Marketing x Política: escondido da TV, Lula não fala o nome do boi
No primeiro turno, uma série medieval de boatos e calúnias aliada aos votos de Marina, em grande parte decorrente da rejeição à Dilma que a boataria resultou,levou as eleições para um improvável segundo turno.
A campanha de Dilma Rousseff arrefeceu em um primeiro momento e fortaleceu-se em um segundo, impulsionada pela mudança de postura da petista, sobretudo após o debate na Band, um ponto de inflexão da campanha que levou a militância às ruas e politizou os debates.
Dilma retomou as rédeas da campanha. A política prevaleceu.
Agora, novamente, uma guerra nítida se trava nos subterrâneos da campanha, através de boatos e calúnias anônimas, desta vez, de forma massificada, em áreas seguramente estratégicas para o Robô do Telemarketing Anti-Dilma.
O PT acionou a Polícia Federal e criou um disque-boato, com centrais por estado etc.
Entretanto, se foi aí que Lula perdeu a batalha do primeiro turno, seria presumível que a propaganda de Dilma traduzisse a disposição de ir, abertamente, para o confronto com Serra. E foi isso que, em determinada medida, ela fez.
Lula, entretanto, foi emparedado dentro de um formato televisivo que não enfrenta a guerra suja que custou um retrocesso de 30 ou 40 anos para a esquerda brasileira, se levamos em conta temas como a fé religiosa, tão profanada nesta campanha, como disse o padre em Canindé.
Marketing também pode ser uma questão de fé. Talvez aí resida a única explicação que me ocorre para o fato da campanha de Dilma não ter exposto o presidente Lula para que ele dê nome ao boi e denuncie a guerra suja. Lula não foi para o mano a mano.
A campanha de Dilma Rousseff pode pagar o preço da boataria telefônica e impressa porque confunde marketing com política.
Política é a construção de fatos políticos. A campanha é curta, o tempo urge. A boataria é aética, mas cria fatos, a cada ligação.
A lógica impõe à campanha Dilma Rousseff a construção de alguns fatos. No caso da propaganda de televisão o fato traduz-se em um esperado discurso do presidente Lula, denunciando o boi e mostrando o resto da boiada, inclusive os bois-bombas.
Em Salvador, a repetição de um discurso de Lula, na televisão, em que o presidente alardeava que ACM Neto, descrito por Lula como “nanico”, cogitou bater no presidente, foi crucial para transportar o democrata da liderança absoluta para a terceira colocação, na disputa pela prefeitura da capital baiana.
Ou Lula derruba o boi, na propaganda eleitoral, ou será pisoteado pela boiada.
Entretanto, tem muita gente inteligente, estudada, preparada, prenhe de pesquisas e sabida, que discorda. Estas pessoas acreditam que isso fragilizaria a imagem de Dilma enquanto mulher preparada.
A campanha de Dilma entendeu que era preciso politizar o debate, e isso fez bem à petista.
Agora, a campanha de Dilma só precisa das imagens de Lula no programa eleitoral, extraídas no ardor de um palanque, dizendo textualmente quem é Serra e denunciando como está sendo feita a campanha do PSDB. Entretanto, a campanha de Dilma não o faz, criando um dos maiores mistérios desta eleição.
Muitas vezes, o problema do marketing reside na busca incessante pela criatividade, quando na verdade, o momento pede objetividade.
Que os marketeiros não vejam isso, eu posso entender. Mas e Lula?
Por Charles Carmo



























