Há muito a OCUPAR. Por Ernesto Marques
Dias atrás o cientista político Paulo Fábio nos ofereceu mais um belo escrito sobre este instante da vida em Soterópolis e o movimento DESOCUPA, no qual vaticina: “não sejamos ingênuos e saibamos que a partir de um movimento desses pode acontecer tudo, inclusive nada (esta última, aliás, pode ser vista como a hipótese mais provável)”. Por menor que seja a probabilidade de acontecer tudo, me basta para arriscar acontecer nada. O “nada” para mim seria o retorno ao banho-maria de que fala Paulo Fábio, que produziu a situação bizonha em que nos metemos. Independente de quem venha a suceder João amanhã, “DESOCUPADO”, ou em 1º. de janeiro de 2013, findo seu desastroso segundo mandato, a chance de começar a brecar e reverter o caos dependerá, em grande medida, da capacidade de mobilização organizada da sociedade.
A cidade não vai melhorar sob o império absoluto do pragmatismo que orienta a política convencional. Tampouco avanço qualquer será conquistado sem um mínimo de organização na hora de pressionar Câmara e Prefeitura. Grifo para ressaltar a diferença entre pessoas e instituições e deixar claro que o ponto de partida para esta reflexão é o nascimento do DESOCUPA. Mas não falo apenas deste momento, e sim da continuidade da vida na cidade. O mais belo acontecido dos últimos anos nas ruas da Província da Bahia foi, sem dúvida alguma, o DESOCUPA. Mas diante do “risco” da confirmação da maior probabilidade, a de acontecer nada, prefiro arriscar uma provocação.
Dez anos atrás a Revolta do Buzú conseguiu mobilização muito maior e inédito apoio da sociedade, mesmo diante dos enormes engarrafamentos provocados pelos estudantes. A cidade estava com eles, a imprensa cobriu bem os fatos e houve editoriais e artigos em apoio. A Prefeitura recuou, a Câmara idem, e ensaiou-se então um debate sério sobre o transporte público. O autonomismo daquele movimento também sem líderes, que abominava organização, que repudiava a presença de partidos, foi o lexotan ou o rivotril que acabou com a insônia de quem arrancava cabelos diante da simples hipótese de finalmente abrir a caixa preta da planilha de custos do serviço. O pouco avanço conquistado a duríssimas penas pelo movimento popular e ainda sob a égide do carlismo forte, foi sentenciado ao retrocesso ali. Desde então, quando muito, grita-se apenas contra um possível aumento da tarifa. É muito pouco! A cidade precisava discutir seriamente e em profundidade, a composição dos custos do transporte.
O melhor do DESOCUPA foi ver a cidade se descobrindo ainda viva e capaz de reagir. Não gosto da idéia de interromper mandatos legitimamente conquistados. Podemos dizer cobras e lagartos do nosso alcaide, mas ele foi eleito pela primeira vez em segundo turno, com mais de 70% dos votos e, quatro anos depois, reeleito. Pedir que ele desocupe o Thomé de Souza aos 44 do segundo tempo serve muito bem como palavra de ordem para traduzir a nossa revolta com o que o político João Henrique de Barradas Carneiro fez da legitimidade das urnas. No ano da sucessão, sem ser candidato e sem ter candidato competitivo a patrocinar, e limitado pela legislação eleitoral na sua incrível capacidade de desgovernar, João já não oferece mais tanto perigo. Diante do estrago feito, melhor que assuma integralmente pelo conjunto da sua obra e nunca seja esquecido pelos eleitores. Leia mais »

















Comissão Eleitoral apura os votos e anuncia os eleitos