repressivas peruanas e os capangas dos grandes proprietários de terras. Nesse romance realista, marcado pelo patético e o trágico, o burlesco e o fantástico, o absurdo e o cruel, há que se ressaltar o admirável domínio da fatura literária que Manuel Scorza exibe. Há que se ressaltar, também, &#8211; como já o fizeram os seus críticos latino-americanos e europeus – “a potência devastadora da ironia e do humor”, típicos do real maravilhoso. Isto levo-o pela segunda vez a deixar seu país, buscando então refúgio na França onde viveu por 10 anos. E é precisamente neste período que conclui sua trilogia, narradas entre Paris e Lima originalmente com o nome <em>La  Danza Imóvil</em> (1983). Retornou ao Peru em 1978. Faleceu em 27 de novembro de 1983, aos 54 anos, num acidente aéreo ocorrido na Espanha.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Bibliografia Geral Consultada</p>
<p style="text-align: justify;">ERIBON, Didier, <em>Michel Foucault</em>, 1926-1984. <em>Tempo Social</em>. Revista de Sociologia. USP &#8211; Universidade de São Paulo. Vol. 7, n˚ 1-2, out. 1995.</p>
<p style="text-align: justify;">HABERMAS, Jürgen, <em>Dialética e Hermenêutica</em>. Porto Alegre: L&amp;PM, 1987.</p>
<p style="text-align: justify;">HARTMANN, N., <em>A Filosofia do Idealismo Alemão</em>. Lisboa: Kalouste Gulbenkian, 1976.</p>
<p style="text-align: justify;">HEGEL, G. W. F., <em>Lecciones sobre la Filosofia de la História Universal. Madrid: Revista de Occidente, 1974. </em></p>
<p style="text-align: justify;">HYPPOLITE, Jean, <em>Génesis y Estructura de la Fenomenología del Espíritu de Hegel</em>. Barcelona: Edicións 62, 1974.</p>
<p style="text-align: justify;">KOJÈVE, Alexandre, <em>Introduction à la lecture de Hegel</em>. Paris: Éditions Gallimard, 1973.</p>
<p style="text-align: justify;">_____________, <em>La Dialectica</em><em> de lo Real y la Idea de la Muerte en Hegel</em>. Buenos Aires: Editorial La Pleyade, 1974. (Texto íntegro de las dos últimas  conferencias del Curso 1933-1934).</p>
<p style="text-align: justify;">LENIN, Vladimir Illich., <em>Quaderni filosofici</em>. Milão: Feltrinelli, 1958.</p>
<p style="text-align: justify;">SCORZA, Manuel, <em>Bom dia para os defuntos</em>. 3<sup>a</sup> edição. Balada 1. O que aconteceu dez anos antes de o Coronel Marruecos fundar o segundo cemitério de Chinche. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1975a.</p>
<p style="text-align: justify;">_____________, <em>História de Garabombo, o invisível</em>: balada 2. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1975b.</p>
<p style="text-align: justify;">_____________, <em>A Dança Imóvel</em>. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.</p>
<p style="text-align: justify;">VAZ, Henrique C. de Lima, S.J., “Categorias do espírito”. In: <em>Antropologia Filosófica</em>. 8ª edição. Volume I. São Paulo: Edições Loyola, 2006.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.oreconcavo.com.br/2010/06/26/os-intelectuais-e-a-razao-na-historia-por-ubiracy-de-souza-braga/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
